Crédito: Cleo Meurer/FN

As delegacias de Polícia da região têm registrado, nos últimos meses, crescimento dos casos de crimes cibernéticos. Entre os golpes mais comuns, destaque para as clonagens de contas no Whatsapp e a sextorsão (golpe do nudes), geralmente, alimentados por imprudência das vítimas.

Outros aspectos, conforme o delegado Paulo Ricardo Costa, titular da Delegacia de Salvador do Sul, têm contribuído para o aumento de ações criminosas do gênero, até mesmo a pandemia – que prejudicou a práticas de alguns crimes. O foco das ações policiais no combate a crimes contra a vida e o patrimônio e a sensação de impunidade para as ações praticadas na internet também são considerados para a onda de ataques virtuais.

Os usuários das redes sociais, por vezes, têm pecado na segurança de suas informações. É importante também que se tenha desconfiança quanto a solicitações de amizade de pessoas estranhas ao convívio”, assinala o delegado.

Nem mesmo autoridades da região têm escapado das ações criminosas. Alguns prefeitos foram vitimados, recentemente, durante supostas pesquisas do Ministério da Saúde relacionadas à Covid-19. “Os criminosos, muitas vezes, entram em contato se passando por funcionários de instituições com as quais as vítimas têm algum contato. Essas acabam, atendendo a pedidos dos golpistas, fornecendo os códigos de verificação do Whatsapp. A partir daí, têm acesso aos contatos e aplicam golpes financeiros com a solicitação de empréstimos emergenciais em nome da vítima”, explica Costa.

Para inibir esse tipo de ação, a recomendação é de que usuários do Whatsapp cadastrem senha para verificação em duas etapas, além de que jamais forneçam suas senhas a terceiros. Quando a pessoa cai no golpe, deve enviar e-mail informando a situação para [email protected], além de fazer um boletim de ocorrência.

Ação que tem lesado muitos homens, o golpe do nudes tem início, geralmente, a partir de solicitação de amizade vinda de perfil no Facebook com fotos de uma suposta e atraente jovem. Após essa ganhar a confiança da vítima, acaba ocorrendo a troca de fotos íntimas, o que abre caminho para que outros perfis – apresentando-se como parentes da jovem e até mesmo como agentes policiais – comecem a praticar ameaças e chantagens, exigindo valores para tratamento psiquiátrico da mesma e cobertura de danos, sob pena da divulgação das fotos do homem caso os pedidos não sejam atendidos. Em pelo menos dois casos registrados na DP salvadorense, os prejuízos foram superiores a R$ 60 mil.

O delegado também não escapou da ousadia dos criminosos. “Numa tarde, um senhor idoso de Montenegro veio nos procurar na delegacia para fazer um acordo que teria sido encaminhado por perfil com foto e nome meus. Os golpistas acabam pegando fotos nossas nas redes e as utilizando nas suas ações”, conta.

O policial alerta as vítimas de que sob hipótese alguma realizem qualquer transferência financeira. “É muito importante que as conversas e os dados dos contatos não sejam apagados, pois são importantes no trabalho de apuração da autoria das práticas criminosas. Sempre fica algum rastro no meio cibernético. Infelizmente, não é fácil reverter o prejuízo financeiro das vítimas”, assinala Paulo Costa. O golpe do nudes, em ocasiões diversas, é aplicado de dentro do sistema prisional, com os créditos sendo feitos em favor de familiares dos presidiários.

Perfis que desrespeitem as normas do Facebook podem ser denunciados através do link https://pt-br.facebook.com/help/1753719584844061/?helpref=hc_fnav. Esses casos também devem ser registrados junto à polícia. 

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