Moradora de Pareci Velho, Morgana Kremer é formada em música na Fundarte e na Uergs – Facebook/Reprodução

Morgana Kremer supera as dificuldades com muita dedicação e talento. A jovem, de 24 anos, moradora da localidade de Pareci Velho, em São Sebastião do Caí, nasceu com uma doença congênita, chamada nistagmo, que a deixou com baixa percepção visual. Uma célula do cérebro, responsável pelo nervo que fixa o olhar, não se desenvolveu, provavelmente por má formação do feto. Por isso ela enxerga apenas vultos. Mas isso não a impediu de alcançar os seus objetivos. Estudou inclusive música na Fundarte. E foi ainda mais longe. No ano passado formou-se no curso de Licenciatura em música da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), em Montenegro. Sempre teve o apoio da família, incluindo os pais e irmãos. Desde pequena teve uma relação forte com a música. Estudou piano, violoncelo, violão e ainda canta num coral. Iniciou um curso de arranjo na Fundarte e se formou em inglês no Senac. E não vai parar por aí. Pensa em fazer mestrado, com ênfase justamente na educação musical para deficientes visuais, que foi a sua tese no trabalho de conclusão da universidade.

A jovem já atuou como professora de música no Caí, Capela e Bom Princípio (foto)
– Crédito: Prefeitura de Bom Princípio

Recentemente, com a ida da Orquestra WBK para a Alemanha, ficou a preocupação de como ficariam as aulas de música em Bom Princípio durante a viagem. Foi então que surgiu a professora Morgana Kremer. E ela ganhou a simpatia de professores e alunos. Com um diálogo franco e aberto, mostrou que mesmo com os percalços da vida, é possível vencer os desafios. A jovem caiense é um exemplo de superação, uma lição de vida. Os alunos em Bom Princípio, assim como já ocorreu no Caí e em Capela de Santana, ficaram empolgados com as aulas que Morgana ministrou que acabaram servindo de incentivo para novos instrumentistas.

A relação com a música

Morgana conta que desde pequena sempre teve uma ligação forte com a música. “Familiares tocavam e sempre me despertou interesse”, conta. “Eu cantava desde pequena. E sempre queria tocar instrumentos. Primeiro me interessei por instrumentos de tecla. Fiz algumas aulas de teclado no Semaca, do Caí, com o Ernani, que era saxofonista. Depois entrei na Fundarte, para estudar canto, e no coral, comecei a me interessar pelo piano, que é o instrumento que mais pratico. Conclui o curso básico na Fundarte e na Uergs fiz Licenciatura em música com habilitação no piano. Sempre achei muito bonito o som do violoncelo. E surgiu a oportunidade e estou estudando. Também fiz algumas aulas de violão e comprei um ukulele, que tem o mesmo princípio do violão, só com menos cordas e afinação. Estudei arranjo na faculdade, o que é muito útil para quem dá aula”, declara.

Morgana tem como meta fazer um intercâmbio no exterior para ampliar seus estudos
– Facebook/Reprodução

Ainda sem emprego fixo, Morgana faz freelancer como professora de música. Foi o que ocorreu em Bom Princípio, enquanto os professores, que conheceu na faculdade, viajaram para a Alemanha com a Orquestra WBK. No decorrer da graduação, chegou a dar aula de teoria na Fundarte. Quanto à reação dos alunos, diz que varia conforme a turma e idade. “Normalmente é feita uma conversa antes, para que os alunos já tenham uma ideia. As aulas costumam proceder muito bem. Em alguns locais eu dei aula sozinha e em outros tive assistência junto. Os alunos são muito cooperativos. Costumo eleger um ajudante do dia e eles gostam de participar”, afirma. Morgana diz que se sente feliz em saber que os alunos se sentem cativados. “É um dos maiores desafios dos professores para o aprendizado e a motivação dos alunos”, considera.

A jovem diz que entre as maiores dificuldades está a locomoção, já que mora no interior. “Não tem transporte público no interior. Sempre depende de outra pessoa para me locomover, como meus pais, para poder cumprir os compromissos. Por isso dificulta para conseguir um emprego fixo, por depender de transporte dos familiares. Eles acabam tendo de abrir mão de compromissos deles para me levar. Também materiais didáticos para preparar as aulas para os alunos no que se refere à música. Tem que ter bastante criatividade para elaborar as aulas e transmitir isso para os alunos”, cita.

Entre as metas, Morgana diz que quer continuar estudando e pretende fazer mestrado, provavelmente com foco na educação inclusiva. “Espero fazer um intercâmbio para poder praticar idiomas e ampliar meus conhecimentos para que possa atuar melhor como professora”, conclui, almejando estudar no Canadá, Reino Unido ou Irlanda. Com o seu impressionante empenho, certamente o sonho será realizado.

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