O padre Theodor Amstad chegou ao Brasil em 1885 e, depois disto, manteve estreito contato com as regiões do Vale do Caí e do Vale do Sinos. Foi sacerdote no Caí por 22 anos. Primeiro como auxiliar e, depois, como pároco (de 1918 a 1920). Reprodução/Internet

O padre Theodor Amstad era suíço. Nasceu em 9 de novembro de 1851, na cidade de Beckenried, junto ao Lago dos Quatro Cantões. Ordenou-se padre jesuíta na Inglaterra, em 1883. Depois de breve permanência em Porto Alegre, onde dedicou-se com afinco ao estudo do idioma português, foi encaminhado depois a São Leopoldo. Jovem ainda, Amstad era destinado, pelos padres mais idosos, para o atendimento às capelas do interior e, especialmente, à assistência a pessoas doentes, que precisavam ser visitadas em casa. Uma tarefa difícil, pois era feita a cavalo através de caminhos muito precários e perigosos. Sua primeira missão foi ir a Dois Irmãos (Baumschneis) onde proferiu sermão em honra ao padroeiro da igreja local: São Miguel. Lá ele permaneceu vários dias, visitando doentes e até oficiando um casamento.

No outro final de semana, Theodor foi mandado para Hamburgerberg (atual Hamburgo Velho, um bairro da cidade de Novo Hamburgo, que pertencia à paróquia de São Leopoldo) para rezar a missa.

Em linha reta, a distância da casa dos jesuítas em São Leopoldo até a igreja de Hamburgo Velho, é de apenas 10 quilômetros. Mas, em 1885, fazer este percurso representava uma longa e difícil jornada. Vejamos como Amstad descreve este episódio, nas suas anotações biográficas.

“Para essa cavalgada, que tive de fazer curiosamente sozinho, ou seja, sem companheiro nem sócio, deram-me uma velha mula, portadora do significativo nome de Diana.”

Na ida, até que foi bem.

“É que meu orelha comprida, saindo de casa, costumava avançar num trotezinho vagaroso; mas reter a Diana, ao tratar-se da volta, era coisa difícil e teve as consequências que passo a relatar:

– Primeiro perdi o estribo, depois comecei a cambalear e, por fim ocorreu aquele estrondo de queda na areia! Minha Diana admirou-se não pouco à vista disso… Ficou parada e passou a contemplar-me, provavelmente com pena. Eu, porém, tornei a trepar no lombo de minha cavalgadura; mas foi para renovar, depois de certo trecho de caminho, experiência anterior, que ainda se repetiu por bem quatro vezes num trecho não superior a meia-hora. Minha sorte foi a de que aquilo fosse um caminho arenoso, e assim o cavaleiro inseguro apenas colheu insignificantes danos em todas as suas quedas.”

Amstad, que depois veio a tornar-se um extraordinário cavaleiro, naquela ocasião ainda sofria os problemas provenientes da inexperiência. Vê-se, por este relato, como era perigoso cavalgar naquela época. Principalmente nas travessias de rios e nos caminhos por terreno pedregoso.

Nesta mesma época, Amstad enfrentou – certa vez – grande dificuldade para fazer a “viagem” entre Ivoti e Novo Hamburgo. Locais que distam apenas 8,5 quilômetros, em linha reta. Seu relato:

“Voltando a São Leopoldo, nova experiência me surpreendeu. É que, por breve que se apresentasse o trecho de caminho de Bom Jardim até a estação ferroviária de “Neu-Hamburg” ou Novo Hamburgo, devido às chuvas fiquei preso numa casa por dois dias.

Amstad refere-se a Azevedo e a Bom Jardim

Nas suas anotações biográficas (escritas por volta de 1935) ele refere-se a uma viagem que fez à localidade de Bom Jardim, nos seguintes termos.

“Para os dias de Todos os Santos e Finados, mandaram-me de São Leopoldo a Bom Jardim, aliás São Pedro do Bom Jardim, hoje Ivoti.” Esta observação reforça a tese de que existiram duas localidades próximas, com nomes semelhantes. A de Bom Jardim (situada entre Lindolfo Collor e o Campestre da Conceição), chamada simplesmente de Bom Jardim. A outra, chamada de São Pedro de Bom Jardim, que depois veio a ter o seu nome modificado para Ivoti.

Também nas suas anotações (feitas pelo ano de 1935, repita-se) Amstad refere-se às paróquias que atendia quando padre auxiliar em São Sebastião do Caí. Entre elas, cita “Sant’Ana do Rio dos Sinos, hoje Azevedo”. Isto sugere que, no fim do século XIX e início do século XX, a atual cidade de Capela de Santana era ainda conhecida como Santana do Rio dos Sinos e que, em 1935 este nome havia mudado para Azevedo. Parece que, ao contrário do que poderia se pensar, Azevedo não era apenas o nome do atual bairro Estação, onde foi construída a estação da estrada de ferro que recebeu o nome de Estação Azevedo. Também a vila que hoje é a sede do município de Capela era chamada de Azevedo.

Para tornar a situação mais confusa, Alceu Masson, autor da monografia Caí, utilizou termos diferentes para denominar tanto a vila, que chamou simplesmente de Capela, quanto o atual bairro Estação, que chamou de Estação Capela.

Estas confusões sempre existiram devido às diferenças entre os nomes oficiais e os populares. O nome Sant’Ana do Rio dos Sinos é a denominação oficial dada pela igreja à paróquia. Mas a população sempre preferiu o nome Capela de Santana, que acabou prevalecendo.

Por outro lado, o governo do Rio Grande do Sul, tinha um certo desentendimento com a igreja e, em certa época, resolveu cortar os nomes de santos. São Sebastião do Caí, por exemplo, passou a chamar-se apenas Caí. E, da mesma forma, Capela de Santana deve ter sido dessantificado para Capela.

O assunto merece um bom capítulo para o próximo livro do professor Laerte Oliveira, que é autor de três livros sobre Capela de Santana. Maior autoridade sobre a história do município.

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