A torre da igreja de São Sebastião foi construída em 1887, com 34 metros de altura Arquivo/FN

Conta o Padre Amstad que, embora a paróquia de São Sebastião do Caí tenha sido criada em 1873 e em 1875 já havia sido criado até mesmo o município de São Sebastião do Caí, foi somente em 1881 que a paróquia, e a cidade, passou a contar com o seu primeiro padre.

E assim como não tinha padre, a vila de São Sebastião do Caí, embora sede municipal, não tinha uma igreja. Pode se ter uma ideia, portanto, do quanto era precária a situação da povoação naquela época. Não passava, de certo, de um punhado de casas espalhadas esparsamente pela área que hoje corresponde à cidade.

O primeiro padre foi o jesuíta Carlos Blees, tendo o padre Miguel Kellner como seu ajudante (coadjutor).

Três anos depois da sua chegada ao Caí, o padre Blees conseguiu a sua transferência para Feliz, que era conhecida então como Santo Inácio da Feliz ou, em alemão, como Batatenberg (Morro das Batatas). A capela de Santo Inácio não ficava próxima ao rio, como acontece atualmente na cidade de Feliz. Ela foi construída no alto do Morro das Batatas, a grande montanha aos pés da qual a atual cidade de feliz se espraia, subindo pelo início da sua encosta. A capela para a qual o padre Blees se transferiu existe ainda e fica a vários quilômetros do centro atual centro de Feliz.

Naquela época a vila de Feliz era incomparavelmente menor e menos equipada que a atual cidade, mas era – provavelmente – maior do que a nascente vila de São Sebastião do Caí. Já tinha, pelo menos, uma igreja e, por certo, uma casa canônica.

Quanto ao padre Miguel Kellner, o coadjutor, seu destino foi cruel. No dia 2 de janeiro de 1883 ele morreu afogado quando tentava cruzar o rio Caí num passo situado entre as atuais localidades de Escadinhas e Bela Vista. Existe uma cruz no local, mostrando onde ocorreu o acidente.

O segundo padre vigário do Caí foi outro jesuíta vindo da Europa: o padre Carlos Teschauer. Este era um homem extremamente culto. Mais tarde tornou-se um grande historiador. Talvez o maior que o Rio Grande do Sul já teve.

E foi, também, um bom pároco. Durante os anos que permaneceu no Caí, ele conseguiu mudar a fisionomia da paróquia. Teschauer teve, como padre coadjutor, o também jesuíta Aloísio Keller. Também um homem muito culto, como é normal ocorrer com os padres jesuítas. Mas ficou por pouco tempo no Caí, sendo chamado para missões mais elevadas. Mais tarde foi professor no Seminário Madre de Deus, em Porto Alegre.

Quem veio ocupar o posto de coadjutor, no lugar do padre Keller, foi o padre Augusto Brinkmann, outro talentoso jesuíta que pouco depois deixou o Caí, chamado a atuar como professor do Colégio Conceição, em São Leopoldo. Escola dos padres jesuítas que veio a ser considerada a melhor do estado. E foi o padre Theodor Amstad que veio substituí-lo. Este, também jesuíta, compensou a falta de permanência dos seus antecessores e ficou 12 anos no Caí, como coadjutor, poupando o padre vigário do dever de incursionar pelas capelas do interior.

Voltando ao Padre Carlos Teschauer, segundo vigário de São Sebastião do Caí. Ele atuou como vigário por cinco anos, até 1888 e, quando deixou a paróquia, a igreja já havia assumido outros ares. Em 1887 foi construída a torre da igreja, com 34 metros de altura, que passou a ser admirada como a construção mais arrojada da região. E o padre Teschauer também criou, em 1885, a escola paroquial, que logo conquistou reputação na cidade e arredores pela qualidade do seu ensino. Esta escola evoluiu para um seminário, o primeiro dos jesuítas no Rio Grande do Sul, que começou ali e depois foi transferido para o Pareci Novo.

Depois de Carlos Teschauer, o padre que veio assumir a paróquia foi Estevão Kiefer. Mais um jesuíta, como todos os párocos caienses até meados do século XX.

O padre Estevão, que permaneceu na paróquia por vinte anos, de 1888 a 1908, era muito bondoso e estimado. Entre os seus feitos mais destacados esteve a atenção que dedicou à população negra da cidade, criando a Irmandade de São Pedro Claver, que reunia os católicos negros, dando-lhes atenção e o apoio que necessitavam no momento em que estavam começando suas vidas de homens livres. Esta foi uma iniciativa pioneira e arrojada para a época.

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