O Museu Zanini, na localidade de Terceira Légua (no interior de Caxias do Sul), guarda lembranças dos primeiros colonos italianos, que lá se estabeleceram antes de chegar a Caxias Reprodução/FN

A estrada Rio Branco “parte da sede do município e segue em direção ao norte, acompanhando o rio Caí pela margem esquerda. No lugar denominado Escadinhas interrompe-se e só recomeça no Kaudenbach (hoje, Arroio Feliz), pois nesse trecho, que primitivamente lhe pertencia, passa atualmente a estrada Júlio de Castilhos”, relatava Alceu Masson, em 1940.

A estrada Rio Branco, portanto, deve corresponder à atual estrada da Várzea da Vila Rica, que começa no bairro caiense da Vila Rica. A estrada seguia pela margem do rio Caí, passando pelo bairro caiense que ainda hoje é conhecido como Rio Branco e seguindo pelas localidades de Caí Velho e Bela Vista, hoje pertencentes ao município de Bom Princípio. Passava depois pela localidade de Escadinhas, já no município de Feliz. Este trecho, entretanto, no ano de 1940, havia sido incorporado à estrada Júlio de Castilhos, mais moderna e feita em terreno livre de alagamentos pelas enchentes do rio Caí.

Passando Escadinhas, a estrada chegava a Kaudenbach que corresponde à atual localidade de Arroio Feliz. “De Kaudenbach, continua a Rio Branco pela margem direita do (rio) Caí, atravessa a povoação de Vila Real (antiga Kronetal), segue até Nova Palmira, e dali ruma para o município de Vacaria, passando por Galópolis, Caxias, Ana Rech, Estrada da Serra e Criúva.”

O que Masson chama de Vila Real é hoje a cidade de Vale Real. As localidades de Nova Palmira e Galópolis ainda preservam suas denominações originais. Pelo fato da estrada se destinar a Vacaria, pode se deduzir que ela vem a ser o antigo caminho dos tropeiros de gado.

De Feliz até Vila Cristina, a Estrada Rio Branco se avizinhava do rio Caí, seguindo o seu traçado. De Vila Cristina até Caxias do Sul, ela acompanhava o trajeto do arroio Pinhal, que nasce no local onde hoje se encontra a cidade de Caxias do Sul.

O Vale do Caí era coberto por densas matas, praticamente intransponíveis. As margens dos rios foram os primeiros terrenos desmatados, pois já na primeira metade do século XIX era intensa a exploração de madeira própria para construção, que era levada para Porto Alegre através do rio Caí. Boiando. A madeira derrubada era arrastada até o rio por juntas de bois, abrindo-se caminhos para isto. E, neste processo, a mata nas áreas próximas do rio iam se tornando menos densas. Também era junto ao rio que os primeiros moradores se estabeleciam, pois o rio era a estrada daquele tempo. Tudo isto fazia com que as primeiras estradas que surgiram na região fossem abertas junto ao rio, como foi o caso da Estrada Rio Branco. Mas estradas assim apresentavam o grave defeito de sofrerem interrupções de trânsito por ocasião das enchentes. Por isto, mais tarde, foi construída a estrada Júlio de Castilhos, evitando os trechos da Rio Branco que passavam por terrenos inundáveis.

A estrada Júlio de Castilhos (mais moderna, como escreveu Alceu Masson) representou um novo caminho para a ligação entre o Vale do Caí e Caxias. Do antigo Kaudenbach (hoje, Arroio Feliz) ela subia a serra, passando pela localidade de Alto Feliz (hoje sede municipal) e chegando à cidade de Farroupilha. Caminho esse, que não estava ainda aberto na época em que chegaram os primeiros colonos italianos (pelo ano de 1875).

 

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