Dia dos Namorados em plena Copa

Eu estava no estúdio da Rádio América, com os inigualáveis monstros do rádio Jean Silva e Guilherme Batista, falando sobre o dia dos namorados. De repente Vó Heda Hesmitelz (conhecem né, aquela parente do Luia!) me envia um “zap” com sua indicação de cardápio afrodisíaco para a noite especial dos casais apaixonados: cuca de rabanete com bergamota. “Mas aí dá é separação!”, protestou o Guilherme, na hora, se referindo aos possíveis efeitos colaterais desta iguaria, principalmente sob o edredon. “Tem coisa pior”, filosofou Jean – que tem essa mania de filosofar, o que ajuda muito na audiência da rádio, ainda mais com aquela voz de Pavarotti. Concordo. Como o que aconteceu numa copa passada com o casal Libório e Dorotéia. Amigos meus. Por isso não vou dizer quem, dos dois me contou.
– Amor…
– Hum?
– Vamos almoçar juntos, hoje?
– Bah, hoje não dá. Combinei com os guris.
– Oi? Guris?
– Do trampo.
– Li! Sabe que dia é hoje?
– Claro.
– E?
– Abertura da Copa, Dô! Brasil e Croácia. Pensa!
– Não acredito!
– Pode acreditar. O jogo é às 13h, mas o chefe já nos liberou da tarde pra ver o jogo. Gurizada já reservou o chope e coisarada!
Ela virou o rosto lentamente.
– Libório Santos do Nascimento!
– Ih.
– …
– Quando tu fala meu nome completo…
– Então.
– Aniversário da tua mãe? Teu? Não era em setembro?
– Pô! É Dia dos Namorados!
– Quê?
– Dia dos Na-mo-rados! Entendeu?
– Putz. Sério? Hoje?
Ele conferiu a data no relógio. No celular.
– Bah. Pois é. Também. Que dia pra ter jogo, hein amor? Mas ó, é jogo do Brasil, né.
– …
– E é Copa do Mundo! E…
Não terminou a explicação. Mas quase terminaram o namoro. Só não romperam porque ele tomou uma decisão: disse aos amigos que estava ruim, dor de garganta, diarreia, enxaqueca, vá saber se não é gripe A, dengue, essas coisas, e ele não queria contaminar ninguém. O chefe ficou sabendo e exigiu atestado, mas quando soube que ele tinha cancelado até o chope com os amigos para ver o jogo do Brasil, ficou com remorso e desejou melhoras. Não precisava atestado nenhum, só doente mesmo para não ver a abertura da copa – e jogo do Brasil! No Brasil! – com os amigos.
Ele almoçou em casa e vibrou igual com a vitória da seleção. Não teve chope, mas não deu para reclamar do chimarrão e cuca que ela fez para ambos. Estão juntos até hoje. E o Brasil não foi campeão. Nem naquela copa e nem em nenhuma outra que veio depois.
Mas este ano, vai que dá.
Ela, a Dorotéia, estava na audiência da América, quando falamos sobre o dia dos namorados. Eu ainda ria com as receitas da Vó Heda e fazia umas declarações de amor junto com o Guilherme e o Jean (não para eles, claro, cada um para sua esposa) quando ela me mandou uma mensagem: “sugere algum filme para eu ver com o Libório hoje à noite? A piazada vai pra casa da avó, lá fora, e estaremos sozinhos. Tô preparando uma jantinha de dia dos namorados pra ele”.
Ainda não respondi. É que, poucos instantes antes, ele me havia perguntado onde eu assistiria a partida entre EUA contra o Paraguai. É que estava a fim de uns chopes com os amigos para ver o jogo. “É Copa, né Oscar? Copa do mundo!”.
Pobre Libório.



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