Gasolina e outros goles no consumidor brasileiro

Oscar Bessi

Foi só o Trump destrambelhar, mais uma vez, e decretar a tal guerra contra o Irã, que algum especialista apareceu, de paletó e perna cruzada, para dizer que o preço do petróleo iria subir muito. Pronto. Nem bem se confirmou a toeria e os postos de combustíveis brasileiros já estavam aumentando o litro da gasolina e do diesel. Que nem tinham saído de lá. Como Trump levou um laço dos aiatolás, e entre bravatas diárias e entrevistas desastrosas, não mudou nada nem coisa nenhuma no Oriente Médio, mesmo com o apoio dos pistoleiros genocidas de Israel, o preço do petróleo subiu e desceu conforme as águas se agitavam no estreito de Ormuz. Por aqui, só subiu. Incrível, né? E o governo anunciou isenção e desconto de imposto, tomou iniciativas para preservar o preço aos brasileiros, mostrou a avaliação que a tendência era reduzir o que se paga pelo litro dos combustíveis. Caiu o preço ao consumidor? Nécas.

Assim foi com o preço do café, na crise paulista de calor e incêndios criminosos e etc. Eu tenho o costume de sempre conferir data de fabricação, validade e lote dos produtos que compro. Um pacote de meio quilo do meu café preferido custava 18 reais, com ofertas esporádicas de 14 ou 15. Começou a crise e o mesmo café passou para 21, depois 24, até chegar em incríveis 38 reais. Detalhe: como eu conferia o lote, podia ter certeza de que aquele era o mesmo café que nunca saiu daquelas prateleiras. Não passou por incêndio nem crise nenhuma. Só se aproveitou a especulação do preço. Meses depois, quando uma medida econômica ou sei lá o quê virou notícia de que os preços deveriam voltar ao normal, os comerciantes, na maior cara-de-pau, anunciaram que estavam contentes com isso, mas que levaria uns dois ou três meses para repercutir nas prateleiras. Ou seja, para meter a mão no nosso bolso, há o milagre do efeito imediato. Para acontecer o contrário, bom, aí é um processo lento, que talvez nem aconteça. Foi o caso do café. Segue caro.

Não é fácil essa política nefasta contra o consumidor no país. Fora o que os economistas chamam de “reduflação”, ou seja, os caras te cobram o mesmo preço e diminuem o produto. O que tinha um litro, virou 900ml, o papel higiênico não passa dos 20 metros, e por aí vai. A barra de chocolate, então, é um escândalo. Agora inventaram a barra gigante, caríssima, que nada mais é que a barra normal em seu peso original, antes de começarem a todo ano tirar gramas e gramas do peso total.

Aí alguém dirá que é culpa do governo. Claro, nenhum governo até hoje, de direita ou de esquerda ou de centro, conseguiu controlar o mercado da especulação mais desonesta. Mas desgovernos, é certo, conseguem piorar ainda mais o quadro, quando não sabem o que fazer em situações de crise, como já vimos. Enquanto isso, o povo segue pagando caro por tudo, pagando impostos demais, ganhando pouco ou quase nada e, o pior, acreditando em mentiras absurdas. Aí é difícil mudar alguma coisa.

 

 

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