Mudança deve ser concluída nesta quinta-feira com a ida de 33 famílias para a área do antigo CTML - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Iniciou hoje, quinta-feira, dia 7, a desmontagem das casas de madeira e barracas dos índios no assentamento situado no bairro Centenário, em Montenegro. Conforme o cacique Eliseu Claudino, o trabalho deverá continuar até amanhã, quinta-feira, com as famílias sendo todas removidas para a área do antigo Centro de Treinamento da Mecanização da Lavoura (CTML) da Capela, que é de propriedade do Governo do Estado. “Temos pouco espaço em Montenegro. Queremos construir escola e posto de saúde indígena. Em Capela espaço é maior”, alega o cacique. Além disso, lembrou a pressão dos moradores vizinhos da aldeia, junto ao prefeito, vereadores e Funai (Fundação Nacional do Índio), para que deixassem o local. “Queriam levar nós para aldeia demarcada. Isso nós não aceitamos”, completou, sobre a possibilidade de retornarem para as reservas indígenas em Nonoai, Guarita e Tenente Portela.

Índios pretendem desenvolver novos projetos na área de 96 hectares do antigo CTML da Capela
– Reprodução/FN

Na área do antigo CTML tem a estrutura de um antigo colégio agrícola, aonde chegou a funcionar também a Escola Estadual Almeida Ramos, mas faz oito anos que local está abandonado. “Estamos montando projeto para escola indígena, com a reforma do colégio. E algumas casas que estão abandonadas fazem 25 anos serão reformadas para moradias”, diz Eliseu. Ele cita que a mudança já começou na última segunda-feira, devendo se transferir todos os 148 indígenas. “Ainda não temos água e luz. Isso estamos vendo com a Sesai (Secretaria Especial de saúde indígena)”, diz. Ele informa que provisoriamente conseguiram puxar a água de uma propriedade vizinha, que cedeu o fornecimento. Eliseu diz que o prefeito de Capela, Alfredo Machado, esteve na aldeia de Montenegro duas vezes. “Ele falou que o município não tem muitos recursos da saúde e educação. Através de nós, indígenas, Capela de Santana vai receber muitos projetos”, afirma. Além da venda de artesanato, diz que como o espaço na Capela é grande, de 96 hectares, pretendem desenvolver projetos para não viver só do artesanato, como em parceria com a Emater. “Vamos plantar aipim, feijão, fazer horta”, completa.

Cacique Eliseu diz que área em Montenegro era muito pequena e tinha o descontentamento dos vizinhos
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Para desmanchar as casas em Montenegro, os índios receberam o apoio da Prefeitura, através de secretarias municipais como de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania, e de Viação e Serviços Urbanos, além da Defesa Civil e Guarda Municipal. “Na noite do último domingo fomos surpreendidos com a ligação do cacique Eliseu, que nos chamou até a aldeia”, conta o secretário de habitação, Luis Fernando Ferreira. O prefeito Gustavo Zanatta e o secretário foram então comunicados da saída dos Kaingang de Montenegro. “É o resultado de vários meses de negociação, desde o início do atual governo, com os índios, moradores do bairro, Estado e Funai. Várias pessoas se envolveram e com diálogo para que fosse resolvido da melhor maneira possível. A mudança é uma decisão deles”, esclarece Fernando. Segundo a Prefeitura, o transporte está ocorrendo de ônibus e caminhões cedidos por empresas.

Área no Centenário deve receber campo de futebol

Sobre o destino da área no bairro Centenário, que pertence também ao Estado, anexa ao terreno da Escola Estadual AJ Renner (Industrial), a Prefeitura pretende fazer um convênio junto ao governo estadual para que seja aproveitada para atividades de esporte e lazer. “Com certeza vai ter um campo de futebol”, cita, lembrando que já teve campo no local, inclusive com treinos de escolinha.

O local também poderá ser cercado, garantindo mais segurança e evitando o depósito de lixo. Inclusive recentemente foram retomadas as obras da Emei Centenário, que estavam paradas faz dois anos e fica bem ao lado do local em que estava o assentamento indígena. A aldeia utilizava banheiros e água do canteiro de obras, o que agora não era mais possível com o recomeço da construção da creche, que nesta última semana finalmente recebeu telhado, conclusão do reboco e início do contra piso.

Mais de 3 anos em Montenegro

Mudança iniciou na segunda-feira
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Os kaingang chegaram a Montenegro no final de 2017. No início eram seis famílias que se instalaram numa área particular na margem da RSC 287, próximo do trevo do Posto Ipiranga, no bairro Santo Antônio. O local era considerado de risco, devido aos alagamentos. No ano seguinte, se transferiram para uma área do Estado, próximo ao Parque Centenário. E aí iniciaram as reclamações de vizinhos, por estarem no meio de uma zona urbana. Além de o espaço ser pequeno e com problemas de umidade, faltava estrutura, como banheiros, água e luz. Casas começaram a ser construídas em meio ao mato, no barranco mais próximo da escola AJ Renner. Agora são 33 famílias que estão indo para Capela de Santana.

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