Bom Princípio: família tem lavoura de milho destruída por suspeita de envenenamento

Uma família de agricultores de Bom Fim Baixo, em Bom Princípio, teve uma plantação de milho praticamente destruída após a aplicação de um produto químico na lavoura. A área, de aproximadamente 2,5 hectares, havia sido cultivada há cerca de dois meses e seria destinada à produção de silagem.
O problema foi percebido no domingo, 1º de novembro, quando um vizinho notou alterações nas plantas e avisou João Brandt e seus filhos, Vilson e André, responsáveis pelo cultivo em uma propriedade arrendada na localidade.
Ao verificarem a situação, os agricultores constataram que grande parte da plantação apresentava sinais de contaminação. Na terça-feira, dia 3, a lavoura já estava predominantemente amarelada, indicando que a produção havia sido comprometida. Mesmo algumas fileiras aparentemente preservadas não poderão ser aproveitadas, sendo necessária a retirada de toda a plantação.
“Não tem como explicar. Fiquei sem palavras. Difícil de acreditar como alguém possa ter feito isso. Passaram um produto, um inseticida, para matar o milho.”, revolta-se João Brandt, de 82 anos. Ele calcula que teve um custo de cerca de 15 mil reais em sementes e implementos, esperando que investigações apontem a autoria do vandalismo.


O caso foi registrado junto à Polícia, que deverá investigar as circunstâncias do ocorrido e a possível autoria da aplicação do produto químico.
Além da perda da produção, a família contabiliza os investimentos realizados nos últimos meses, como sementes, adubo, ureia, mão de obra para o plantio e demais cuidados com a lavoura.
Abalado, João Brandt lamenta o prejuízo e a frustração de ver meses de trabalho comprometidos. A situação é ainda mais difícil diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais neste ano, especialmente em razão das chuvas frequentes, que prejudicaram o calendário de plantio.
A família havia conseguido realizar o cultivo antecipadamente e mantinha boas expectativas para a colheita. Segundo João, a estimativa era produzir entre 70 mil e 80 mil quilos de silagem nos 2,5 hectares.
Agora, além do prejuízo financeiro, os agricultores terão de lidar com a perda de uma produção que seria importante para a atividade e a renda familiar.
Não e o primeiro atentado
O secretário municipal de agricultura, José Veit, visitou a propriedade e lamentou o ocorrido. Ele ressaltou a dedicação da família de agricultores que teve esse grande prejuízo. “Não foi a primeira vez que isso ocorreu. Pelo visto usaram uma máquina manual e não um drone, mas a destruição foi total”, analisa.
José Veit lembra que no ano passado a mesma roça que colheram e fizeram a silagem, acabou tendo a lona cortada com facão, ficando destruída e comprometendo grande parte do material. E anos antes também teria ocorrido uma pulverização de uma roça de morango, onde a família perdeu 8 mil mudas que foram envenenadas perto do tempo da colheita.
No entender de Veit, se trata de um ato criminoso, de perseguição contra a família.
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