- Crédito: Guilherme Baptista/FN

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, dia 20, a direção do Hospital Montenegro (HM), prestou esclarecimentos sobre vários assuntos. Uma das questões foi sobre denúncia, divulgada em vídeo nas redes sociais, onde Paula Kerber cobrava esclarecimentos sobre a causa do falecimento de sua irmã, Adriana Izabel de Brito, de 44 anos, ocorrida no último sábado, dia 18, no Hospital Montenegro. Na denúncia, que ganhou repercussão, Paula estranhou que no atestado de óbito consta causa desconhecida e asma. Ela diz que a irmã reclamou de problemas respiratórios e febre e procurou o hospital. E mesmo considerando que seriam sintomas de coronavírus, não foi feito teste nela. Mesmo assim diz que o velório ocorreu com protocolo de coronavírus, com caixão fechado, poucos minutos de despedida e em seguida o enterro.

O diretor do hospital, Carlos Batista da Silveira, esclareceu que a última vez que a paciente tinha ido ao HM foi em 12 de junho de 2019, quando procurou o ambulatório. “Ela não esteve várias vezes no hospital, como disse a irmã. Isso não procede”, afirma. Já sobre o falecimento, o diretor técnico, Jean Emandorena, informou que a paciente chegou em estado grave, não resistiu e foi a óbito. Afirma que três médicos a atenderam. E que uma médica da equipe, após examinar a paciente, descartou coronavírus. “Não existe nada sendo escondido. Não era um caso suspeito. Por isso não foi coletado material para exame”, declarou, ressaltando que o HM não dispõe de teste rápido e só são encaminhados para exame no Laboratório Central do Estado (Lacen) os casos suspeitos. Sobre o protocolo do velório e funeral, declara que não foi orientação do hospital.

Quanto a causa da morte, em que consta como desconhecida, Jean diz que foi feito um diagnóstico de insuficiência respiratória e por isso constou asma. “Não temos como esconder nada. Sempre trabalhamos com transparência”, garante Batista, lamentando postagens e comentários em redes sociais. “Estamos avaliando medidas jurídicas que podem ser tomadas”, afirma.

Vilipêndio

Foi tirada foto de um corpo, com cartaz de caso suspeito de covid 19, e divulgado em redes sociais
– Reprodução/FN

Uma outra denúncia chamou a atenção. Circulou pelas redes sociais uma foto de um corpo com um aviso de Covid-19. Segundo a direção, a foto foi tirada dentro do HM, de um caso suspeito que depois teve resultado negativo. Para Batista, o registro fotográfico ocorreu de forma ilegal e pode ser considerado vilipêndio de cadáver. “É um corpo que estava aqui no hospital. Está sendo apurado. Vamos registrar na Delegacia de Polícia. Houve má fé e vilipêndio de cadáver. Alguém tirou uma fotografia”, declara o diretor. Ressaltou que em casos de suspeita de coronavírus, os corpos têm que ser embalados e identificado como Covid-19”, explica, sobre a placa no corpo. “No outro dia veio o resultado do teste e avisada a família. O que houve foi uma falta de ética, de alguém que adentrou no local e tirou uma foto que não deveria ser retirada”, completa.

Segundo o artigo 212 do Código Penal Brasileiro, fotografar, divulgar e compartilhar fotos de corpos pode se caracterizar crime de vilipêndio de cadáver, sujeito a pena de um a três anos de detenção, além de multa.

Três casos suspeitos

Conforme informações do HM, foram feitas 29 coletas de material para exames de Covid-19. Entre 18 funcionários, um deu positivo. A funcionária já está recuperada e deve retornar ao trabalho nesta semana. Já entre onze pacientes, um teste deu positivo, de uma moradora de Tupandi que já teve alta.

Sobre pacientes internados atualmente, a direção informou que existem três casos suspeitos, sendo um na UTI e dois na enfermaria, todos aguardando resultados de exames.

Também participaram da entrevista coletiva o coordenador do controle de infecção (CCIH) da instituição, Diogo Bonini, e o médico infectologista Antônio Carlos Rosa Filho.

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