Móveis planejados: moradores do Vale do Caí estão entre vítimas de golpe

Moradores de Montenegro e Capela de Santana estão entre as possíveis vítimas de um empresário suspeito de receber pagamentos por móveis planejados e obras, mas não entregar os serviços contratados. Em Montenegro, pelo menos quatro pessoas procuraram o Departamento de Proteção às Relações de Consumo (Deprocon) para relatar prejuízos.
O suspeito foi preso preventivamente durante a Operação Projeto Frustrado, da Polícia Civil, por suspeita de estelionato qualificado. A investigação identificou, até o momento, 34 possíveis vítimas em oito municípios, mas o número pode aumentar. O prejuízo total é estimado em aproximadamente R$ 1,3 milhão.
Além de cidades do Vale do Caí, há relatos de vítimas em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio e Gravataí. Conforme a investigação, o suspeito teria aberto e fechado pelo menos quatro empresas em Canoas e Porto Alegre.
A apuração durou três meses e abrangeu casos ocorridos entre junho de 2024 e março de 2025. Segundo a Polícia Civil, o empresário exigia pagamentos antecipados pelos projetos e produtos, mas não cumpria os contratos. Quando os clientes cobravam a entrega dos serviços, ele teria bloqueado os contatos.
Ainda conforme a investigação, enquanto alegava falência e dificuldades financeiras para justificar os atrasos, o suspeito publicava nas redes sociais imagens de viagens internacionais a destinos turísticos, como Paris e Dubai. A situação teria provocado indignação entre os clientes prejudicados.
Vítimas relatam prejuízos elevados
Os relatos apontam diferentes formas de prejuízo. Uma das vítimas contou que conheceu uma empresa do suspeito pelas redes sociais e chegou a visitar um showroom. O orçamento para o projeto, que incluía móveis e outros serviços, foi de R$ 120 mil. Ela pagou R$ 40 mil de entrada e mais R$ 4 mil posteriormente, mas o contrato não foi cumprido. Na sequência, o empresário teria alegado problemas financeiros.
Outra vítima informou ter pago R$ 59 mil de um orçamento total de R$ 134 mil para mobiliar o apartamento, sem receber os serviços contratados.
Uma terceira mulher relatou ter entregue um carro avaliado em mais de R$ 100 mil como parte do negócio. Agora, ela busca recuperar o veículo.
Empresas parceiras que fabricavam as peças também afirmam ter sofrido prejuízos. Uma delas estima perdas superiores a R$ 200 mil, incluindo custos relacionados a clientes lesados que haviam contratado financiamentos para adquirir os móveis.
Procon orienta consumidores
O Procon Estadual orienta os consumidores a pesquisar a reputação e a situação das empresas antes de fechar negócios. Também recomenda desconfiar de ofertas com valores muito abaixo da média de mercado.
Em caso de suspeita de golpe, a orientação é procurar o Procon e registrar ocorrência policial para que os fatos sejam investigados.
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