Jovem montenegrina é sepultada após ser identificada como vítima de chacina

Gabriele Eduarda Sampaio tinha 23 anos - Crédito: Funerária Forneck Mattana

Os atos fúnebres de Gabriele Eduarda Sampaio ocorreram na manhã do último sábado, 11, no Cemitério Municipal de Montenegro. Conforme familiares, não houve velório, sendo realizado apenas o sepultamento.

A jovem, de 23 anos, foi oficialmente identificada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) como uma das vítimas do triplo homicídio registrado no dia 4 de julho, na localidade de Morro do Marinheiro, em Triunfo. A identificação foi possível por meio da arcada dentária, utilizando exames odontológicos para comparação, já que a vítima utilizava aparelho ortodôntico.

As outras duas vítimas, que também tiveram os corpos carbonizados após serem executadas a tiros, ainda aguardam identificação oficial por meio de exame de DNA. O material genético foi coletado de familiares próximos e encaminhado ao Departamento Médico-Legal (DML), em Porto Alegre. As famílias aguardam a conclusão dos laudos para que os restos mortais sejam liberados e possam realizar os sepultamentos.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, uma das vítimas seria um motorista de aplicativo, de 33 anos, morador do bairro Aeroclube, em Montenegro. Conforme apurado, ele recebeu uma solicitação de corrida para o local onde o crime ocorreu, sendo aquele o último contato registrado. O veículo incendiado, um GM Celta, era utilizado por ele no trabalho. A família manifesta preocupação com a demora na divulgação do resultado do exame de DNA, já que dez dias se passaram desde o crime.

A terceira vítima, segundo a principal linha de investigação, seria uma jovem de 21 anos, amiga de Gabriele Eduarda e também moradora de Montenegro. Ela está desaparecida desde a noite do crime, quando as duas estariam juntas. Os nomes dela e do motorista não foram divulgados oficialmente, pois a identificação ainda depende da conclusão dos exames periciais.

Crime ocorreu em Morro do Marinheiro

Após o incêndio no automóvel ser controlado pelos Bombeiros Militares, os corpos carbonizados foram localizados no interior do veículo. A Brigada Militar realizou buscas na região, mas nenhum suspeito foi preso.

No local, a perícia encontrou diversas cápsulas de munição calibre .380 e vestígios de material inflamável, que teria sido utilizado para incendiar o carro na tentativa de ocultar o crime.

O delegado de Triunfo, Alex Assmann, informou que as investigações prosseguem para identificar os autores e esclarecer a motivação da chacina. A principal hipótese da Polícia Civil é de que o triplo homicídio esteja relacionado à atuação de facções criminosas e ao tráfico de drogas. Os investigadores acreditam que as vítimas tenham sido atraídas para uma emboscada, executadas a tiros e, posteriormente, tenham os corpos carbonizados com o incêndio do veículo.

Informações que possam auxiliar nas investigações podem ser repassadas, de forma anônima, pelo telefone e WhatsApp (51) 98446-6803. A Polícia Civil garante o sigilo da identidade dos denunciantes.

A reportagem conversou com um familiar de Gabriele Eduarda, que preferiu não ter a identidade revelada. Segundo ele, a família tentou diversas vezes afastar a jovem do envolvimento com drogas e da criminalidade.

“Ela não precisava, mas sempre teve envolvimento com o tráfico e com facção. Desde menor de idade, a Polícia e o Conselho Tutelar levavam ela para casa. A gente vivia na Delegacia correndo atrás dela”, relatou o familiar.

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