Santos Fagundes, político petista, como assessor parlamentar do senador Paulo Paim, desenvolveu intenso trabalho em benefício das pessoas cegas

Aconteceu, na última sexta-feira uma solenidade muito significativa. No auditório da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), aconteceu a formatura da turma de Ciências Sociais.

O que mais chamou a atenção na cerimônia foi a formatura do caiense Santos Fagundes. Isto porque Santos é cego e foi o primeiro portador deste tipo de deficiência a formar-se naquela universidade.

O caso de Santos é uma história de superação. Ele tem 47 anos e nasceu no Campestre da Conceição, numa humilde família de agricultores. Naquela época, a probabilidade de um garoto como ele vir a se formar numa universidade era muito pequena. Para piorar a sua situação, quando ele já frequentava a escola primária, começou a sofrer de uma grave e incurável doença chamada retinose pigmentar. Foi levado a um médico especialista e soube que ficaria cego.

Devido a isto, foi afastado da escola. Pelos conceitos da época, um cego na sala de aula atrapalharia o estudo do restante da turma.

Mas Santos não se entregou. Como não podia estudar, passou a trabalhar, mesmo não tendo ainda idade para isto. Tornou-se um ótimo chapeador de automóveis, sendo muito procurado pelos clientes, mesmo quando estava quase totalmente cego. Enquanto pode, ele continuou o seu trabalho servindo-se do olfato, do tato e da audição. Por fim, abriu uma loja de tintas automotivas.

Autodidata

Neste período, como não podia ler, desenvolveu sua cultura ouvindo os bons programas transmitidos, naquela época, pela rádio Guaíba.

Já adulto descobriu o Centro Louis Braille, em Porto Alegre, onde aprendeu a ler e escrever na linguagem dos cegos e, também, teve aulas de acessibilidade, que lhe deram condições de caminhar sozinho pelas movimentadas ruas de Porto Alegre.

Assim, não se acomodando, correndo atrás, seguiu o caminho do seu crescimento pessoal, que permitiu a Santos chegar até à universidade.

Hoje, Santos é uma pessoa de grande sucesso. Ele é chefe de gabinete do senador Paulo Paim e coordenou a participação do senador na criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Tarefa que levou Santos a percorrer todos os estados brasileiros, debatendo a questão e recolhendo sugestões.

Santos é um dos maiores nomes brasileiros na questão das relações sociais, no que diz respeito às diferenças. Ele influi no modo como os brasileiros estão enfrentando os problemas de relacionamento entre pessoas diferentes. O que inclui o cego, o surdo, o idoso, a criança, o pobre, o rico, o negro, o branco, o homossexual, o heterossexual.

Enfim, todas as pessoas são diferentes de alguma forma e é preciso que a sociedade aprenda a lidar com isto. Trabalho no qual o caiense Santos Fagundes desenvolve um papel fundamental.

O seu trabalho de conclusão, no curso de Ciências Sociais, trata do assunto das diferenças e foi aprovado com nota máxima.

Quem diria que o menino pobre nascido no Campestre da Campestre da Conceição chegaria tão longe?

E mais: será que a sua trajetória de vida seria assim tão extraordinária e admirável se ele não houvesse ficado cego?

  • Matéria publicada no Fato Novo em novembro de 2009

 

 

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