Mesmo tomando todos os cuidados, a Dra Vera Grünhauser e seu marido contraíram o vírus e tiveram de ser internados, mas conseguiram superar a Covid-19 - Crédito: Reprodução/FN

A Prefeitura de Pareci Novo, através de Secretarias Municipais e Assessoria de Comunicação, iniciou uma série de entrevistas com moradores do município que enfrentaram a Covid-19. São histórias de sofrimento, tristeza, medo e dificuldades. Amigos, vizinhos, colegas, pessoas da comunidade, que passaram por momentos tensos e voluntariamente estão expondo suas experiências para despertar a consciência e fomentar a prevenção. Estes relatos estão sendo publicados na página do facebook da Prefeitura de Pareci Novo (https://www.facebook.com/parecinovo) e no perfil do Instagram (@parecinovooficial), inclusive com vídeos dos depoimentos.

A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, a Secretaria da Educação e a Secretaria de Saúde tiveram a ideia de juntar os depoimentos destas pessoas. Pensaram em uma estratégia para divulgar o que estava acontecendo com conhecidos. Os contatos foram passados para a Assessoria de Comunicação que entrou em contato um a um para explicar a ideia e coletar os relatos.

”Optamos por contatar por whatsapp e pedimos que as próprias pessoas entrevistadas gravassem com seus celulares, pois partimos do princípio que o distanciamento social não pode ser só da lente da câmera para frente. Não seria prudente aglomerar a equipe de filmagem com os participantes. Então, para os mais idosos, ou que apresentam alguma dificuldade técnica para execução dos vídeos, nós contatamos remotamente e fazemos a gravação. Algumas entrevistas foram feitas na forma de texto escrito,” comenta Daniel Vercelhese, assessor de comunicação de Pareci Novo.

Entrevista com a médica Vera Grünhäuser:

Dra Vera e seu marido tiveram de ser internados e superaram a Covid-19
– Crédito: Reprodução/FN

Nesta segunda parte da série de entrevistas com moradores de Pareci Novo que enfrentaram a Covid-19, foi apresentado o relato da Dra Vera Grünhäuser, clínica geral, médica do trabalho e acupunturista, moradora de Pareci Novo.

Covid – Uma doença desconhecida

Gostaria de fazer um relato como foi a chegada do COVID na nossa família. Sou médica e desde março de 2020 mudei as rotinas do meu consultório. Os pacientes passaram a ter que deixar os calçados na recepção e colocar propés; o uso de máscaras passou a ser obrigatório; diminui-se o número de consultas, para que menos pacientes se encontrassem na sala de espera; deixamos de fazer “encaixes”; após cada consulta, se passa álcool em spray no consultório e a higienização do chão passou a ser feita com mais frequência. Todo dia, após o trabalho, ao chegar em casa, eu ia direto tomar banho e trocar de roupa. A partir desta data, também evitamos de sair de casa, de visitar pessoas e de almoçar em restaurantes.

Afinal, com todos estes cuidados, de quem, onde e como pegamos Covid?

Pois bem, da pessoa mais próxima de mim: do meu marido. E foi justamente quando abri uma exceção em sair de casa, pois era aniversário dele. Andamos de carro durante apenas 3 horas com as janelas fechadas, respirando o mesmo ar que ele, sem estarmos usando máscaras. Fazia uma semana que meu marido havia viajado para Bahia a trabalho. Ainda não apresentava sintomas. Então, gostaria de deixar registrado aqui, que MESMO SEM SINTOMAS, A PESSOA INFECTADA TRANSMITE O VÍRUS.

Na semana seguinte, meu marido começou a ficar indisposto, com náuseas e um pouco de febre, mas como ele havia comido uma linguiça, achou que ela estivesse estragada. Durante quase uma semana ficou assim, até que foi na UBS de Pareci, fez um soro para hidratação e também o teste para Covid, que deu positivo. No dia seguinte, como a saturação de oxigênio do sangue dele estava mais baixa, em torno de 90 (normal é pelo menos 97) e ele continuasse com náuseas e febre, fomos ao Hospital, para uma melhor avaliação.

Ao chegarmos no Hospital, a recepcionista me perguntou se eu queria consultar também. Como já sabia meu marido estava com covid, achei que seria importante fazer uma avaliação. A única coisa que eu estava sentindo era sono, que eu atribuía ao fato de não ter conseguido dormir normalmente, por causa da tosse do meu marido. Para minha surpresa, meu pulmão estava 60% comprometido. Eu não tinha febre, eu não tinha tosse, eu não estava com falta de ar, mas a minha saturação de oxigênio também estava baixa, em torno de 87%.Resultado: ficamos nós dois baixados, com oxigênio (com aquele canudinho que fica no nariz).Não observei nenhuma melhora nos dois primeiros dias. Embora eu não tivesse sintomas, eu podia ver que a saturação de oxigênio do sangue estava muito baixa, mesmo respirando com cânula nasal 6 l/min de oxigênio. À medida que fiquei cantando e fazendo os exercícios respiratórios que os fisioterapeutas me ensinaram, percebi muita melhora. No quinto dia de internação, observei edema nas minhas mãos e pés. No sexto dia, minha respiração tornou-se mais pesada (provável efeito colateral do corticoide). Conversei com o médico que estava me atendendo e pedi que ele suspendesse o corticoide e o antibiótico. Embora não concordando com o meu pedido, assim ele o fez. No dia seguinte, a minha respiração foi se tornando mais leve e pude ir diminuindo o oxigênio. Após 11 dias de internação, voltamos para casa. Eu estou 100% recuperada. Meu marido, que não se empenhou em fazer os exercícios, já passadas duas semanas da alta, continua tendo cansaço aos esforços. As minhas filhas, que também foram infectadas pelo Covid, somente tiveram febre de 38,5ºC durante dois dias, sem qualquer outro sintoma.

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