Nos dias de hoje, qualquer um responderia que esta é a denominação dada aos torcedores do Sport Club Internacional de Porto Alegre. Mas há cem anos, quando surgiu este clube e seus primeiros torcedores, a palavra tinha um outro significado. Colorado queria dizer escuro, ou negro. Por isto, alguns rios e arroios receberam o nome de colorado. Eram rios de águas turvas, ou seja, escuras devido à presença de terra escura carregada pela correnteza. Existe no Rio Grande do Sul, inclusive, um Rio Colorado, na região de Não Me Toque. E a razão deste nome está na sua água barrenta e escura.

Por isso, até as primeiras décadas do século XX, pessoas negras (ou “de cor”, como se costumava dizer) eram chamadas de coloradas.

Este significado da palavra aparece claramente num trecho das memórias do padre Theodor Amstad em que ele se refere a uma louvável iniciativa do padre Klefer, vigário de São Sebastião do Cai:

“De forma idêntica à de todos os portos fluviais, existia também em São Sebastião uma acentuada população de gente de cor, sendo ela descendente, em boa parte, das famílias de marinheiros e operários das docas.

Houve então a coincidência precisa de celebrar-se, em 1888, a canonização do “Apóstolo dos Negros” ou de São Pedro Claver, SJ. Em seu zelo ardente de almas, o padre Klefer mandou confeccionar um belo e vistoso quadro daquele Santo, apresentando-se este na posição e hora de conferir o batismo a um preto.

Ao mesmo tempo, fundou o padre Klefer uma “Irmandade de São Pedro Claver”, destinando-a aos representantes da população colorada, que se reunia todos os últimos domingos do mês, depois da missa, diante da imagem do seu padroeiro. Em setembro daquele ano celebrou-se a festa do orago dos negros com procissão solene, sendo carregada por eles a imagem de São Claver num andor.

Tudo isso contribuiu para que o fervor religioso da gentinha de cor se revitalizasse, não demorando muito que, todos os domingos, a parte de trás da igreja fosse ocupada por negros, em torno do quadro de São Pedro Claver”

”Gentinha”

O uso da expressão “gentinha” para designar o povo negro da vila pode parecer algo preconceituoso e discriminatório. Porém, analisando o contexto, não é difícil perceber que – na verdade – o padre Klafer (e Amstad) demonstrava amor cristão por aquela gente. Os negros, que na época saíam da escravidão, eram pessoas extremamente carentes, incultas e dependentes de amparo. A palavra ‘gentinha’, utilizada por Amstad deve ser entendida como uma palavra carinhosa, equivalente à expressão “gente humilde” e não tem conotação pejorativa.

Louve-se aqui a coragem do padre Rabuske em fazer uma tradução exata das palavras de Amstad, sem medo de que esta tradução fosse usada para lançar acusações de racismo ou discriminação contra o autor. Rabuske, certamente, fez isto porque sabia que Amstad, pelo grande homem que foi, estava acima de tais suspeitas.

 

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