O nome do bispo serviu para batizar a cidade Arquivo/FN

Alceu Masson, na sua monografia Caí, explica da seguinte forma a origem do nome São Sebastião do Caí. Assunto que foi mais aprofundado, posteriormente, pelo Monsenhor Ruben Neiss e pelo padre Artur Rabuske.

“Entre os primeiros habitantes do lugar onde hoje se acha a sede do município de Caí, contava-se Antônio José da Silva Guimarães, tronco da tradicional família ramificada em todo o Brasil. Por volta do ano de 1850, Antônio Guimarães adquiriu grande porção de terras no local, tornando-se um dos maiores proprietários da região. Nessas terras, situadas à margem esquerda do rio Caí, havia um embarcadouro que os moradores do lugar chamavam “Porto do Mateus” por ser este o nome do primeiro proprietário, e que passaram a denominar “Porto do Guimarães” depois que as referidas terras foram vendidas a Antônio Guimarães. E assim, por consenso unânime e espontaneamente, deram-se os primeiros nomes à localidade que mais tarde viria a ser a sede do município.

Com o decorrer dos anos, Antônio Guimarães abriu no lugar uma casa de negócio. Posteriormente, um irmão seu, de nome Quirino, também se estabeleceu com casa de negócio na localidade.

Por esse tempo foi transferida para o Porto do Guimarães, já bastante desenvolvido, a sede da freguesia de São José do Hortêncio. Cogitou-se, por isto, de construir na nova sede paroquial a matriz da freguesia. Antônio Guimarães doou à paróquia, para esse fim, alguns terrenos no melhor ponto da localidade, e uma praça que depois se tornou propriedade do município. Queria o doador que se escolhesse a Santo Antônio para padroeiro da igreja. É intuitiva a razão de sua exigência. Chamando-se ele Antônio, tinha naturalmente, particular devoção ao popularíssimo taumaturgo português que até aos peixes pregava, e a quem certo escritor chamou acertadamente: “O Santo de Todos”.

Entretanto, Quintino Guimarães, que também gozava de algum prestígio no lugar, entendia que deviam escolher a São Bernardo para orago da igreja, em homenagem a Bernardo Mateus, sesmeiro da localidade.

“Solução sebastiânica”

A interferência do bispo Dom Sebastião Laranjeiras foi necessária para decidir qual seria o santo padroeiro da igreja da localidade de Porto do Guimarães, conforme narra Alceu Masson:

“O assunto foi submetido ao julgamento do insigne e venerando bispo Dom Sebastião Laranjeira, e este prometeu uma visita no Porto do Guimarães, para resolver “in loco” a questão.

Pouco tempo depois, sua excelência reverendíssima fez a visita prometida.

Para não desgostar nem os partidários de Santo Antônio nem os de São Bernardo, o distinto prelado, valendo-se do recurso conciliatório, decidiu que fosse São Sebastião o patrono da igreja. Concordaram todos com a inteligente resolução. Em primeiro lugar, ela não dava ganho de causa nem a uns nem a outros; em segundo lugar, tendo o senhor bispo o mesmo nome do padroeiro escolhido, seria falta de delicadeza mostrar-se descontente com a escolha.

Dom Sebastião Laranjeira – diga-se de passagem – mostrou nessa ocasião, que se não tivesse preferido o sacerdócio, bem poderia ter optado pela carreira diplomática, na qual certamente alcançaria não poucos triunfos.

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