Jornalista Renato Klein, criador do Fato Novo, escreve seu último texto para a edição impressa Daniel Fuchs Klein/FN

O Fato Novo pode se orgulhar da sua trajetória de 40 anos. Surgiu ambiciosamente da cabeça de um jovem jornalista que buscava superar os complexos da população, que seguia parada no tempo.

O Caí havia sido um dos berços da colonização europeia no Rio Grande do Sul e o Jornal se via destinado a impulsionar a região. Para isso, resolveu se tornar uma mola propulsora desse progresso. Quem conhece o vale e acompanha o atual surto de desenvolvimento, pode se orgulhar da notável transformação ocorrida em cidades como Bom Princípio, Feliz, São Vendelino, Vale Real e Tupandi. Juntamente com a urbanização, vieram progressos notáveis que fizeram com que muitas vilas se tornassem municípios. Essas pequenas cidades transformaram-se em núcleos propulsores do desenvolvimento regional. Verdadeiros exemplos de progresso para todo o Brasil.

Da mesma forma que a região se modernizou e evoluiu, o Fato Novo também avançou. Durante toda a sua trajetória, o jornal procurou estar na vanguarda das inovações tecnológicas. Tudo começou com uma pesada máquina de escrever e uma câmera fotográfica Zenit. Passados 40 anos, o Fato Novo acompanhou o surgimento dos computadores pessoais que rapidamente aposentaram as velhas Olivettis e trouxeram agilidade ao ato de escrever. Revelar foto em demorados processos que envolviam produtos químicos também foi substituído pela instantaneidade da fotografia digital.

Tão importante quanto as mudanças nos equipamentos, que simplificaram e baratearam a produção do jornalismo, foi o surgimento da internet. Ela trouxe mais agilidade e mudou a forma de produzir e consumir notícias.

A VERDADEIRA REVOLUÇÃO

No entanto, nada foi tão revolucionário quanto o surgimento do smartphone. Ele surgiu como uma ferramenta portátil e de acesso instantâneo à internet. Existe o jornalismo antes e depois desses aparelhinhos. Para a população em geral, significou o acesso barato à informação que antes era restrito aos grandes computadores que ficavam instalados num canto da sala e que só eram acessados no final do dia para a leitura diária das notícias.
Contudo, para os jornais impressos ele surgiu como um desafio. Como concorrer com um aparelho que em poucos segundos traz cultura e informação infinita produzida em qualquer canto do planeta?

O primeiro e o último jornal impresso: 3.363 edições do Fato Novo
– Reprodução/FN

A verdade é que os jornais ainda tentam encontrar seu espaço em meio a essa transformação tecnológica. Todos investem cada vez mais na sua inserção no mundo digital, enquanto tentam preservar a relevância de seus impressos. Isso não é fácil. Muitos jornais não resistiram e optaram por encerrar suas atividades. Outros seguem apostando no papel, entendendo que ele ainda é a sua principal fonte de receitas. Por último, tem os que optam por encerrar a impressão e migrar definitivamente para o mundo digital.

CHEGOU A NOSSA VEZ

Nos orgulhamos dos 40 anos em que semanalmente, sem nunca faltar com nosso compromisso, imprimimos e entregamos o nosso jornal na casa de assinantes e leitores de todo o Vale do Caí. Há tempos questionamos a viabilidade de seguir com esse modelo tradicional de fazer jornalismo. Se não insistimos com as máquinas de escrever e nem com as máquinas fotográficas quando uma nova tecnologia se apresentou, por que agora vamos lutar contra uma realidade que cobra decisões difíceis?

Essas linhas que vocês leem agora, são as últimas escritas no papel. A partir de 2022 o Fato Novo segue no digital. Estamos seguros da nossa decisão? Estamos. Temos convicção de como será esse futuro? Nem um pouco. Mas esse é o caminho que nós resolvemos seguir. Mantemos o compromisso de informar e trabalhar pelo Vale do Caí. A tecnologia muda, nosso comprometimento não!

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