A Banda Municipal de São Sebastião do Caí era comandada pelo maestro Miguelino Silveira Foto arquivo Mario Glaser

Miguelino Elias da Silveira nasceu em São Leopoldo no dia 2 de outubro de 1883. Seu pai havia morrido na Guerra do Paraguai e ele foi criado no Arsenal de Guerra, em Porto Alegre, onde seu pai atuava. Ali mesmo, aos cinco anos de idade, começou seu aprendizado musical. Tinha talento natural e paixão pela música. Começou tocando cornetim.

Quando tinha 14 anos, prestou exames para ser Mestre de banda de música no Arsenal de Guerra e venceu o concurso como primeiro colocado. Foi promovido a segundo sargento e tornou-se Mestre da Banda. Já nesta época ele gostava de compor músicas para tocar na Banda do Arsenal de Guerra. Músicas que, mais tarde foram gravadas pela gravadora A Eléctrica.

No ano de 1908 Miguelino casou-se com Maria Orolina Cunha Xavier, com quem veio a ter doze filhos. Mesmo atuando como maestro e músico da Banda do Arsenal de Guerra, Miguelino já atuava na gravadora A Eléctrica, fazendo acompanhamento para cantores e integrando vários grupos musicais criados especialmente para as gravações. Seu irmão Adalberto Silveira, excelente músico e compositor, também tocava na Banda do Arsenal e nas gravações do estúdio fonográfico.

Em 1915 a Banda do Arsenal de Guerra foi extinta e tanto Miguelino quanto seu irmão Adalberto mudaram-se para Capela de Santana, onde formaram uma banda chamada Grupo Capelista.

Miguelino tocava o bombardino, cornetim e trupete, além de ser o maestro, diretor musical da banda e arranjador. Adalberto tocou primeiro o cornetim e, mais tarde, o trumpete.

No mesmo ano de 1915, começaram a ser lançados discos do Grupo Capelense na Casa A Eléctrica. Na sua maioria, com composições de Adalberto e, logo depois, de Miguelino Silveira.

Mas o sucesso foi ainda maior quando os irmãos Silveira e mais alguns integrantes do Grupo Capelista formaram uma outra banda denominada Grupo Cahyense. Esta banda contou com o reforço de excelentes músicos recrutados no Caí. E, com esta nova formação, a banda teve, realmente, um sucesso estrondoso. Tanto pela qualidade do grupo como pelas composições de Miguelino e Adalberto.

Em 1924 aconteceu a falência da Casa A Eléctrica, mas o sucesso do Grupo Cahyense continuou, agora como uma orquestra dedicada à animação de bailes e festas em geral. Tocava, também, eventualmente, em solenidades oficiais, contratado pela prefeitura do Caí. Em 1933, o prefeito caiense Egydio Michaelsen transformou o grupo em Banda Municipal, pagando-lhe uma subvenção mensal.

Cantarola foi baterista na banda do maestro Miguelino
Arquivo/FN

A banda, na sua fase final era composta por Adalberto e Miguelino Silveira, Leopoldo Jacobs, Gilda da Silva, Hortêncio da Silva, Ronaldo Kich, Max Bender, Elmo Kich, Albano Bender, Taurino de Oliveira, Reinaldo Kich, Selírio Rosa, Luis Eugênio Noschang, Bernardo Noschang, Lupi Richl, Olírio Noschang, Tuti da Silva e João da Silva Reis (o Cantarola, que era baterista).

A banda de Miguelino Silveira continuou existindo até o ano de 1952, quando, em 2 de fevereiro, ocorreu a morte do maestro. Ele, então já residia no Caí há bastante tempo.

Uma das filhas do maestro Miguelino, Aidê Silveira, ficou muito conhecida no Caí: durante décadas, ela foi a secretária do doutor Bruno Cassel.

 

  • Texto original escrito em novembro de 2009

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