Ricardo Leandro Hendges aguarda por socorro para poder voltar ao Brasil - Reprodução/FN

Caminhoneiros e turistas gaúchos estão entre os presos pela forte nevasca que ocorre a quatro dias na Cordilheira dos Andes, junto à fronteira do Chile com a Argentina. Caminhões, carros e ônibus estão impossibilitados de seguir viagem, pois as estradas estão bloqueadas pela neve.

A reportagem fez contato com o caminhoneiro Ricardo Leandro Hendges, de Montenegro. Ele enviou vídeos ao vereador Talis Ferreira relatando sobre a situação e mostrando imagens da nevasca. “Estamos trancados, com muito frio desde sábado. Tivemos que abandonar o caminhão. O meu tá para baixo do túnel de Libertadores, uns 3 quilômetros daqui. O meu tá lá congelado. Estamos numas pousadas. Demoraram para nos retirar e deslizou o gelo, trancando tudo. Passei uma noite dentro do caminhão e achei que ia morrer congelado com 20 graus negativos. Fiquei mal”, relatou, aguardando para conseguir sair do local com segurança. Agradeceu a esposa Michele, filhos, mãe, netos e demais familiares e amigos, que estão sempre ao seu lado.

Neve bloqueou passagem na Cordilheira dos Andes em meio ao frio de até 20 graus negativos
– Reprodução/FN

O caminhoneiro montenegrino contou que tinha uma fila grande pretendendo cruzar o trecho antes da nevasca, no sábado, mas aí um caminhão do Paraguai derrapou e acabou ficando atravessado, bloqueando a passagem. “Tivemos que abandonar os caminhões e sair a pé para não morrer congelados”, relata. Cita que aguarda o socorro de outros caminhoneiros montenegrinos que estão se dirigindo ao local. “Estão vindo o Fernandinho e o Romildo para podermos sair daqui. Hoje de noite ainda deve dar uma nevasca grande e amanhã também. Só devem liberar na sexta-feira”, completa.

Ricardo Leandro lembra que já pegou bastante neve nas rodovias, mas nunca tinha ficado trancado. E destacou a solidariedade entre os colegas caminhoneiros. Ele é primo de outro caminhoneiro montenegrino, Márcio Hendges, que em março deste ano morreu em acidente no Chile. “Foi uma perda grande. A gente trabalhava junto e aprendi tudo com ele. Sofri bastante. Vou continuar com o legado dele e da nossa família. Não podemos desistir”, concluiu, informando que tinha voltado a nevar.

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