O belo prédio do clube caiense foi construído em estilo inglês Arquivo/FN

Quem visita o prédio do Country Clube caiense fica surpreendido pelo seu estilo de construção. Segundo um brasileiro que vive na Inglaterra e se interessa pelo assunto, a arquitetura do prédio tem estilo inglês. E disse também que haveria a chance de obter verbas de uma entidade inglesa para a restauração e manutenção do prédio.

Isto despertou a curiosidade em torno desta construção bonita e muito antiga. Uma placa na parede indica que a sua construção ocorreu no ano de 1917.

É relevante lembrar que neste ano ainda estava em curso a Primeira Guerra Mundial, na qual a Alemanha e a Inglaterra foram inimigas e o Brasil ficou ao lado dos ingleses. Ao longo do ano de 1917 alguns navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães e, em 26 de outubro deste ano o presidente Wenceslau Brás declarou guerra à Alemanha.

Os descendentes de alemães que por aqui viviam, no entanto, tinham simpatia pela Alemanha e isto provocou muita discórdia. Sociedades germânicas, especialmente as de atiradores, foram fechadas ou, no mínimo, tiveram de mudar seus nomes, estatutos e documentos para a língua portuguesa.

Com isto foi despertada a curiosidade sobre a origem desta construção. Quem foi o arquiteto que projetou esta obra de estilo tão diferente? Para que finalidade ele foi construído?

Schützen Verein

No livro Reminiscências, de Helena Cornelius Fortes, consta que no local onde hoje se encontra o Country Clube de São Sebastião do Caí, existiu a Schützen Verein (Sociedade de Atiradores), que teria iniciado suas atividades em 1880 e que passou mais tarde a chamar-se Liga Sportiva.

Consta também desta obra que esta sociedade, criada por descendentes de alemães, foi a primeira da cidade e que a sua sede, situada “onde hoje está o Country”, era “um prédio rústico, nada funcional”. E também que esta sociedade passou a ser, mais tarde, a Liga Sportiva. Diz ainda Helena Fortes que a prática do tiro ao alvo, a principal atividade do clube, era feita “nos matos do morro onde hoje está o Hospital”.

O livro Caí Monografia, de Alceu Masson (publicado em 1940), informa que haviam na cidade três associações: Liga Sportiva, Sociedade Ginástica e Sociedade Recreativa União. A Ginástica veio a ser, depois, o Clube Aliança e o União situava-se no bairro Vila Rica (conhecido também como Poeira).

O livro não informa, mas tudo indica que a Liga Sportiva funcionava no prédio atual do Country. Consta também que funcionou ali o Tiro de Guerra, forma de treinamento militar existente na primeira metade do século XX.

Walace Kruse, pesquisando em seu arquivo, descobriu que o Tiro de Guerra 471, fundado em Nova Petrópolis em 1917 em 3 de junho de 1919, transferiu-se para o Caí em 1921 tornando-se um dos mais importantes do interior do estado.

Liga Esportiva e fábrica de extrato de tomate

Dary Laux, que conheceu a Liga Sportiva na sua infância, diz que ela deixou de funcionar em meados da década de 40.

Nas décadas de 1930 e 1940, o prédio do Country Clube pertenceu a uma sociedade chamada Liga Sportiva
Arquivo/FN

Com tudo isto, permanecem dúvidas importantes. Por exemplo: Por que e por quem foi construído o prédio (em 1917)?

Teria sido para servir de sede à Liga Sportiva ou ainda à Schützen Verein? Certamente não foi para sediar o Tiro de Guerra, como o Fato Novo chegou a afirmar em publicação recente.

O primeiro tiro de guerra foi criado 1902, na cidade de Rio Grande, e se difundiu pelo país num movimento patriótico impulsionado pelo poeta Olavo Bilac. Em vários estados eles ainda existem, servindo para a formação de reservistas. No Caí, entretanto, o Tiro de Guerra funcionou até a década de 1930.

A Liga Sportiva encerrou suas atividades na década de 40 e, depois disto, o prédio foi vendido a Victor Adalberto Kessler, que nele implantou uma fábrica de extrato de tomate, no ano de 1947. Fábrica que, embora fosse montada com grande investimento em equipamentos importados, não chegou a funcionar. Tal fracasso se deveu ao fato de que a instalação da fábrica demorou mais do que o esperado e as plantações de tomates que haviam sido feitas por agricultores da região foram perdidas. Depois disto os produtores não quiseram mais produzir para a fábrica.

O Country, ao ser criado, em 1964, adquiriu o prédio da família Kessler, proprietária da Arrozeira Brasileira. A mesma empresa que possuiu uma grande fábrica de cordas e sacos de sisal em Capela de Santana..

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