Primeiro julgamento de acusados pela morte de dono de boate termina com quatro condenações em Montenegro

Após quatro adiamentos, foi concluído o primeiro dos três julgamentos relacionados ao homicídio de Adroaldo Meyer, conhecido como “Gaúcho”, de 49 anos, proprietário de uma boate na localidade de Muda Boi, no interior de Montenegro. O júri popular teve início na segunda-feira, 3 de agosto, no Fórum de Montenegro, e foi encerrado no início da madrugada desta quarta-feira, 5.
O processo foi desmembrado em três sessões devido ao elevado número de réus — ao todo, onze denunciados —, à complexidade do caso e à necessidade de evitar o prolongamento da prisão provisória dos acusados que permanecem detidos. A medida também buscou garantir o pleno exercício da defesa e a adequada análise dos fatos pelos jurados.

O crime
Adroaldo Meyer foi assassinado em 31 de março de 2021. O corpo da vítima foi localizado dois dias depois, na localidade de Passo da Amora, próximo aos trilhos de trem. O cadáver apresentava sinais de extrema violência, com graves lesões na face, ausência dos globos oculares e do nariz, além de partes queimadas. A brutalidade do crime fez com que o caso ficasse conhecido como o “processo do sem olhos”.
Durante a investigação conduzida pela Polícia Civil, doze pessoas chegaram a ser presas por suspeita de participação no homicídio. Um dos investigados morreu posteriormente na Penitenciária.
Segundo o Ministério Público, os onze réus — quatro mulheres e sete homens — teriam participado do crime em diferentes níveis. A investigação aponta que a ordem para a execução partiu de pessoas que já estavam presas. A motivação estaria relacionada a desavenças envolvendo a inauguração da boate e à falsa atribuição de uma dívida de drogas ao empresário.
Conforme apurado pela Polícia Civil, Adroaldo não era usuário nem traficante de entorpecentes. A suspeita é de que garotas de programa ligadas ao estabelecimento tenham contraído uma dívida com traficantes e responsabilizado injustamente a vítima.
Ainda de acordo com a denúncia do Ministério Público, a vítima foi atraída até sua residência por meio de uma emboscada envolvendo um relacionamento afetivo. Após abrir a porta, teria sido espancada, amarrada, torturada, teve ossos da face quebrados, recebeu álcool sobre o rosto e, em seguida, foi incendiada. O órgão também sustenta que a execução foi filmada e posteriormente “comemorada” pelos envolvidos com um churrasco. O homicídio foi denunciado como qualificado por motivo torpe e emprego de meio cruel.
Resultado do primeiro júri
Como o julgamento se estendeu por dois dias, os jurados permaneceram hospedados em um hotel, incomunicáveis durante todo o período. Ao longo da sessão foram ouvidos réus, testemunhas, representantes do Ministério Público e advogados de defesa.
Dos cinco acusados julgados nesta primeira etapa, quatro foram condenados e um absolvido.
As penas ficaram definidas da seguinte forma:
- Ismael dos Santos de Vargas: 26 anos e 9 meses de prisão;
- Frank Ponciano da Silva (nome social de Franciele): 26 anos e 2 meses de reclusão;
- Leonardo da Silva Rodrigues Moosher: 22 anos, 4 meses e 10 dias de prisão;
- Rodrigo Luis de Oliveira: 22 anos, 3 meses e 10 dias de prisão.
Ismael, Frank e Rodrigo foram condenados por homicídio qualificado, coação no curso do processo e associação criminosa. Leonardo foi condenado por homicídio qualificado e associação criminosa, sendo absolvido da acusação de coação.
Apesar da possibilidade de recurso, os quatro condenados permanecerão presos. O único réu absolvido teve a liberdade concedida.
Próximos julgamentos
O segundo júri está marcado para os dias 17 e 18 de agosto, quando outros dois acusados serão julgados. A terceira e última sessão plenária ocorrerá nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, envolvendo os quatro réus restantes. Todos os julgamentos terão início às 9h, no Fórum de Montenegro.



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