Foto tirada sobre a barca que era usada na travessia do rio, no Caí, no ano de 1949 - aparecem na foto, da esquerda para a direita, Henrique Martini, Luis Padilha, Ronaldo Scheffer, Nelson Metz, Henrique Hoerlle e Pifi Bastos Arquivo/FN

Entre 1827 e o início da década seguinte, muitas centenas de famílias de imigrantes alemães se estabeleceram em São José do Hortêncio. Cada casal de colonos tinha muitos filhos e, na medida que eles iam crescendo, casando e constituindo suas próprias famílias, necessitavam de novas terras para cultivar. A solução para os novos casais era adquirir terras em colônias novas, onde elas ainda eram abundantes e baratas.

Já pela década de 1840 e 1850, muitas famílias mudaram-se de Hortêncio (e outras colônias velhas) para as novas colônias que surgiram na Feliz e em Bom Princípio. Na década de 60 a migração foi intensa para o Caí, Pareci Novo e Harmonia e, logo mais, a migração dos colonos seguia na sua marcha para o oeste, ocupando os territórios dos atuais municípios de São José do Sul, Maratá, Brochier Poço das Antas e outros.

A mudança era feita em carroças puxadas a boi.

As estradas eram precaríssimas e a viagem de mudança era muito difícil. Um trecho que hoje pode ser feito em uma hora por estrada asfaltada, naquela época levava dias para ser vencido.

Ir de Hortêncio até o Caí já representava uma longa jornada. Mas depois as dificuldades eram ainda maiores. A primeira delas era a travessia do rio Caí. Como fazer isto com uma carreta de bois?

Havia, junto à atual cidade de São Sebastião do Caí um passo (lugar onde era mais fácil atravessar o rio). Chamava-se Passo do Caí ou Passo do Matiel. Matiel é, até hoje, o nome da localidade existente no lado oposto do rio, de frente para a cidade de São Sebastião do Caí.

No século XX, como aconteceu em outros passos, foi instalada ali uma barca que levava automóveis, carroças e carretas de uma margem à outra do rio. Esta barca funcionou na continuação da rua Pinheiro Machado (a que passa junto ao prédio da prefeitura). Mas, neste local, o rio é profundo e, certamente, não era ali que as carretas dos colonos atravessavam o rio.

Moradores antigos da localidade hoje conhecida como Morro Peixoto (situada no município de Harmonia, perto do atual Balneário das Taquareiras) lembram de um antigo passo, pelo qual as pessoas passavam o rio a pé. Ele fica cerca de cem metros rio abaixo do Balneário das Taquareiras. Ainda havia, até algumas décadas atrás, uma estradinha que dava acesso a este local e era costume os proprietários de caminhões (comerciantes de frutas) levarem seus veículos até o local, que chamavam de Passo, para lavar estes veículos.

Do outro lado do rio situa-se a localidade hoje denominada Várzea da Vila Rica, nos arrabaldes de São Sebastião do Caí.

Era ali, certamente, o local utilizado pelos antigos para fazer a travessia do rio. Um local em que o rio, além de ser raso, não tinha barrancos altos nas suas margens. E que, por isso, possibilitava a travessia fácil (ao menos no tempo seco, quando o nível do rio estava baixo).

 

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