Daiane Kich já mobilizou cerca de 150 voluntários brasileiros que vivem na Alemanha e preparam e distribuem marmitas para refugiados que chegam da Ucrânia - Reprodução/FN

Faz quase sete anos que Daiane Kich, a “Daia”, de 39 anos, natural da localidade de Matiel, em Pareci Novo, foi morar na Alemanha junto com o marido Werner Petry Moraes, 37 anos, que é de Porto Alegre. “Viemos para ter mais segurança e qualidade de vida. Amamos morar na Alemanha”, conta Daiane, que segue mantendo contatos com familiares e amigos no Pareci, São Sebastião do Caí e outras cidades. Lembra que em janeiro esteve no Pareci visitando parentes e amigos. O casal, que tem um filho de 3 anos, só não esperava iniciar um grande mutirão de solidariedade em benefício de refugiados que estão saindo da Ucrânia para fugir da invasão do Exército da Rússia.

Cozinha do apartamento de Diane recebe muitos voluntários para preparar as marmitas
– Reprodução/FN

Designer de moda e cozinheira, “Daia” decidiu aproveitar alguns itens que tinha na geladeira para fazer algumas marmitas e entregar para refugiados que chegam de trem na Estação Central de Berlim. E para isso teve o apoio do marido, que é engenheiro de software, além de um grande grupo de brasileiros que moram na capital alemã. “Fui um dia entregar algumas marmitas quentes para ucranianos que estavam chegando quando ficaram emocionados e perguntaram se a gente poderia trazer mais”, lembra. No início eram pouco mais de trinta “quentinhas”, com sopa de lentilha. Em menos de uma semana, a ação ganhou mais voluntários, numa grande corrente de solidariedade.

Daiane então resolveu pedir ajuda através das redes sociais, em grupos de amigos e vizinhos. “As pessoas começaram a fazer doações e divulgar”, recorda. A ação, que iniciou com ela e o marido, se multiplicou. “Hoje estamos com uma equipe de cerca de 150 voluntários brasileiros, de diversos Estados, todos super empenhados, porque é um trabalho bem pesado. Chegamos a ficar doze horas de pé produzindo refeições. É muito emocionante esse carinho todo”, comemora.

Depois marmitas são entregues para refugiados ucranianos que chegam de trem em Berlim
– Reprodução/FN

Até este domingo as marmitas eram produzidas na própria cozinha do apartamento de Daia, que recebia muitas pessoas, as quais nem conhecia, trabalhando das 7 horas da manhã às 21h30. Mas com o aumento na produção, a partir deste domingo passa para um espaço maior, numa cozinha industrial. “Com isso vamos poder produzir ainda mais marmitas. Até agora já entregamos mais de 4 mil marmitas”, informa Daiane. Ela diz que é feita toda uma organização, de escala de voluntários e logística, através de grupo de whatsapp. “Seguimos arrecadando doações, através de alimentos e dinheiro, e também recebendo orações e energia positivas, pois estão precisando muito”, afirma. Além de comida, o grupo tem feito doações de produtos de higiene pessoal, fraldas, kits infantis e outros materiais. Ao mesmo tempo em que é gratificante poder ajudar, Daiane diz que é muito triste ver toda esta situação, de pessoas fugindo de uma guerra sem saber o quê vai acontecer.

Os voluntários enfrentam temperaturas muito baixas do inverno europeu, que na última semana teve mínimas abaixo de zero, buscando ajudar os refugiados que chegam aos milhares. Muitas pessoas chegam só com a roupa do corpo, incluindo crianças e idosos, que deixaram suas casas e todos os pertences para trás, devido ao bombardeio russo. Tristes, cansados e com fome, após percorrerem longa viagem, encontram a solidariedade da equipe de voluntários.

Destaque na imprensa

O trabalho dos voluntários brasileiros já foi destaque em diversas reportagens, como da TV Record, CNN Brasil, Uol, jornal NH e outros veículos de comunicação do Brasil e do mundo. “É difícil ver as pessoas numa situação frágil, chegando só com uma sacolinha na mão”, contou Daiane, para a TV Record. Ela lembrou a cena de uma menina, de 8 ou 9 anos, que chegou sozinha. “Não sabemos a história da menina. Se os pais colocaram ela no trem para salvar ela ou se não tinha mais família”, lembrou, sem esconder as lágrimas de emoção. “É triste a situação, mas é muito legal a gente poder ajudar um pouco”, completa o marido, Werner Petry Moraes.

Na medida que chegam mais refugiados vindos da Ucrânia, aumenta também o voluntariado e o número de marmitas produzidas. A meta agora é chegar a 800 por dia. Foi escolhida a sopa de lentilha, segundo Daia, porque é nutritiva e rápida para fazer numa escala maior. “O que fazemos é pouco perto da quantidade de pessoas que estão chegando, mas pelo menos a gente consegue dar a algumas delas algo quentinho”, conclui Daiane Kich.

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