Janete Ferreira Justino, de 48 anos, foi sepultada hoje em Capela de Santana - Reprodução/FN

Janete Ferreira Justino, de 48 anos, foi sepultada no início da tarde desta quinta-feira, dia 11, no Cemitério Municipal de Capela de Santana. Ela estava internada no Hospital Montenegro (HM) desde o dia 22 de fevereiro e necessitava de uma cirurgia de emergência devido à hemorragia subaracnoide. Estava internada na UTI e dependia de transferência para um hospital que realizasse esse tipo de cirurgia.

A filha da paciente, Priscila Justino, chegou a apelar para a Justiça. O advogado Axel Rodrigues Pimentel ingressou com ação em 2 de março, solicitando através de liminar transferência urgente, já que a paciente corria sério risco de vida. Entretanto, lamentou que o Estado não cumpria a decisão judicial. Chegou a requerer o bloqueio de R$ 30 mil para que fosse comprado um leito e efetuada a remoção.

Conforme relatório médico, de terça-feira, Janete apresentou piora do nível de consciência com necessidade de intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva. E corria risco de óbito caso não fosse transferida em 24 horas para um hospital referência em alta complexidade com serviço de neurocirurgia. O perigo era iminente de aneurisma cerebral, devido ao ressangramento. Priscila considera que foi um descaso o que aconteceu com sua mãe. Mesmo que os hospitais de todo o Estado estejam superlotados devido aos casos de coronavírus, entende que faltou sensibilidade em atender e responder aos pedidos num momento de tamanha gravidade.

No relatório médico constava que o Hospital Montenegro não tinha condições técnicas de tratar a patologia da paciente de forma adequada. E que necessitava de transferência com urgência para hospital referência devido à gravidade do caso. No relatório, inclusive, constava uma relação de hospitais referência, todos eles de Porto Alegre.

A reportagem do Fato Novo entrou em contato com o Hospital Montenegro, que alegou que estava sendo feito todo o possível. “Foi cadastrada no gerint, porem não tem leitos. Ela precisa de uma cirurgia neurológica”, informou o hospital, ainda na quarta-feira, após familiares entrarem em contato com o jornal, que prontamente buscou informações junto ao HM.

O caso ganhou repercussão, sendo inclusive destaque no programa Balanço Geral, da TV Record, onde a filha Priscila e o advogado Axel Rodrigues Pimentel se manifestaram. “A mãe sofreu por 18 dias. Apelamos para tudo”, lamenta Priscila, muito consternada. “Foram cinco pedidos na Justiça. Consegui liminar, mas mesmo assim a paciente não foi transferida”, lamentou o advogado, citando que a família pretende ingressar com ação contra o Estado, pedindo reparação de danos através de indenização. “É um descaso e desrespeito com a vida humana”, conclui.

Janete Ferreira Justino morava em Capela de Santana e trabalhava em Portão. Divorciada, deixa quatro filhos, demais familiares e muitos amigos que estão bastante abalados.

1 COMENTÁRIO

  1. O vírus mostrou a desorganização do sistema de saúde do estado e do país. Nunca se interessaram em organizar a bagunça. O exemplo veio de cima. Jamais poderiam desprezar as outras doenças. Qta gente morreu, meu Deus! Teria de haver divisão de local e de trabalho e de trabalhadores. NÃO. NÃO tem desculpa. Pra isto são pagos: pra fazer o trabalho.

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