Casal procurou o vereador Paulo Azeredo e conseguiu reteste que apontou que cavalo não tinha a doença - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Um casal de produtores da localidade do Faxinal, no interior de Montenegro, relatou que desde janeiro até esta semana estava com sua propriedade interditada após um cavalo ter estado positivo para a doença do mormo.

Segundo Magali Jordana Koch e Regiano da Silveira, durante um exame de rotina para GTA (guia de trânsito animal), teria sido constatada a doença e a orientação era de que o cavalo, pelo qual tinham pago 9 mil reais, deveria ser sacrificado. “Fizemos carta solicitando reteste, para que fosse feito novo exame de sangue. Demorou uns três meses para a coleta”, lembra Magali. Como o animal não apresentava sintomas, também fizeram um exame particular, o qual dizem que deu negativo, mas afirmam que não era aceito pela Inspetoria Veterinária. E só na última semana citam que veio o resultado do reteste, apontando negativo para o mormo.

O casal de agricultores lamenta os prejuízos e transtornos causados pelos seis meses de propriedade sob interdição. “Não podíamos negociar os animais, nem usar em rodeios ou até encostar neles”, lembra Regiano, que ficou impossibilitado de participar de provas de tiro de laço e os momentos de tensão vividos neste período. Já Magali, que está grávida, espera que seja averiguado o quê de fato aconteceu e estuda uma ação judicial, alertando para que outros produtores tenham cautela antes de sacrificarem animais e sofram tantos prejuízos.

O mormo é uma zoonose infectocontagiosa causada por bactéria que acomete primeiro eqüinos como cavalos, burros e mulas, mas que pode ser eventualmente transmitida para outros animais e até para o ser humano através de contato. Entre os sintomas estão o corrimento viscoso nas narinas e presença de nódulos subcutâneos nas mucosas nasais, pulmões, pneumonia e outros sinais. Como a doença não tem tratamento, exige que caso tenha o diagnóstico, o animal seja sacrificado.

Casal procurou vereador

O casal de produtores procurou o vereador Paulo Azeredo (PDT), na Câmara Municipal. “É muito triste. Imagina se tivessem matado o cavalo que pagaram 9 mil reais? Tiveram a propriedade isolada, com doze terneiros que não puderam comercializar”, afirma. “Os animais não podiam sair da propriedade e os agricultores nem se aproximar deles”, completa.

O vereador diz que logo após ser procurado, entrou em contato com o Ministério da Agricultura em Brasília e com a Secretaria da Agricultura do Estado. “Pedimos uma contraprova, que só foi feita em 11 de junho e deu negativa. Ainda demorou mais um mês para liberarem a propriedade”, declara, questionando se outros produtores não passaram pela mesma situação, inclusive perdendo animais. Parabenizou o casal do Faxinal que lutou para que seu cavalo não fosse sacrificado e fosse feito um novo exame. “É um exemplo que levamos para audiência na Secretaria de Agricultura do Estado na quinta-feira”, declara.

Magali explicou que os testes nos animais são feitos de seis em seis meses, no caso do mormo e anemia, para poder transportar com GTA. “Ficamos assustados com o resultado do mormo. O animal sempre fez os exames e nunca esteve doente. Determinaram a interdição da propriedade e para já agendar o sacrifício do cavalo. Pedimos para saber como proceder para provar que o animal não estava doente. Mandamos carta para Brasília e solicitamos reteste. Só agora veio a desinterdição, mas não sabemos o quê aconteceu”, diz ela. “É uma vitória conseguir agora a liberação, mas foi triste para nós demorarem meio ano para resolver essa situação”, completa. “Não desistimos e procuramos ajuda. Conseguimos provar antes que nosso cavalo fosse sacrificado injustamente”, declara Regiano.

Manifestação do Estado

A reportagem fez contato com a Inspetoria Veterinária do Estado, em Montenegro, que repassou a mensagem para a Secretaria da Agricultura, Pecuária e de Desenvolvimento Rural (SEAPDR). Conforme Gustavo Diehl, do Programa Estadual de Sanidade Equina da Seapdr, “neste caso específico, as amostras foram encaminhadas para exame de perfil genético, para verificar se as amostras com resultado divergente são do mesmo animal ou não. Em outras oportunidades semelhantes, este exame do perfil genético acabou por confirmar que as amostras com resultados divergentes não eram do mesmo equino. Há total confiabilidade nos exames indicados para diagnóstico de mormo em todo o território nacional e em outros países. No momento aguardamos o resultado.”

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