A enchente sempre foi um problema para os caienses Daniel Fuchs Klein/FN

Matéria publicada no dia 26 de setembro de 2007 no Jornal Fato Novo

A maior enchente do século XX aconteceu somente no ano 2000, ou seja, no último dos seus cem anos. Nela, o rio subiu 14,75 metros acima do seu nível normal.

O século XXI não esperou tanto tempo e já no seu sétimo ano produziu uma enchente de respeito.

A enchente que ocorreu no dia 24 de setembro de 2007 ficou apenas 12 centímetros abaixo do nível atingido na enchente do ano 2000. A marca desta enchente foi de 14,75 metros.

O rio já estava alto e o seu nível aumentou muito na segunda-feira devido às fortes chuvas que caíram na região serrana.

Como sempre acontece nas grandes enchentes, milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas. E os prejuízos foram enormes.

Em valores, a perda maior foi sofrida pela fábrica Oderich, que foi duramente atingida, tal como já acontecera no ano 2000. Em razão disto, a Oderich adquiriu as instalações que foram da Azaleia, no bairro Vila Rica, mas apenas uma parte do enorme estoque da empresa chegou a ser transferido para lá até o momento.

A água da enchente invadiu todos os prédios da fábrica situada no bairro Navegantes.
Outras empresas caienses também foram atingidas. A elegante loja Phylitis foi invadida pela enchente e o nível da água, no interior da loja, chegou a um metro. Mesmo sendo domingo e apesar da rapidez com que o nível da água subiu durante a noite, os responsáveis pela loja conseguiram tirar todo o grande estoque de produtos a tempo. Restou o trabalho de limpar o prédio e recolocar as mercadorias nos seus devidos lugares novamente. E assim dezenas de outros estabelecimentos comerciais sofreram com a enchente.

Prejuízo e morte

Um caminhão da transportadora DAR, de Tupandi, estava estacionado ao lado da fábrica Oderich. O motorista do caminhão, Paulo Egevarth (de Salvador do Sul) chegou ao local com seu automóvel por volta de uma e meia da madrugada. Como ele teria de esperar no local, foi dormir dentro da cabine do caminhão. Acordou duas horas depois com o veículo totalmente cercado pela água, sem condições de sair. O automóvel de Paulo foi coberto pela enchente.

Mas quem mais sofreu, certamente, foi a população.

Muitas famílias perderam seus móveis e eletrodomésticos. Algumas tiveram as próprias casas destruídas.

No início da rua 13 de Maio, duas casas humildes, nas quais moravam seu Antônio e o filho conhecido como Peninha, foram levadas pela correnteza e só não desapareceram no rio porque ficaram presas em árvores algumas dezenas de metros adiante.

Cerca de 400 pessoas tiveram de ser levadas para o abrigo oferecido pela prefeitura nos ginásios esportivos do Parque Centenário. E um número muito maior de famílias mudaram-se para as residências de familiares e amigos.

Ruas centrais, como a Coronel Paulino Teixeira, não escaparam das inundações
Daniel Fuchs Klein/FN

O que não se justifica é que um transtorno como este seja aceito como inevitável.
Com o progresso da engenharia e da organização social na nossa região, já é tempo dos municípios do Vale do Caí encararem o problema de frente e buscarem uma solução para ele.

Ocorreu até mesmo a morte de um homem doente que não pode ser assistido devidamente.

E o Caí é, certamente, a cidade da região que mais sofre com as enchentes.

Não se pode esperar que o rio deixe de encher quando ocorrem chuvas tão intensas como as do último domingo. E também não se pode mudar a cidade para outro local. Mas o problema pode ser minimizado evitando-se as construções em terrenos muito baixos e fazendo construções adequadas nos terrenos que são atingidos apenas pelas grandes enchentes. É necessário recuperar e proteger a vegetação nas margens do rio e dos seus afluentes. A dragagem periódica do leito do rio também pode ajudar. É preciso ouvir técnicos especializados e fazer um trabalho sério neste sentido.

Imprevisibilidade e desabastecimento

A maior queixa que se ouve das vítimas da enchente é quanto à sua imprevisibilidade. A elevação do nível do rio depende da chuva que cai em diversos pontos da bacia do rio Caí e da influência que isto tem sobre os arroios que são seus afluentes.

A subida das águas cria aflição: não se sabe a que nível as águas vão chegar
Daniel Fuchs Klein/FN

Nesta enchente, por exemplo, o arroio Cadeia parece ter tido influência maior do que na de outras grandes enchentes.

Quando a enchente começa, as pessoas querem saber quanto a água irá subir, para decidir se precisam ou não retirar ou erguer os móveis e os equipamentos elétricos e eletrônicos.

O funcionário municipal Gilberto Laubin tenta fazer tal previsão com base em informações que colhe nas cidades situadas rio acima, como Bom Princípio e Feliz. Desta vez ele percebeu, no final da tarde de domingo, que a enchente seria grande e tratou de transmitir a informação pelos meios disponíveis, inclusive a rádio local. Mas ele não consegue prever qual será exatamente o nível que a água chegará a atingir.

Luz e Água

Poderia se dizer que o que não faltou no Caí nestes dias foi água. Mas não foi bem assim. Apesar da enorme quantidade d´água que corria pela cidade em lugares onde não devia, o precioso líquido faltou onde devia: nas torneiras.

Em alguns lugares desde domingo, em outros a partir de segunda-feira, o abastecimento de água foi interrompido em toda a cidade.

Em grande parte do Caí, falhou também o abastecimento de energia elétrica. Na manhã de segunda-feira, a RCC, rádio comunitária da cidade, não pôde fazer cobertura da enchente porque estava fora do ar devido à falta de energia.

Só na tarde de terça-feira o abastecimento de água e luz foi restabelecido em toda a cidade.

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