Novo livro de Oscar Bessi reflete sobre a sensibilidade e os afetos na era dos algoritmos

Oscar Bessi

Após 11 anos sem publicar livro físico, escritor e colunista convida a uma pausa contra a indiferença e a aceleração do mundo em “Ainda Humanos”, lançamento da Álibi Editorial.

Em um mundo hiperconectado, apressado e frequentemente polarizado, onde o tempo das telas atropela a profundidade do olhar, o que resta do que nos define como pessoas? É a partir desta inquietação que o escritor e policial da reserva Oscar Bessi lança “Ainda Humanos: sobre o árduo ofício de não ferir e outras crônicas”. Editada pela Álibi Editorial, a obra chega para quebrar um hiato de 11 anos sem publicações de livros do autor — período em que Bessi se manteve fortemente atuante na imprensa, sobretudo através de suas tradicionais colunas no jornal Correio do Povo e, mais recentemente, no Portal Fato Novo, enquanto se dedicava às questões familiares e profissionais.
Escritor, cronista e palestrante, Oscar Bessi também atuou durante mais de 35 anos na atividade policial. Essa experiência está presente em Ainda Humanos, não como um relato policial, mas como um olhar particular sobre pessoas, comportamentos e relações, trazendo para as páginas uma perspectiva única, lapidada onde “a vida costuma perder as máscaras”, como ele mesmo afirma. Medo, violência, coragem, perdas, solidariedade, intolerância, esperança e escolhas aparecem nas crônicas a partir da perspectiva de quem conviveu profissionalmente com diferentes lados da condição humana.
Longe do tom meramente institucional ou técnico, o autor utiliza sua bagagem nas ruas para articular uma defesa apaixonada da empatia, da escuta e do afeto. Em crônicas que passeiam por memórias, observações cotidianas, reflexões morais e críticas ao espetáculo digital, Bessi contrapõe a barulhenta violência do cotidiano à silenciosa perversidade da indiferença.
“A violência é barulhenta. Mas a indiferença é silenciosa e má: transforma pessoas em números, dramas em estatísticas, conversas em mensagens e vidas inteiras em distrações”, reflete o autor.
A obra transita entre a crítica social, a memória, a ironia e a emoção. Há espaço para reflexões sobre família, juventude, educação, violência, segurança pública, tecnologia, solidão, escolhas e relações humanas, mas também para histórias aparentemente simples que revelam questões maiores. A experiência do autor com crianças e adolescentes em feiras do livro e escolas também aparece nesse universo, especialmente nas reflexões sobre escolhas, respeito e os dramas enfrentados pela juventude.
Outro aspecto marcante é a recusa de Bessi aos rótulos. O próprio autor revisita no livro a aparente contradição entre ser policial e escritor, lembrando que uma pessoa não pode ser reduzida à profissão que exerce ou à imagem que os outros constroem dela. Somos, como propõe, múltiplos e contraditórios.
Com linguagem fluida, poética e jornalística, Ainda Humanos surge não apenas como um retorno literário aguardado, mas como um manifesto contra a insensibilidade de nossos tempos. “Ser humano nunca foi um talento extraordinário. É só um exercício diário de esquecer um pouco de si para lembrar que existe alguém do outro lado”, frisa o autor.

SOBRE O AUTOR: Oscar Bessi é escritor, autor de 15 livros entre romances, contos, crônicas e novelas juvenis. Colunista de jornal desde 1998, com atuação marcante no Correio do Povo há 16 anos, já publicou mais de três mil textos em jornais, revistas e portais brasileiros. Atuou durante 35 anos na atividade policial e construiu uma trajetória literária marcada pela reflexão sobre violência, cidadania, escolhas, relações humanas e cultura de paz.

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