Além do Hospital Montenegro (foto), outros grandes hospitais também estão suspendendo atendimentos devido aos atrasos nos repasses - Guilherme Baptista/FN

Após o anúncio do Hospital Montenegro (HM), de que a partir de ontem, terça-feira, dia 6, iria suspender os serviços médicos no ambulatório de especialidades para os atendimentos de consultas, exames e procedimentos eletivos, ficou a pergunta: para onde vão os pacientes? O próprio prefeito de Montenegro, Kadu Müller, não soube responder. “Fica difícil ter para onde ir”, declarou, em entrevista hoje de manhã na Rádio América, diretamente de Brasília, onde foi em busca de recursos. Os outros hospitais, como da Grande Porto Alegre, estão lotados e também suspendendo atendimentos.

Kadu falou na possibilidade de instalar um Pronto Atendimento médico 24 horas, na Secretaria Municipal de Saúde (Assistência), no bairro Timbaúva. Isso desafogaria o plantão do hospital, onde a prioridade é para os casos de urgência e emergência, mas normalmente está lotado. Atualmente o atendimento médico na Secretaria, entre segunda e sexta-feira, vai até 22h. Durante o dia também tem o atendimento nos postos de saúde. Mas após as 22h e aos finais de semana e feriados, para atendimento gratuito só resta o plantão do Hospital Montenegro, que é portas abertas 100% SUS, mas não tem conseguido atender toda a demanda. Mas conforme o prefeito o pronto atendimento municipal ainda está sendo estudado e só seria possível iniciar a partir de 2019.

Conforme nota oficial da Secretaria Municipal de Saúde de Montenegro, medida adotada pelo HM traz grande prejuízo aos atendimentos encaminhados, pois fica prejudicada a referência para encaminhamento em diversas especialidades. Nesta quarta-feira, dia 7, a Secretaria foi comunicada de que os hospitais de referência em Canoas – Hospital Universitário e Hospital Nossa Senhora das Graças, também adotaram medidas para suspensão de atendimentos em consultas, exames e procedimentos. Em comum aos casos está a motivação para estas decisões, ou seja, o não repasse das verbas devidas por parte do Estado do Rio Grande do Sul para custeio e manutenção das atividades nas referidas instituições.

Sensível ao grave quadro que se desenha na esfera da Saúde, a Prefeitura de Montenegro, em conjunto com os demais Municípios referenciados nestas instituições, está solicitando, desde o princípio, o agendamento de reunião com a Secretaria Estadual de Saúde e demais órgãos competentes, para buscar soluções imediatas. Em média os repasses do Estado não estão sendo realizados desde agosto deste ano, o que inviabiliza a manutenção adequada dos atendimentos agendados e impede a realização de novos agendamentos até obtenção de solução para estes casos. “Frisamos que o Município de Montenegro, através do prefeito Kadu Müller e da secretária municipal de saúde Cristina Reinheimer, está empenhado na busca de soluções junto ao Governo do Estado para que sejam normalizados os atendimentos aos munícipes e, para isso, contamos com a compreensão da população neste momento tão delicado para a saúde pública”, conclui a nota da Prefeitura.

Demais lideranças da região também estão mobilizadas no sentido de buscar uma reunião com o Governo do Estado visando à liberação dos repasses atrasados. O presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (AMVARC), o prefeito de Maratá, Fernando Schrammel, durante reunião em Porto Alegre com o governador eleito Eduardo Leite, pediu apoio e também entregou um ofício ao deputado estadual Lucas Redecker (eleito agora deputado federal), com pedido de uma audiência com o secretário estadual da saúde para tratar da crise no HM. O presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Caí (Corede), Alzir Bach, também encaminhou solicitação de audiência. Igualmente o vereador Talis Ferreira fez contato com o gabinete do deputado federal Giovani Cherini no sentido de pedir nova reunião com o secretário da saúde do Estado. A preocupação aumenta porque, segundo a própria direção do Hospital Montenegro, se não ocorrerem pagamentos, novas medidas terão que ser adotadas, inclusive a restrição de internações. Salários de médicos e pagamentos de fornecedores já estão atrasados.

Deixe seu comentário