Painel mostra situação dos atendimentos - Crédito: HM

Em entrevista coletiva, realizada de forma online na tarde desta sexta-feira, dia 12, o diretor técnico do Hospital Montenegro (HM), Jean Ernandorena, e o diretor executivo, Carlos Batista da Silveira, falaram sobre a gravidade do momento, em decorrência da pandemia.

UTI do HM está com 140% de ocupação 
– Crédito: HM

O doutor Jean repetiu que a situação é dramática. Chegou a usar a palavra catástrofe. Citou que desde 19 de fevereiro até 9 de março, foram atendidos 76 pacientes com coronavírus, que estavam em estado grave, dos quais 25% vieram a óbito. “As pessoas estão chegando muito doentes, com pulmões comprometidos”, lamenta. E ressaltou ainda a mudança de perfil, sendo mais da metade com menos de 60 anos. “É uma população mais jovem. E viramos um hospital Covid”, diz, pois a grande maioria dos atendimentos são de pacientes com coronavírus. Em ventilação mecânica, por exemplo, hoje estavam 14 pacientes com covid e 4 sem.

A UTI do HM continua com taxa de ocupação de 140%, tendo 14 casos confirmados. Três pacientes aguardam leito na UTI. O número de óbitos de pacientes diagnosticados com Covid-19 é de 57, em um ano de pandemia. Na unidade de internação estão 20 casos confirmados e 1 suspeito, com taxa de internação de 72%.

Pedido de ajuda e de lockdown

Diretores Carlos Batista e Jean Ernandorena falaram sobre a gravidade da situação
– Arquivo/FN

O diretor executivo do hospital, Carlos Batista da Silveira, pediu regras mais rígidas nas restrições ao comércio e serviços. Chegou a pedir um lockdown por pelo menos 15 dias. “Tem que parar para a curva começar a descer”, entende, temendo que a situação possa ainda piorar. Mesmo em bandeira preta, lamenta que muitas pessoas ainda estão circulando pelas ruas e transmitindo o vírus. E o resultado é a superlotação dos hospitais. “Tem que ter um lockdown para evitar que mais pessoas se infectassem”, entende, defendendo pelos menos duas semanas de bloqueio total, como já está sendo feito em alguns municípios. “O apelo não é meu, mas dos médicos e profissionais da saúde, que estão cansados e esgotados”, completa.

Batista falou ainda das dificuldades para o hospital manter o atendimento. Citou que, mesmo em um ano de pandemia, em que aumentou muito a demanda e em cerca de 30 a 40% os custos dos materiais, o hospital não recebeu recursos específicos para tratamento de covid do Governo do Estado e dos 14 municípios que atende. Foram contratados mais cerca de 100 profissionais, além de precisar mais máscaras, avental, equipamentos, produtos e materiais. “O hospital precisa desesperadamente de ajuda”, pede.

O diretor lembra que no começo da pandemia muitas empresas, entidades e pessoas ajudaram. Mas as doações foram diminuindo. E agora é o pior momento das internações. Por isso pede o auxílio das empresas, população, entidades, Prefeituras, CIS-Caí e de qualquer pessoa que possa contribuir. A ajuda pode vir tanto em dinheiro como em máscaras, aventais, materiais, fraldas, enxovais, alimentos, produtos de higiene e limpeza.

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