Reunião ocorreu na Câmara de Vereadores, discutindo atendimento na Secretaria da Saúde e no Hospital Montenegro - Crédito: Câmara de Vereadores
“Esta reunião não é uma caça às bruxas, mas precisamos encontrar uma solução para os diversos problemas na área da saúde na nossa cidade”. Com esta fala, o presidente do Legislativo Talis Ferreira iniciou o encontro, que nesta quinta-feira, dia 5, reuniu representantes da secretaria municipal da Saúde, Hospital Montenegro e parlamentares, para discutir a situação da saúde no município e, juntos, buscar soluções.
As preocupações dos legisladores vêm sendo enfatizadas há algum tempo. Mas nos últimos dias a situação nos atendimentos médicos, no município, ficou evidenciada com a morte do menino José Adão de Oliveira Cardoso. O que houve? Faltou atendimento? Por que a demora no transporte do menino? Estas foram algumas das questões levantadas pelos vereadores.
Foi tratado sobre o atendimento no Hospital Montenegro e na Secretaria Municipal da Saúde – Crédito: Câmara de Vereadores

De acordo com o secretário da Saúde Rodrigo Streb, a família procurou atendimento três vezes. “Nas duas primeiras consultas o menino não apresentava sinais de pneumonia. Apenas na terceira vez, em que esteve na Assistência, foi solicitado um raio-x e, aí sim, constatado que o pulmão da criança estava comprometido. A partir deste momento ele foi encaminhado ao Hospital Montenegro para a internação”, frisou Streb.
Com a internação de José também iniciou a corrida contra o tempo para conseguir uma UTI Pediátrica, que não tem em Montenegro. A vaga, que é conseguida pela Central de Regulação de Leitos do Estado, demorou para chegar. “Não podemos pegar um paciente e levar a revelia para outro hospital, ainda dependemos da central de regulação, que demorou muito para atender o nosso pedido”, salientou Jean Ernadorena diretor técnico do Hospital Montenegro. “Mas, tentamos de todas as formas”.
Os esforços também foram seguidos pela SMS. De acordo com Streb, foram feitos inúmeros pedidos ao SAMU para levar a criança para o hospital apontado pela regulação. “Nós abrimos um pedido de resposta direcionado ao SAMU para entender o porquê de não ter sido feito o deslocamento com mais agilidade, mas ainda não obtivemos retorno”. Já, na SMS, também está sendo aberta uma sindicância sobre o caso.
O menino precisava de uma UTI Pediátrica Móvel para a locomoção até Canoas. O veículo demorou algumas horas para chegar a Montenegro vindo da cidade de Torres. “A criança teve um pneumotórax. Não sei se tivesse ficado aqui, se teria conseguido se salvar. Mas, dentro das nossas capacidades técnicas, fizemos tudo o que poderíamos fazer e fomos além das nossas forças”, ressaltou Ernadorena.
Durante a reunião foi levantada a possibilidade de o HM ter uma UTI Pediátrica e Neonatal. Segundo Ernandorena, não é apenas material técnico, mas humano, que seria necessário para implantar estes leitos em Montenegro. E hoje há falta de profissionais qualificados para isso. “Não adianta termos UTI Pediátrica e Neo, se não temos quem faça os atendimentos que são bastante focados nestes pacientes. Um médico de UTI adulto faz atendimento diferente do que aquele que está na neo ou pediátrica”. Além disso, ele destacou que, por ser regulado pelo Estado, as UTIs na casa de saúde entrariam no sistema de regulação de leitos e, caso necessário, o Estado também poderia mandar bebês e crianças para Montenegro. Não seria de uso exclusivo da cidade.
Nos últimos dias mais dois casos, de internação neo e pediátrica surgiram e, de novo, os pacientes tiveram de esperar pela regulação de leitos do Estado. Em um dos casos a prefeitura fez o pagamento do transporte do paciente. No outro os pais entraram com solicitação na Defensoria Pública, que obrigou o Estado a comprar um leito neonatal.
A sugestão foi a de criação de uma conta, onde o município possa fazer depósitos mensais, observando as questões jurídicas, e em caso de urgência, como foi o caso do menino José, possa fazer a compra de um leito sem que se tenham tantos trâmites burocráticos a ser seguidos.
ESPERA POR CIRURGIAS ELETIVAS – Com demandas reprimidas de mais de três anos a situação das cirurgias eletivas também foram discutidas durante a reunião. Ao serem questionados sobre o porquê de muitas pessoas ainda estarem numa fila de espera, o diretor técnico do Hospital Montenegro, Jean Ernadorena, explicou que o HM tem uma cota, regulada pelo Estado, de 72 procedimentos mensais, para atender a população de 14 municípios. “Nosso contrato com o Estado não satisfaz a fila de espera que temos. Então, pacientes com maior gravidade passam pelo procedimento com maior agilidade”, destacou.
Ernadorena citou, como exemplo, cirurgias oncológicas, na área da ginecologia. “Quando a paciente descobre um nódulo, temos de correr para salvar a vida dela. Esta é uma doença que não se espera. Não que as demais esperam, mas para uma mulher cada dia perdido em um tratamento pode ser fatal”.
O HM tem três salas de cirurgias tanto para eletivas quanto para partos. No início de 2020 a direção iniciou os trâmites legais para fazer o bloco obstétrico e de parto natural. No entanto, com a pandemia, o processo parou. “Perdemos algumas emendas parlamentares porque não conseguimos seguir os prazos estabelecidos. Depois, com a reabertura pós pandemia, fizemos um novo contato com a empresa e o valor da obra em questão ficou além daquilo que imaginávamos”, frisou Carlos Batista, Diretor do HM. Se a Casa de Saúde conseguir tirar do papel este espaço cirúrgico os procedimentos eletivos tendem a subir de 72 para cerca de 300 ao mês.
LIGAM MAS NINGUÉM ATENDE – Outra situação que vem causando transtornos à população, e que foi abordada durante o encontro, são os atendimentos telefônicos para agendamentos de consulta. As pessoas fazem diversas ligações ao longo do dia e não conseguem atendimento. “É um absurdo tu ligar e não ser atendido. Tenho o relato de um amigo, que tentou atendimento por telefone e não conseguiu. Foi, presencialmente, na Assistência e de lá mesmo fez um texto. Ligou algumas vezes para o telefone e a pessoa que deveria atender, tirava o telefone do gancho e não atendia”, comentou o vereador Ari Müller (PP), que participou da reunião.
De acordo com Camila Anversa, coordenação dos ESF’s, a secretaria da Saúde está com alguns problemas com a empresa terceirizada que realiza o atendimento telefônico no posto central, na Assistência. “Nós já notificamos a empresa que presta este serviço para nós. E, por incrível que pareça, demoraram a nos atender também. Tentamos e-mail, telefone. Quando um funcionário deles falta, a substituição deveria ser feita pela empresa, mas hoje somos nós que manejamos pessoal para que a população não fique sem atendimento”, destacou.
Com queixas de todos os lados da população e dos vereadores, que também ligam para lá e não são atendidos, a SMS protocolou um pedido de reunião com a empresa para resolver esta situação. Sobre as notificações, o secretário Rodrigo salienta que, enquanto as notificações estiverem em vigência, ou seja, enquanto elas não forem esgotadas, a SMS não pode rescindir o contrato.
Entre as soluções, que estão sendo buscadas pela SMS está o aumento de linhas telefônicas e uma central de agendamento digital com marcação de consultas. “As consultas serão marcadas em até 30 dias por este canal. No entanto é importante salientar e deixar bem claro, que os casos com urgências serão atendidos sem estas marcações”, destacou Camila. A SMS também está fazendo um reforço médico. Médicos com 20 horas passam a ter 40 horas para atendimento à população.

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