A estrada Júlio de Castilhos é mais moderna que a estrada Rio Branco, trilhando apenas terrenos altos e livres das enchentes. No trecho que vai da localidade de Escadinhas até Arroio Feliz, a Júlio de Castilhos aproveitou o traçado da Rio Branco, até o ponto mostrado acima Arquivo/FN

No relatório que faz das rodovias existentes no município do Caí, em 1940, Alceu Masson destaca a rodovia federal (hoje denominada BR-116 que, construída para ligar Porto Alegre à capital federal (então o Rio de Janeiro). Passando por São Leopoldo e Novo Hamburgo, esta estrada passava por território caiense nos então distritos caienses de Nova Petrópolis e Nova Palmira. As obras no trecho Porto Alegre – Vacaria, foram iniciadas em 1938. O trecho da estrada que passava pelo município começava na ponte sobre o arroio Cadeia, em Picada Café, subia a serra até Nova Petrópolis, depois descia novamente, chegando ao vale em que se encontra a localidade de Nova Palmira e depois subia novamente, em direção a Galópolis (localidade já situada no município de Caxias do Sul).

Além disto, importantes estradas estaduais também passavam pelo território caiense:

Estrada Júlio de Castilhos, que partia de São Leopoldo, passava por Portão, Caí num traçado que corresponde ao da atual RS-122, depois seguia em direção a Feliz, passando por Vigia e Escadinhas e depois, por Alto Feliz (então conhecida como Santo Inácio ou Alto da Feliz), chegava a Farroupilha e seguia até a região norte do estado, terminando em Marcelino Ramos, na divisa com Santa Catarina. Era considerada a principal estrada estadual da época e, segundo Masson, ela “tem contribuído grandemente para o progresso de Caí.”

As condições de trânsito na estrada, entretanto, não eram muito boas, mas já apresentavam vantagens com relação à navegação.

“As linhas de ônibus, proporcionando viagens mais rápidas, fizeram grande concorrência às companhias de navegação. Como diminuísse consideravelmente o número de passageiros que viajavam por água, a União Fluvial substituiu os seus vapores por gasolinas, pois, dedicando-se mais especialmente ao transporte de carga, já não tinha necessidade de embarcações com acomodações amplas para passageiros.”

“Dentro em breve, a Júlio de Castilhos será macadamizada e asfaltada. Tornar-se-á então a melhor estrada do Rio Grande do Sul. Já está em franco andamento o movimento de terra num grande trecho do distrito de Portão, trabalho preparatório para a macadamização; e um trecho de 14 kms da Feliz até o km 6 da estrada Rio Branco, já se acha macadamizado.”

Conforme informa ainda Alceu Masson, “anos atrás, a estrada Júlio de Castilhos começava em Kaudenbach (bairro Matiel, na cidade de Feliz), no km.14 da estrada Rio Branco.”

Portanto, a distância entre Feliz e Caí, pela estrada Rio Branco, era de 14 quilômetros. Menos do que a atual ligação asfáltica passando por Bom Princípio.

E informa mais: Da Feliz, “continuava, como hoje, pelo Alto da Feliz.”

É de lembrar que, antigamente, a ligação entre Feliz e Alto Feliz era feita através da estrada do Morro das Batatas e não, como hoje, passando pela localidade de Arroio Feliz. A qual das duas opções se referia Masson, em 1940?

Comenta ainda Masson, na monografia: “Estando a estrada Rio Branco mal localizada, pois é facilmente atingida pelas enchentes do rio Caí, o que a torna um verdadeiro sorvedouro de verbas para conservação, o governo do estado prolongou a Júlio de Castilhos até a sede do município. fazendo-a passar por zona mais apropriada, e ligando-a à estrada de São Leopoldo.”

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