Leomar Wilrich, que foi o presidente da Comissão Emancipadora de São Vendelino, foi também secretário da educação no primeiro governo e depois prefeito Arquivo/FN

Felizmente, o temor de que a juventude e a inexperiência de Jair Baumgratz pudessem resultar numa administração insatisfatória, não se confirmaram. Muito pelo contrário. A administração do jovem prefeito foi tão boa que o mesmo grupo que o apoiou na eleição e depois no governo continua no poder até hoje, no seu quarto mandato. E o desenvolvimento econômico alcançado por São Vendelino neste período foi fantástico, como demonstram os seguintes dados extraídos dos estudos do professor Luiz Roque Klering:

PIB per capita dos municípios do Vale do Caí

Município: em 1989 – em 2000 = Crescimento

São Vendelino: US$ 750,05 – US$ 7.655,81 = 920,7 %
Tupandi US$ 776,16 US$ – 10.438,16 = 1.244,8 %
Harmonia: US$ 1.096,81 – US$ 4.490,70 = 309,4 %
Capela de Santana: US$ 1.152,90 – US$ 1.817,76 = 57,7 %
São José do Hortêncio: US$ 1.792,53 – US$ 5.857,49 = 226,8 %
Bom Princípio: US$ 2.013,00 – US$ 7.456,70 = 270,4 %
Salvador do Sul: US$ 2.028,05 – US$ 9.105,97 = 349,0 %
Feliz: US$ 2.574,17 – US$ 4.024,15 = 56,3 %
Montenegro: US$ 3.850,37 – US$ 5.941,87 = 54,3 %
São Sebastião do Caí: US$ 4.646,78 – US$ 6.622,95 = 42,5 %

São Vendelino, no ano da sua criação, era o mais pobre município do Vale do Caí. Hoje é um dos mais ricos e apresenta um assombroso ritmo de crescimento e de aprimoramento das suas condições econômicas e sociais. O pobre e desestruturado ex-distrito de Montenegro, Caí e Bom Princípio transformou-se, em pouco mais de uma década, num pequeno paraíso. Expressão que, por sinal, foi adotada como lema do município. Logo que ocorreu a emancipação, São Vendelino era um município dormitório. Boa parte da população trabalhava como operária em fábricas situadas em outros municípios, permanecendo em São Vendelino apenas à noite. Os salários eram baixos e a riqueza gerada pelos operários vendelinenses gerava riqueza nos municípios onde eles trabalhavam.

Era um quadro bastante adverso, mas que a administração municipal conseguiu reverter, como se pode ver pelo crescimento econômico mostrado na tabela antes exposta. Este crescimento extraordinário não ocorreu por alguma casualidade favorável – como, por exemplo, a implantação de uma mega empresa no município ou de uma usina hidroelétrica – ele aconteceu graças à adoção de um ótimo plano administrativo seguido ao longo de todo este período com disciplina e perseverança. Um plano simples e eficaz que é praticamente o único capaz de impulsionar o rápido desenvolvimento de um município (ou o de uma empresa, ou de uma família).

O plano milagroso seguido por Jair Baumgratz e seus sucessores é composto por duas diretrizes básicas:

1° – o de economizar nos gastos de modo que sobre dinheiro para investir.
2° – o de investir uma parte substancial dos recursos disponíveis em investimentos produtivos, capazes de gerar maior renda para o município no futuro.

A preocupação em não desperdiçar os recursos públicos ficou evidente desde o primeiro momento do governo. Ao invés de preocupar-se com pompas, o prefeito Jair adotou uma postura de extrema humildade. A prefeitura foi instalada num pequeno conjunto de salas cedido gratuitamente pela senhora Cacilda Acela Sganderla. As salas faziam parte do prédio em que hoje está instalada a Padaria Sankt Wendel.

O prédio não tinha móveis, mas o prefeito não pensou em comprá-los. Trouxe da sua firma uma mesa e uma cadeira. Os outros membros da primeira equipe administrativa também contribuíram com o que podiam, trazendo pertences seus como uma máquina de escrever, canetas, papel etc. A prefeitura, no momento inicial da sua instalação, não dispunha de nenhum recurso. Mas, é claro que não faltariam fornecedores dispostos a vender-lhe a prazo. O prefeito preferiu, no entanto, assumir esta postura estóica, começando a administração sem o menor luxo. E sem fazer dívidas.

A equipe inicial de trabalho era composta por apenas cinco pessoas: o próprio prefeito, o vice-prefeito Celestino Schneider, que acumulou a função de secretário de obras; o presidente da comissão emancipadora José Leomar Willrich (que assumiu as secretarias de Educação, Saúde e Administração) e Régis Fritzen (então com 22 anos) que assumiu a secretaria da Fazenda e grande parte dos trabalhos burocráticos. Além do prefeito, do vice e dos dois secretários, só havia uma funcionária burocrática: Ângela Maria Fritzen. Duas semanas mais tarde foi admitido um trabalhador no setor de obras: Geraldo Wentz.
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O primeiro dia

O primeiro dia de atividades da administração municipal de São Vendelino foi 1° de junho de 1989.

A equipe reuniu-se de manhã bem cedo na improvisada prefeitura. Dona Acela Sganderla trouxe um chimarrão e o prefeito passou a trocar idéias com a equipe. A questão era uma só: “O que faremos?”

A primeira decisão foi redigir uma carta dirigida às empresas da região solicitando apoio para equipar a prefeitura. Jair redigiu a carta e Régis a datilografou. A carta foi distribuída e, no mesmo dia, começou a vir gente trazendo doações para a prefeitura. De modo geral, coisas modestas como cadeiras, vassouras ou folhas de papel ofício. Rogério Fritzen, hoje vereador, doou um jogo de cuia, bomba e erva, para fazer chimarrão. A maior surpresa foi quando encostou na prefeitura uma camionete trazendo a contribuição da empresa Tramontina (do vizinho município de Carlos Barbosa). Ela era composta de produtos desta empresa: carrinho de mão, pás, marreta, enchadas, facão e outros instrumentos que serviram para o trabalho da prefeitura por vários anos. A prefeitura de Bom Princípio, como é de lei, cedeu alguns veículos e máquinas do seu parque de equipamentos para o município. Mas nem o fato do vice-prefeito de Bom Princípio ser vendelinense e irmão do prefeito fez com que o município mãe se mostrasse muito generoso. Foram entregues apenas um caminhão caçamba e uma camionete Belina, ambos bastante usados. Com estes veículos, as ferramentas da Tramontina e um único operário, o secretário de obras Celestino Schneider tratou de providenciar a conservação das estradas. E, apesar da precariedade de recursos, o trabalho foi satisfatório, pois nunca antes existiu, por parte dos municípios mãe, uma atenção especial para São Vendelino como havia agora.
Móveis de escritório, infelizmente, ninguém doou para a prefeitura e o jeito foi fazer prateleiras com tábuas e tijolos empilhados. Celestino Schneider e Geraldo Wentz cuidavam das estradas trabalhando com o carrinho-de-mão, pás e enxadas doadas pela Tramontina, tapando os buracos nas estradas.

Para não abusar da boa vontade de dona Acela, o prefeito tratou logo de providenciar um prédio próprio para a prefeitura. Havia um velho prédio, a antiga casa canônica, que pertencia à Igreja Católica e estava abandonado, ameaçando ruir. O prefeito negociou a doação do prédio para a prefeitura em troca de alguns serviços de reforma na igreja e no salão de festas da comunidade católica.

O prédio estava em estado precário. Mas foi reformado e serve ainda hoje de sede para a administração municipal, além de enfeitar o centro da cidade com o seu estilo antigo mas digno. É o prédio de dois pisos que se vê à esquerda, na foto da capa deste livro.

O fato de São Vendelino ser um município tão pequeno e tão desestruturado despertou a simpatia dos municípios vizinhos, cujas prefeituras deram uma boa ajuda nesta fase inicial de carência absoluta. Carlos Barbosa, Farroupilha, Feliz e especialmente Bom Princípio ajudaram no que foi possível. Também o governo estadual encarou com muita simpatia os pedidos do menor e mais jovem município do estado. A notoriedade que o município ganhou em virtude da “eleição solteira” foi útil neste aspecto.

Jair Baumgratz trouxe da sua família e da sua experiência como empresário a noção de que era fundamental a economia e de que o dinheiro arrecadado precisava ser muito bem aplicado. Por isto ele preocupou-se desde o início em conter os gastos com o funcionalismo.

A prefeitura de São Vendelino não serviu, de modo algum, como cabide de empregos, como acontece em muitas outras. Os salários do prefeito, do vice, dos secretários e dois únicos funcionários eram bem baixos. Régis Fritzen, por exemplo, deixou um emprego de contramestre na fábrica Reichert para ser secretário faz tudo na prefeitura ganhando menos do que no emprego anterior. Mas a baixa remuneração não fazia com que o pessoal se desmotivasse. Todos trabalhavam dia e noite, inclusive em fins de semana. O prefeito, o vice e os secretários exerciam funções e executavam tarefas que, normalmente, são realizadas por funcionários.

Começando do princípio

Jair gosta de ouvir as pessoas. Às sete e meia da manhã, ele e seus assessores estavam na prefeitura. Tomavam chimarrão e conversavam. Celestino Schneider, que andava pelo interior cuidando das estradas, trazia informações do que ocorria pelo município e do que pensavam as pessoas do povo. Régis Fritzen costumava jogar cartas no final da tarde e, desta forma, colhia as informações e as opiniões que circulavam no meio urbano de São Vendelino. Jair diz que sempre gostou de ouvir as pessoas e assim, com a ajuda de seus assessores, multiplicava a sua capacidade de ouvir o povo vendelinense.

Em São Vendelino, quase tudo estava por ser feito. Mas logo os resultados começaram a aparecer e a população, vendo os esforços da administração, dava-lhe total apoio e colaboração.

A prefeitura tratou de comprar equipamentos para atender à conservação das estradas, que era a primordial reivindicação dos cidadãos. Já em agosto de 1989 (dois meses após a instalação do município) foi adquirida a primeira máquina nova: uma retroescavadeiras. Foi ampliado o Posto de Saúde e os serviços nele oferecidos, melhorado o sistema de telefonia e o abastecimento de energia elétrica (que antes era caótico, até mesmo na sede municipal). Com a contratação de uma grande escavadeira, foi limpo o arroio, de modo a diminuir o efeito das enchentes. Foram perfurados nove poços artesianos para garantir o abastecimento de água. Em 1992 foram realizadas as primeiras obras de asfaltamento nas ruas centrais da cidade. Com isto, em apenas três anos e meio de governo, Jair conseguiu realizar obras marcantes que consagraram a sua administração.

A indústria, o comércio e até mesmo a agricultura em São Vendelino eram extremamente incipientes. A maioria dos seus moradores trabalhava fora. Em São Vendelino funcionavam apenas uma pequena fábrica de vassouras e outra de calçados. O atelier de costura de calçados pertencente ao prefeito estava instalado em Bom Princípio, mas foi transferido para São Vendelino, passando a ser – de imediato – a maior empresa do município. A quase totalidade dos agricultores desenvolvia o seu trabalho de forma arcaica, com produtividade muito reduzida. Com isto, a geração de impostos no município era reduzidíssima. A prefeitura vivia praticamente só do Fundo de Participação dos Municípios, retorno de impostos que o Governo Federal remete mensalmente para os municípios. Como São Vendelino é muito pequeno e a sua população era menor ainda, a prefeitura conseguiu fazer bastante com estes recursos. Mas jamais teria conseguido fazer tanto se o prefeito houvesse usado o seu poder de conceder empregos para premiar os seus cabos eleitorais.
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Plano estratégico

Note-se que o fato de São Vendelino haver perdido território e população em virtude da inconformidade de alguns moradores de Piedade acabou sendo benéfico para as finanças do município na sua fase inicial. A arrecadação da prefeitura com o Fundo de Participação dos Municípios seria a mesma com ou sem estes territórios perdidos. E as obrigações com conservação de estradas, eletrificação, educação, saúde e tudo mais seriam maiores.
Nos primeiros anos, o dinheiro recebido do Fundo de Participação era praticamente a única fonte de recursos para a administração. Mas Jair estava consciente de que o município não poderia ir muito longe se continuasse a depender apenas do Fundo de Participação dos Municípios. Prova disto é que outros municípios igualmente pequenos e pouco populosos, embora tenham também se beneficiado do mesmo volume de recursos do Fundo de Participação, não conseguiram progresso sequer semelhante ao de São Vendelino.

Era necessário investir na atração de empresas e no incremento à produção agropecuária para dar emprego e renda para a população e maior retorno de impostos para a prefeitura. Jair chegou à conclusão de que precisava atacar em duas frentes, promovendo a atividade econômica tanto no interior, com a agropecuária, como na cidade, com a indústria e o comércio. Uma das primeiras providências foi a de incentivar a criação do Sindicato Rural.
Pensando em incrementar a indústria e o comércio, o prefeito comprou uma área de terras e começou a implantação do loteamento industrial e residencial. Qualquer pessoa que quisesse implantar uma indústria ou comércio no município ganhava ajuda com terraplenagem e parte do cimento, areia e brita. Ao final da primeira administração já haviam surgido algumas novas empresas no município, como a Metalúrgica Lutz, a Esquadrias Tulipa e a Fibras Bonfanti. A prefeitura chegou a construir um prédio para a instalação de uma fábrica de luminárias, que funcionou por meio ano e depois mudou-se para outro município. Investidores foram incentivados a construir pavilhões industriais para alugar para empresas. Surgiram, ainda no período da primeira administração municipal, os primeiros ateliers de costura, empresas que não apresentam grande estrutura (prédios, máquinas etc) e nem dão muito emprego no município, mas que geram muito retorno de impostos. Estas empresas, ao lado dos aviários, se constituiriam na grande fonte de riqueza e progresso para o município.

Começou também um programa de estímulo à implantação de aviários. Existiam, então, apenas dois pequenos e antiquados aviários no município, com capacidade para criar um total de 7.000 frangos por lote. Buscou, para isto, inspiração em programa semelhante desenvolvido pela prefeitura de Teutônia. Inspirou-se, também, no trabalho que o ex-prefeito de Bom Princípio, Hilário Junges, vinha desenvolvendo na prefeitura de Tupandi. Com a parceria da Frangosul, a prefeitura passou a oferecer incentivos e conseguiu que quatro agricultores locais investissem na implantação de aviários modernos, com maior produtividade. A Frangosul financiou o investimento destes primeiros avicultores, aceitando receber o pagamento do empréstimo em produto (frangos).

Empreguismo zero

A economia nos gastos com o funcionalismo era fundamental para que sobrasse dinheiro para investir no desenvolvimento do município e na qualidade de vida do povo. Jair poupava tanto que chegou a ter problemas com o Tribunal de Contas. Pelas normas do tribunal, ele deveria criar mais secretarias e contratar mais secretários e funcionários para administrá-las. Ao invés disto, Leomar Willrich cuidava da administração da Saúde e da Educação praticamente sozinho. Régis Fritzen, como secretário da Fazenda, fazia pessoalmente todo o trabalho da secretaria, inclusive preenchendo os talões de produtor, e ainda cuidava do alistamento militar, da secretaria da Câmara Municipal e do Conselho Municipal de Desportos (CMD).

Nenhum dos membros da equipe de governo tinha qualquer experiência de administração pública. Nem por isto, o prefeito gastou com a contratação de serviços de assessoria. Os secretários e funcionários foram buscar na prefeitura de Bom Princípio a ajuda necessária para montar o sistema administrativo do município. Régis Fritzen ficou meses dentro da prefeitura do município-mãe absorvendo informações neste sentido.

Diante do exemplo de contenção de gastos dado pela administração, também os vereadores concordaram em receber proventos bem modestos, trabalhando com espírito de colaboração para o progresso do município. A primeira Câmara Municipal era constituída, na sua maioria, por vereadores de oposição. Quatro do PDS: Renê Nestor Fritzen, Remo Aloysio Angst, Harry Lothário Seibert e Heron Ignácio Schneider; e um do PFL: Idalécio Schoulten. Os vereadores do PMDB eram Lia Adália Birk, Balmiro Mertins, Remo Gosenheimer e Luis Fernando Fritzen.

Assim, em apenas três anos e meio de administração, Jair Baumgratz conseguiu transformar a pobre São Vendelino num município estruturado e orientado para o desenvolvimento. Depois dele, seus secretários municipais, Régis Fritzen e Leomar Willrich o sucederam como prefeitos e deram continuidade ao seu projeto de desenvolvimento (o qual eles também ajudaram a conceber). Régis Fritzen, o atual prefeito reconhece que segue até hoje as diretrizes traçadas por Jair Baumgratz. Quando Régis tornou-se secretário municipal, tinha apenas 22 anos e Jair tinha apenas três anos mais que ele, mas foi seu mestre. E, pelo fenômeno extraordinário de desenvolvimento que está se observando desde então no município, pode se dizer que Jair foi, na verdade, um grande mestre.

De fato, apesar de ter tão pouca idade, Jair Baumgratz obteve extraordinário sucesso na sua administração. E, o que também é admirável, mostrou-se capaz tanto no aspecto político como no administrativo. Os resultados obtidos atestam veementemente a sua competência.

Cabe perguntar qual será a receita de tamanho sucesso. Algumas respostas podem ser extraídas daquilo que vimos até o momento. Jair gosta de ouvir as pessoas, o que é fundamental para um político. Ele entende que é necessário cortar as despesas de forma radical, para que sobrem recursos para investir. Ele também entende que grande parte dos investimentos devem ser produtivos, ou seja, investimentos que gerem produção de mais recursos no futuro. E ainda se pode considerar, como ingrediente da receita de sucesso de Jair Baumgratz como administrador, a sua disposição para copiar experiências bem sucedidas em outros municípios. Inventar novas fórmulas é difícil. O mais prático é copiar aquilo que já deu certo com outros. Ideias originais e novas fórmulas poderão surgir mais adiante e serão bem vindas, mas o trabalho deve começar com a cópia de programas já testados e bem sucedidos.

A experiência de São Vendelino demonstra, também, que é importante ter em mente uma noção de fluxo de retorno. Ou seja. Quando uma prefeitura investe na atração de indústrias, deve ter a noção de que o retorno deste investimento vai demorar a acontecer.

Quando investe na implantação de aviários, o retorno é muito mais rápido. Um aviário é construído em poucas semanas, começa a produzir imediatamente e estará faturando a pleno em alguns meses, dando retorno de imposto para a prefeitura.

Assim, agindo com simplicidade, prudência e eficiência, o jovem prefeito conseguiu tirar São Vendelino de uma condição de pobreza na qual poucos podiam estudar além do primeiro grau. E trabalhar como operário numa fábrica situada fora do município era a melhor alternativa profissional para boa parte dos seus habitantes. Nos poucos anos da sua administração, Jair conseguiu encaminhar um projeto administrativo que serviu para os dez anos que se seguiram e que resultou numa completa revisão (para melhor) da situação econômica e social do município.

No futuro, o turismo

Mas a visão de Jair Baumgratz vai mais longe e talvez possa projetar o município para as próximas décadas, a ponto de levá-lo num caminho de progresso continuado, explorando potencialidades do município que ainda não foram aproveitadas.

Exemplo disto é o potencial turístico. São Vendelino, com o seu relevo montanhoso, recortado por inúmeros riachos e coberto por ampla e densa floresta é um verdadeiro jardim. E, pasmem, este éden está situado no coração econômico do estado, incrustado entre pólos industriais como Caxias do Sul, Farroupilha, Carlos Barbosa, Garibaldi, Bento Gonçalves, Montenegro, São Leopoldo e Novo Hamburgo e junto aos polos turísticos representados por Gramado-Canela e pelo da região viti-vinícola. Tem, portanto, um potencial de desenvolvimento turístico extraordinário.

Jair viu isto desde o início e tomou as primeiras medidas para o aproveitamento desta riqueza ainda inexplorada. Certa vez, quando ainda prefeito, ele se encontrava no gabinete do então deputado Germano Rigotto, e discutia com o deputado e seu irmão Julius Rigotto sobre a vocação econômica de São Vendelino. Discutia-se, por exemplo, qual produto poderia ser divulgado como típico do município. Procuravam algo que fosse capaz de transmitir uma imagem positiva do município e servir de tema para a realização de uma festa. Algo como o bergamota de São Sebastião do Caí ou o moranguinho de Bom Princípio. Mas São Vendelino não tinha nenhum produto destacado. Então Julius comentou que o que havia de mais notável no município era a beleza da sua paisagem: suas montanhas, suas florestas, seus riachos. E também o núcleo central: uma cidade tão pequena, mas dotada de belos prédios e cortada ao meio pelo arroio Forromeco. Entusiasmado, Julius exclamou: “Aquilo lá é um verdadeiro paraíso”. E saiu desta conversa uma definição do que era, ou o que poderia ser, São Vendelino: um pequeno paraíso.
Aproveitando esta ideia, Jair adotou esta expressão como símbolo do município. Desde então, “O Pequeno Paraíso” passou a constar em todas as publicações e divulgações referentes a São Vendelino. Foi criada, em seguida, a imagem de São Vendelino, um santo simpático, sempre sorridente. E cercado de ovelhinhas, pois o santo original, o São Vendelino cultuado pela Igreja Católica, era um pastor.

Na época em que foi criada, ainda poderia ser muita ousadia usar tal expressão. Se a paisagem era, de fato, maravilhosa, as condições estruturais do município não eram nada boas. Algumas estradas estavam mais para infernais do que para paradisíacas (afinal, não era tudo que podia ser feito com o carrinho de mão doado pela Tramontina). E não haviam bons restaurantes, postos de gasolina e tudo mais que é necessário para que um visitante pudesse sentir-se realmente num lugar ideal.

Mas a expressão serviu, desde então, como uma meta. Se São Vendelino ainda não era, cabia à administração transformá-lo num verdadeiro paraíso. Ainda no governo de Jair Baumgratz começou o ajardinamento do centro da cidade e foi adquirida a área onde hoje se situa o belo restaurante Quiosque, às margens do Forromeco.

O sonho que embalou Lamberto Versteg e outros imigrantes ali estabelecidos no século XIX, agora está em vias de realizar-se. São Vendelino, que ficou parado no tempo por mais de um século em virtude das más condições das estradas que o serviam, agora se recupera rapidamente do atraso graças a uma administração municipal exemplar.

E, como a sorte costuma ajudar aqueles que trabalham direito, o velho problema da estrada também está sendo resolvido de modo mais do que satisfatório. A RS-122, que chegou asfaltada a São Vendelino agora está duplicada.

 

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