Adiado o julgamento dos acusados do assassinato da pastora Marta

Três réus devem ir a júri pela morte da pastora evangélica Marta Kunzler (foto). Acusado de ser o mandante, seu marido morreu quando estava preso - Reprodução/FN

Estava previsto para hoje, quinta-feira, dia 16, a partir das 9h30 da manhã, no Fórum de Montenegro, o júri popular de três acusados de um crime de grande repercussão no município e na região. Em 14 de junho de 2017 a pastora evangélica Marta Kunzler foi assassinada em sua casa, no bairro São Paulo, na Grande Timbaúva. Ela foi morta a golpes de faca e estrangulada com uma gravata masculina, num crime bárbaro quando voltava de um culto na Igreja do Evangelho Quadrangular, no centro, onde comemorou os seus 63 anos.

Um dos acusados de envolvimento foi o seu esposo. Ele era acusado de ser o mandante do crime. Mas Adair Bento da Silva morreu quando estava preso. Ele faleceu em 17 de outubro de 2018, aos 39 anos, em Charqueadas, onde estava internado no hospital. A causa da morte foi insuficiência respiratória devido à tuberculose.

Outros três acusados, que se encontram presos, seriam julgados hoje. Entretanto, a defesa pediu o adiamento. Conforme a promotora de justiça Daniela Tavares da Silva Tobaldini, no final da tarde de ontem, quarta-feira, o Ministério Público foi comunicado da transferência. A Defensoria Pública teria alegado colidência de defesas dos três réus, por considerar que as teses poderiam ser contraditórias. E com isso deve ser marcada uma nova data pela juíza Deise Fabiana Lange Vicente. “Eu e a doutora Rafaela Hias Moreira Huergo estávamos a duas semanas nos preparando para o júri. Sabíamos da necessidade de resposta a esse crime brutal”, destaca a promotora Daniela, que atua na acusação e que foi surpreendida com o adiamento do julgamento. “É o mais complexo caso com que me deparei nesses 21 anos de Ministério Público”, completa.

Pastora foi assassinada em sua casa, no bairro São Paulo
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Os réus são Rodrigo Nunes da Silva, que na época seria amante da Adair, mais os comparsas Igor de Azeredo Gomes e Juliano Jackson da Silva Gomes, que conforme a acusação teriam sido contratados para matar a pastora. O Ministério Público entende que praticaram homicídio quintuplamente qualificado, por motivo torpe, mediante pagamento e promessa de recompensa, em crime executado de forma cruel, por asfixia, e utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, foi enquadrado por feminicídio.

Conforme apurou a Polícia, Adair teria prometido que pagaria a Igor e Juliano, que são primos, a quantia de mil reais, mas acabou pagando só cem reais, para cometerem o crime porque a pastora não concordava com a separação proposta por ele. Ele teria ficado sabendo que, caso a separação se consumasse, sua parte do patrimônio do casal seria pequena. Eles eram casados havia 18 anos. Já Rodrigo é acusado de dirigir o carro da pastora para a fuga de Igor e Juliano. O carro depois foi abandonado em Passo da Amora, no interior do município. Adair, segundo a acusação, teria simulado que a esposa havia sido vítima de assalto. Ele estava na casa com uma menina de 2 anos, filha do amante e que já morava há um ano com a pastora, a qual pretendia adotá-la. Para a Polícia, o marido queria ficar com os bens e pensão da pastora, juntamente com o amante. Adair, entretanto, negava envolvimento no crime, mas Rodrigo confessou.

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