Previsões nada confiáveis para um futuro previsível

Oscar Bessi

Se alguém lhe oferecer previsões infalíveis para 2026 no Rio Grande do Sul, desconfie. Aqui, como em qualquer lugar, até o passado muda conforme a versão. E o futuro conforme a opinião. Ainda assim, é possível arriscar alguns palpites com razoável segurança, porque certas coisas não dependem de bola de cristal — apenas de memória. O gaúcho seguirá com sua esperança se digladiando num duela de adaga com o desconfiômetro, olhando um olho no céu e o outro no noticiário, tentando descobrir se vem chuva, seca, enchente, vendaval, calorão, frio de rachar ou tudo isso junto no mesmo mês. Ou no mesmo dia.

No futebol, 2026 será, como sempre, o ano da virada definitiva. Pelo menos até a terceira rodada do Gauchão. A dupla Gre-Nal seguirá alternando crises profundas com esperanças exageradas, técnicos cairão antes do inverno e a base continuará sendo “o futuro do clube”, esse lugar mítico onde ninguém mora, tudo parece evaporar, mas todo mundo ainda acredita. O torcedor, sábio, jurará que não se importa mais, enquanto consulta a tabela três vezes por dia e repete as mesmas promessas do ano anterior para que a tragédia não seja tão grande. De minha parte, vou apostar na seriedade da SAF Xavante. Este ano, a coisa vai. Sim. Agora vai! (Ainda que minha mulher me lembre que eu digo esta frase desde que ela me conhece, todo início de ano, há quinze anos… E nunca foi).

Na política, o cenário será conhecido: promessas novas com palavras antigas, discursos inflamados, polarização agressiva e despida de ética, alianças improváveis no último momento e a firme convicção de que, de novo, para nós, pobre zé povinho, nada vai mudar. As redes sociais seguirão mais agitadas que plenário em dia de votação polêmica, e o eleitor gaúcho continuará dividido entre a indignação, o cansaço e a esperança teimosa de que alguém, em algum momento, aprenda com os erros do passado — ainda que o passado insista em se repetir.

O clima, esse personagem central dos últimos anos, não pedirá licença para entrar na conversa. Em 2026 ele seguirá imprevisível, exagerado e protagonista. Choverá quando não deve, faltará chuva quando mais precisa e os alertas soarão com mais frequência que despertador em segunda-feira. A Defesa Civil continuará virando sinônimo de heroísmo silencioso, enquanto a população aprende, a duras lições, que planejamento não é luxo, é sobrevivência.

E, claro, haverá as fofocas. Famosos que brigam, se reconciliam, se separam, voltam, somem e reaparecem, tudo sem alterar absolutamente nada na nossa vida. Mesmo assim, elas estarão lá, ocupando espaço nobre no noticiário e nas conversas de elevador ou de boteco, provando que, em 2026, o Rio Grande do Sul continuará mudando em quase tudo — menos na nossa curiosidade por assuntos que não resolvem problema algum, mas distraem enquanto o futuro não chega. Ou chega com a mesma cara deslavada de sempre, feito cusco que cai da mudança, dividido entre pedir desculpas por não ter, ainda, qualquer surpresa boa, ou solicitar prorrogação de prazo – de novo! – na nossa já trôpega esperança.

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