Taxista, dono da rodoviária e gremista fanático Arquivo/FN

Pedro Heitor Piovesan foi um dos mais destacados caienses, principalmente nas décadas de 50 a 80 do século passado.

Ele era filho de Pedro Piovesan, que foi o fundador da Estação Rodoviária da cidade.

Com a decadência da navegação fluvial, o uso do ônibus cresceu e a Estação Rodoviária tornou-se o ponto mais movimentado da cidade. Ainda mais que, naquele tempo, poucas pessoas possuíam automóveis.

Pedro Piovesan, que possuía também uma frota de quatro táxis, tornou-se um homem importante na cidade. Mas ele adoeceu ainda jovem. Chegou a ser levado a São Paulo em busca de maiores recursos, mas faleceu em 1953.

Seus filhos foram Valdemar, Alzir, Vanda, Pedro Heitor e Pérsio tiveram boa educação. Pedro Heitor e Pérsio estudaram no Colégio São Jacó, dos irmãos maristas, em Novo Hamburgo. Bons de bola, eles fugiam do internato para jogar no time do Floriano, o principal daquela cidade. Os dois rapazes também trabalhavam no bar da rodoviária e como motoristas dos táxis do pai. Quando este adoeceu, coube a Pedro Heitor cuidar da Estação Rodoviária. O que incluía o bar, lancheria e restaurante anexo.

Pedro Heitor casou com Anna Santos Borges, que o ajudou no restaurante e destacou-se também como a cabeleireira das senhoras mais elegantes da cidade.

O casal teve quatro filhos: Leatrice, Pedro Heitor, Carlos André e Leila.

Pedro Heitor foi figura de grande destaque na sociedade caiense. Foi o festeiro da Festa da Igreja Evangélica de 1958, que era um grande evento realizado no antigo Tênis Clube (em frente à fábrica Oderich). Foi também presidente do Clube Aliança.

Ele jogava futebol de salão com um grupo de amigos (Bernardo Tukenitch, Roberto Trein, Cali Blauth, Jaime Blauth, Carmelo Cañas e outros). Sem ter onde praticar o esporte, eles iam até a Porto Alegre para utilizar uma quadra. Até que Pedro Heitor lembrou a eles que havia uma quadra abandonada no Caí, junto à extinta fábrica de extrato de tomate. Os amigos se mobilizaram para reativar a quadra e daí surgiu o Country Clube, que ainda hoje funciona no prédio abandonado da mal sucedida indústria.

Pedro Heitor Piovesan era um gremista fanático e, na década de 60, depois de uma grande conquista do clube, desfilou pela cidade com uma roupa de Papai Noel azul, tocando um sino. Era grande amigo do Padre Edvino Puhl, que era colorado e costumava ir ao bar da rodoviária, onde os dois batiam grandes papos.

Extremamente generoso, ele costumava oferecer lanches e pagar passagens para pessoas pobres. Ajudava até quem não precisava e não merecia. Mas não se importava. Dizia que ajudar os outros lhe dava prazer.

Ele trabalhou muito. Mesmo quando já estava muito doente. Sofria de diabetes e, há 12 anos, foi necessário amputar suas duas pernas. Desde então viveu em casa, ajudando no que podia no trabalho de escritório, da rodoviária. Sua filha Leatrice passou a cuidar da Estação Rodoviária, com a ajuda do seu sobrinho Pedro.

Com o tempo Anna também adoeceu gravemente (teve Alzheimer) e Leatrice abandonou o trabalho na Rodoviária para cuidar exclusivamente dos pais. Em maio de 2008 morreu dona Anna e cinco meses depois, no dia 10 de outubro, faleceu Pedro Heitor, aos 78 anos.

 

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