Alceu Masson, na sua monografia, revelava notável domínio de todos os campos do conhecimento. Sobre o clima no município ele escreveu, em 1940:

“De alguns anos a esta parte, o clima no município sofreu notável alteração. O inverno já não é tão rigoroso. Em outros tempos, durante essa estação, era comum aparecerem cobertos por uma espessa camada de geada os campos da região mais baixa do município. Em 1939 isto só aconteceu duas vezes. E não são poucos, no inverno, os dias que parecem de primavera e mesmo de verão. No verão, ao contrário, são muitos os dias frios.”

Parece que Masson, há 60 anos, tinha a mesma impressão que temos hoje. Ou seja, a de que, antigamente, os dias de inverno eram todos frios, e os de verão todos quentes. Uma impressão que, hoje, nos faz pensar no aquecimento global. É possível que, hoje como naquela época, a nossa percepção é distorcida por um lapso de memória. Como se vê, o tempo real nunca obedeceu plenamente aos ditames do calendário. No inverno, sempre aconteceram dias relativamente quentes, que nos causam estranheza; assim como dias frios no verão, que nos obrigam a usar roupa um pouco mais grossa. Com o tempo, iludidos pela teoria das quatro estações, esquecemos esta irregularidade climática, lembrando apenas dos frios e calores extremos, que ficam melhor registrados na memória.

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