Conselho de Usuários debate possível mudança no traçado da duplicação da ERS-240 e RSC-287 em Montenegro

Desapropriações e desocupações dificultam a duplicação pelo atual traçado - Crédito: Reprodução

O Conselho de Usuários de Rodovias do Bloco 3 promoveu, na tarde desta terça-feira, 07, uma reunião na sede do Sindilojas, em Montenegro, para discutir temas relacionados à concessão das rodovias da região, com destaque para a duplicação da ERS-240 e da RSC-287 na travessia urbana do município.

O encontro reuniu representantes da concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), autoridades municipais e lideranças regionais para debater a possibilidade de alteração do traçado da duplicação, hipótese anunciada pela concessionária em fevereiro deste ano.

Durante a reunião, o diretor-presidente da CSG, Ricardo Peres, explicou que deve ser solicitado ao Governo do Estado um estudo técnico para avaliar a viabilidade de um novo trajeto fora da área urbana de Montenegro. Segundo ele, a mudança é motivada pelas dificuldades de desapropriação no traçado atualmente previsto.

Conforme Peres, a duplicação pelo percurso atual afetaria 88 imóveis, incluindo estabelecimentos comerciais que precisariam ser removidos.

Participaram da reunião o prefeito Gustavo Zanatta; a presidente do Conselho de Usuários de Rodovias, Mônica Mattia; o presidente do Sindilojas, Marcos Roberto Azevedo da Silva; a presidente da ACI, Elisabete Griebeler; o presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Codevarc), Alzir Bach; além de secretários municipais, vereadores e demais convidados.

Para Marcos Roberto Azevedo da Silva, que também integra o Conselho de Usuários e é diretor da Fecomércio, o encontro foi importante por tratar de um assunto que afeta diretamente a população e o desenvolvimento da cidade. Ele demonstrou preocupação com os impactos das desapropriações caso seja mantido o traçado atual, mas ressaltou que um estudo técnico poderá apontar os efeitos da alteração e contribuir para uma decisão que favoreça a economia do município.

A presidente do Conselho de Usuários, Mônica Mattia, destacou que a duplicação já integra o plano de obras da concessão, mas a possibilidade de uma nova rota exige uma análise ampla dos impactos econômicos, sociais e ambientais. Segundo ela, o objetivo da reunião foi promover o diálogo entre a concessionária e as lideranças locais para compreender os reflexos de cada alternativa.

Mônica afirmou que, pelas informações apresentadas, a mudança do traçado para fora do perímetro urbano pode ser necessária, evitando impactos significativos ao comércio local, que poderiam ocorrer com a construção de viadutos, vias marginais e outras intervenções na área urbana. Ela ressaltou que os estudos servirão de base para uma futura manifestação ao Governo do Estado, apontando as vantagens e desvantagens da alteração.

Reunião ocorreu no Sindilojas

 

Já o presidente do Codevarc, Alzir Bach, lembrou os benefícios que ocorreram em São Sebastião do Caí e Bom Princípio, com o novo traçado da ERS-122, ocasionando mais segurança e desenvolvimento aos municípios. O trajeto antigo virou avenidas municipalizadas, virando novos centros. No caso do Caí, virou opção com imóveis mais distantes de zonas atingidas por enchentes, que é o que pode ocorrer também em Montenegro, gerando mais áreas para ocupações habitacionais, comércio e indústrias.

Pelo cronograma original da concessão, a duplicação do trecho entre o antigo pedágio de Portão e a BR-386, passando por Capela de Santana, Montenegro e parte de Triunfo, está prevista para ocorrer entre 2028 e 2031. Entretanto, caso o novo traçado seja adotado, o cronograma deverá ser revisto.

A alternativa em estudo prevê um desvio entre a antiga fábrica da Antarctica e o trevo de acesso à ERS-124, na chamada “Faixinha do Polo”, passando pela região do Faxinal. A proposta é semelhante à apresentada pelo Daer em 2013. O estudo técnico deverá ser concluído em um prazo estimado entre quatro e seis meses, enquanto ainda não há previsão para o início ou duração das obras.

Ao final da reunião, Ricardo Peres avaliou o encontro como produtivo e afirmou que foi possível apresentar às lideranças os prós e contras das duas alternativas. Segundo ele, a grande concentração de edificações e propriedades às margens da rodovia torna a duplicação do traçado atual bastante complexa, exigindo a construção de vias marginais e desapropriações, enquanto que com um novo percurso preservaria a estrutura existente e reduziria esses impactos.

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