Encontro ocorreu na UCS do Caí na manhã de quarta-feira e nos próximos dias deve ocorrer uma audiência pública - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Na manhã de quarta-feira, dia 23, prefeitos do Vale do Caí se reuniram no auditório do campus da UCS, em São Sebastião do Caí, para debater a concessão de rodovias estaduais e a instalação de novas praças de pedágio na região. O secretário extraordinário de parcerias do Estado, Leonardo Busatto, participou de forma online, fazendo uma apresentação do estudo.

Busatto fez uma exposição sobre os investimentos previstos com a concessão de rodovias. Citou que com os investimentos poderão ser construídas passarelas, viadutos, rotatórias e outras obras, além de oferecer serviços como de ambulância e guincho. “Vai ter melhor pavimentação, com estrutura e sinalização, evitando acidentes”, garantiu. Lembrou que em 9 anos a EGR duplicou apenas 7,2 quilômetros, enquanto que a concessão prevê duplicar 290 quilômetros em cinco anos, ou seja, 40 vezes mais. “A concessão vai reduzir acidentes, salvar vidas, gerar empregos e arrecadação”, justifica.

Prefeitos assistiram a apresentação dos investimentos prometidos e detalhes da concessão, mas se manifestaram contra os locais propostos para os pedágios
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Sobre a localização dos pedágios, que é o maior impasse na região, Leonardo Busatto explica que deve ser em local plano, afastado de trechos urbanos e distante pelo menos 50 quilômetros de outra praça. Já quanto as manifestações contrárias dos locais anunciados no quilômetro 22,5 da RS 122 na Bela Vista (Bom Princípio) e no KM 12,6 da RSC 287 na localidade de Muda Boi (Montenegro), o secretário disse que se estudam outras alternativas e pede sugestões dos prefeitos, lideranças e da população. No caso da RS 122, disse que tem a opção por um trecho de São Vendelino, mas aí teria alteração no valor da tarifa e ficaria mais próximo da praça de Farroupilha. Quanto ao pedágio de Montenegro, Busatto diz que se for inviável a instalação na RSC 287, pode ser retirado o trecho da concessão e a rodovia ficar sob administração do Daer, pois a EGR será extinta até o final do ano. Mas aí, segundo o secretário, a rodovia, que se encontra em condições precárias, ficaria sem investimentos.

Outra questão polêmica, que vem gerando questionamentos, é sobre o fim das isenções, que hoje ocorrem para moradores de Portão. “Não existe isenção em concessão em nenhum local do Brasil”, afirma. Explicou que poderão ser oferecidos descontos para usuários mais freqüentes, variando em 5% e 20%. Quanto ao valor das tarifas, disse que depende se é pista simples ou dupla, além da localização e abrangência do trecho. Conforme o projeto, o valor da tarifa na RS 122 deverá ser entre R$ 7,07 e R$ 9,43, e na RSC 287 entre R$ 5,22 e R$ 6,96.

Prefeitos contrários

Entre os presentes na reunião, os prefeitos Júlio Campani (Caí), Fábio Persch (Bom Princípio) e Gustavo Zanatta (Montenegro), se manifestaram contra os locais anunciados para os pedágios, entendendo que as praças vão gerar prejuízos e transtornos aos moradores. Também se manifestaram o prefeito de Portão, Kiko Hoff, que é o atual presidente da Associação dos Municípios do Vale do Caí (Amvarc); Sérgio Moraes (secretário da Amvarc), Alzir Bach (presidente do Corede), o prefeito de Feliz, Junior Freiberger; o vereador João Marcos Guará (Caí), o deputado Tiago Simon, o presidente da CDL do Caí, Rosano Goulart, entre outras lideranças.

O prefeito de Bom Princípio diz o pedágio preocupa toda a comunidade e a localização proposta pelo Estado, na RS 122, em Bela Vista, dividiria o município. “Manifesto minha contrariedade. Prejudicaria o nosso comércio e os moradores”, entende. Por outro lado, a privatização traria melhorias, como duplicação para a Serra, viaduto, passarelas, ambulância e guincho. “Temos que analisar onde impacta menos”, considera Fábio Persch.

Já o prefeito de Montenegro se posicionou contrário ao pedágio, lembrando que Montenegro já recebeu uma praça na BR 386. “Infelizmente pode vir goela abaixo”, teme. Independente da concessão, diz que não pretende esperar sete anos para a construção de rotatórias na RSC 287. “Temos que pensar na segurança das pessoas. Vamos tentar uma compensação do valor gasto nas rotatórias, como em infraestrutura”, declara. Também entende que o pedágio não deve ser instalado na localidade de Muda Boi, mas mais perto da BR 386, afetando menos moradores. Entretanto admite que a rodovia não pode ficar mais 30 anos sem melhorias e atualmente está em más condições. “Vamos conversar e chegar consenso, da forma que seja melhor para a comunidade”, conclui.

Por solicitação dos prefeitos, o secretário Leonardo Busatto se colocou à disposição para participar de audiência pública no Vale do Caí, quando o debate deve continuar, com mais esclarecimentos e buscar chegar num denominador comum. A população também já pode participar com questionamentos e sugestões através da consulta pública. Os interessados devem preencher o formulário de contribuições, que está disponível no site parcerias.rs.gov.br/rodovias.
O formulário preenchido deve ser encaminhado para o e-mail [email protected], destacando no campo “assunto” o bloco a que se referem às contribuições (bloco 3). A data limite para as contribuições é 18 de julho de 2021. As sugestões serão respondidas pelo corpo técnico do governo do Estado. Audiências públicas também estão previstas para julho.

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