Viajando em lombo de mula, o padre Amstad percorria o Vale do Cai inteiro, visitando as pequenas localidades do interior Reprodução/FN

Padre Theodor Amstad era bom de cálculos. Conforme os seus registros, no período de 12 anos em que atuou na paróquia de São Sebastião do Caí, como padre coadjutor, ele percorria 5.000 quilômetros por ano nas suas viagens pelo interior, visitando famílias, dando assistência a doentes, ensinando crianças para a comunhão, rezando missas….

Toda esta quilometragem ele fazia andando em lombo de burro. A velocidade média desenvolvida pela sua “viatura” era de 7 quilômetros por hora, nos caminhos ruins e escarpados que haviam naquela época. Num ano ele passava, portanto, mais do que 700 horas (quase um mês) sobre a sela do seu burro.

Até o final do século XIX havia muita carência de padres no Rio Grande do Sul. Devido às dificuldades de locomoção, às grandes distâncias a serem percorridas e à falta de padres para atender as colônias (principalmente de padres que soubessem falar alemão), quando o padre chegava a uma localidade toda a vida local era alterada. Havia uma máxima segundo a qual “Se o padre visita as capelas, as Picadas têm feriado.”

Mas quando um colono ficava gravemente enfermo, correndo risco de morrer, era necessário avisar o padre, para que ele viesse lhe ministrar o sacramento de extrema unção. A benção dada pelo padre a uma pessoa que está “a ponto de morrer”. Por isso Amstad, em cada localidade que passava, deixava uma cópia do seu roteiro de viagem. Para que os familiares de algum enfermo grave o pudessem encontrar, no caso da necessidade extrema.

Nomes antigos

Lendo-se os escritos de Amstad, tomamos conhecimento de como eram chamadas ceras localidades do Vale do Caí no final do século XIX.

Escadinhas, atualmente um bairro da cidade de Feliz, era chamada então de São Luiz das Escadinhas. A atual Picada Cará, também nos arredores de Feliz, era conhecida por São Miguel do Cará. Mas, em alemão chamava-se Tabakstal. Cará, a propósito, é o nome do arroio existente no local e o nome de uma espécie de peixe que, de certo, era abundante naquele riacho.

A atual localidade de São Roque, no interior de Feliz, chamava-se Bhnental, Vale do Feijão ou Vale dos Bohn. E havia uma outra localidade próxima de São Roque que o povo da época chamava de Kleepikade ou Picada do Feno. E a localidade de Coqueiral, próxima a Feliz, era conhecida na época como Palmental ou Picada dos Jerivás.

Em Nova Petrópolis, já pelo ano de 1897, já haviam 12 lugarejos providos de capelinhas nas quais o padre Amstad podia rezar missas: seis do lado direito do rio (Sebastopol, São Braz, Pimentel, Faria Lemos, São Maximiliano e Sertório) e outras seis do lado esquerdo: São Lourenço, na atual Linha Imperial; Marcondes, Araripe, São Roque (ou São Roccho), Linha Italiana e Nova Renânia.

 

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