Kadu deu entrevista coletiva e criticou denunciante e vereadores que aprovaram a abertura do processo de impeachment - Crédito: Guilherme Baptista/FN

No final da manhã desta sexta-feira, dia 21, após voltar da viagem para Brasília e participar dos atos fúnebres do amigo piloto montenegrino Pedro Rafael Horn, que morreu em acidente com um avião agrícola em Minas Gerais, o prefeito Carlos Eduardo Müller, esteve na Câmara de Vereadores. Acompanhado do advogado Jorge Fernandes, Kadu entregou sua defesa no processo de impeachment referente ao contrato da coleta de lixo. Conforme o advogado, a defesa foi apresentada em 43 páginas, mais outros documentos, entregues às 11h17min. “Fizeram acusações levianas, sem provas”, declarou o advogado. Ele citou também que foi feito um registro na Delegacia de Polícia, por denunciação caluniosa, contra a denunciante Letícia da Silva. “E vamos mover ação na Justiça por calúnia, injúria e difamação”, completou.

Depois de sair da Câmara de Vereadores, Kadu e o advogado se dirigiram à Estação da Cultura, onde estava marcada uma entrevista coletiva para a imprensa local sobre o processo de impeachment aberto no último dia 6 de fevereiro. Na mesa, ao lado do prefeito, além do advogado Jorge Fernandes, estavam o ex-procurador Marcelo Rodrigues, o chefe de gabinete Rafael Riffel e o secretário de administração Edar Borges Machado, justamente os citados na denúncia. Nas cadeiras próximas ficaram os demais secretários.

Acompanhado de secretários, Kadu concedeu entrevista coletiva na Estação da Cultura
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

“É uma denúncia fraca, sem base e meramente política”, disse inicialmente Kadu, demonstrando irritação. “Montenegro passar por mais um processo de impeachment é um atraso. Já estamos atrasados vinte anos. É a politicagem, onde fazem política pensando no interesse próprio. Infelizmente tem uma Câmara de Vereadores bastante fraca no quesito analisar o desenvolvimento de uma cidade”, lamentou, lembrando que foram cinco pedidos de impeachment contra ele. “Uma denunciante manipulada por membros que querem ver uma cidade deteriorada”, completou, recordando que outros dois prefeitos, Paulo Azeredo e Luiz Américo Alves Aldana, foram cassados em processos de impeachment.

“A gente tá muito tranqüilo. Quem denuncia tem que provar”, declarou. “Estamos chamando o Tribunal de Contas do Estado para nova averiguação do contrato. Todos os dados estão no portal da transparência”, disse. Sobre as denúncias de pagamento de propina pela empresa responsável pela coleta do lixo, Kadu disse que está sendo acusado injustamente e nega qualquer irregularidade. E disse ter total confiança em seu grupo de trabalho. Citou que o contrato foi analisado pelo setor contábil e controle interno. E que entre 2015 e 2018 o relatório foi aprovado pelo Tribunal de Contas. Disse ainda que a denunciante pediu emprego na Prefeitura, o que foi negado. “Pessoas que se revoltaram e viraram laranjas protocolando processos de impeachment. Uma pessoa que foi funcionária da Prefeitura e na empresa contratada, e que foi demitida. “Temos a certeza que estamos fazendo um trabalho sério por Montenegro. Pedimos respeito”, disse, ao concluir a entrevista, bastante emocionado.

Após a entrega da defesa prévia por parte do prefeito, a comissão processante, formada pelos vereadores Josi Paz (presidente), Joel Kerber (relator) e Cristiano Braatz deve começar a analisar os materiais e tomar depoimentos. O prazo é de 90 dias para concluir os trabalhos e então os vereadores votam se o prefeito será cassado ou não. Para ocorrer o impeachment são necessários dois terços dos votos dos vereadores, ou seja, de 7 dos dez parlamentares. Em caso de afastamento do prefeito, assume o presidente da Câmara.

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