Idoso de 79 anos é condenado a 35 anos de prisão por estupro de crianças

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Alegrete, obteve a condenação de um homem de 79 anos pela prática do crime de estupro de vulnerável contra duas crianças. A sentença foi publicada nesta segunda-feira, 26 de janeiro.
O réu era amigo próximo das famílias e frequentava as casas das vítimas. Aproveitando-se dessa relação de confiança, praticou abusos sexuais de forma repetida ao longo de vários anos. Em um dos casos, os abusos foram praticados entre os 6 e 11 anos de idade da criança. No outro, o homem começou a praticar os abusos quando a vítima também tinha 6 anos.
O homem foi condenado em duas ações penais distintas, recebendo pena de 17 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão em cada uma delas. As sentenças somam mais de 35 anos de prisão, a serem cumpridos em regime fechado. O réu não poderá recorrer em liberdade.
A promotora de Justiça Rochelle Jelinek, responsável pela atuação nos processos, ressalta que o enfrentamento aos crimes sexuais contra crianças exige vigilância constante e o compromisso de toda a sociedade de denunciar situações suspeitas. Segundo ela, “o abuso sexual infantil é um crime que destrói infâncias de forma silenciosa. Ele não acontece nas sombras dos becos, nos cantos das praças ou nas ruas escuras, mas dentro de casa, praticado por pessoas próximas, que convivem com a família e conquistam a confiança das vítimas. É a face mais perversa da pedofilia, justamente porque o agressor costuma ter um rosto familiar.”
A promotora reforça ainda que a percepção social sobre o agressor precisa ser compreendida: “Nos processos, ouvimos repetidamente relatos de que o réu ‘era uma pessoa trabalhadora, alguém de confiança’, como se isso fosse incompatível com a prática de abuso sexual. Mas é importante que a comunidade compreenda que o abusador não tem um perfil único. Muitas vezes, é alguém conhecido da criança – 86% desses crimes são praticados por pais, padrastos, avós, tios e amigos da família. Por isso, é fundamental acreditar nas vítimas, fortalecer as redes de proteção e romper o silêncio que permite que esses crimes continuem acontecendo.”



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