Prefeito Kadu Muller se diz tranquilo e nega qualquer irregularidade - Crédito: Arquivo/FN

Deverá ser votado na sessão da Câmara de Vereadores da noite desta quinta-feira, 30 de maio, a partir das 19h, o requerimento protocolado ontem de tarde, pedindo o impeachment do prefeito Carlos Eduardo Müller, o “Kadu” (PP). O pedido foi protocolado às 15h40 pelo comerciário Rodrigo Corrêa, alegando supostas irregularidades no pagamento do plano de saúde dos servidores do município.

Rodrigo Corrêa protocolou a denúncia alegando improbidade administrativa
– Facebook/Reprodução

A denúncia de possível irregularidade se refere ao pagamento de um remédio para uma adolescente filha de servidora, que está em tratamento devido a Atrofia Muscular Espinhal (AME). O custo total seria de 2,2 milhões, já que são necessárias seis doses de R$ 372 mil cada. O caso já tinha gerado um impasse na renovação do contrato entre Prefeitura e Unimed Vale do Caí, em outubro do ano passado, indo parar na Justiça. Foi feita nova licitação para o plano de saúde dos 3.500 funcionários do município, que continuou sendo a Unimed. Mas seguiu o impasse sobre o pagamento do medicamento Spinraza. Uma parcela de R$ 372 mil teria sido paga através do Fundo de Assistência à Saúde (FAS), dos servidores. Mas dias depois a Prefeitura teria anulado a operação e descontado na fatura seguinte do plano de saúde. Houve recurso na Justiça e o município teve que pagar.

Rodrigo e Kadu

Para Rodrigo Corrêa, o pagamento do medicamento teria sido irregular. Ele entende que houve crime de improbidade administrativa, por considerar que a despesa não deveria ser do município. “Documentos e pareceres comprovam o pagamento irregular”, declara. Correa cita ainda que teria ocorrido um aditivo antes do término do contrato. “Aí começa o imbróglio”, afirma.

Já o prefeito Kadu se diz tranqüilo. Mesmo não sabendo o conteúdo da acusação, ele garante que não cometeu nenhuma irregularidade. “Recebi a notícia sem surpresas, pois há várias semanas sempre havia algo quanto à entrada de um processo. Como temos a certeza que nosso trabalho é sério, de responsabilidade e dentro da legislação, e tudo isso é um movimento com interesses políticos, vamos continuar trabalhando para uma Montenegro melhor. Montenegro não merece passar momentos como este”, declara. “Por isso estou muito tranqüilo. Com a certeza de que fizemos o correto”, completa.

Votação hoje

Sessão da Câmara acontece a partir das 19h
– Arquivo/FN

De acordo com o presidente da Câmara, Cristiano Braatz (MDB), o requerimento será lido e votado já na noite desta quinta-feira. Para ser aprovada a abertura do processo de impeachment, são necessários dois terços dos votos dos dez vereadores, ou seja, sete favoráveis para iniciar a apuração. Caso contrário é arquivado. E se for aprovado deve ser formada uma comissão que terá até 90 dias para ouvir todas as partes e elaborar um relatório, o qual também deverá ser votado . Para ter a cassação também é preciso dois terços dos votos dos dez vereadores.

Atualmente a bancada governista é formada por quatro vereadores: Joel Kerber (PP), Josi Paz (PSB), Rose Almeida (PSB) e Talis Ferreira (PR). Se os quatro forem contrários, o processo não será aberto. Mas como em outros casos anteriores, pode ter uma mudança de postura. Outros cinco vereadores são considerados mais de oposição: Cristiano Braatz (MDB), Erico Velten (PDT), Felipe Menezes (MDB), Valdeci Castro (PSB) e Neri Pena (PTB). Não se sabe qual será a posição do vereador Juarez da Silva (PTB).

Dois prefeitos cassados

Montenegro, em dois anos, passou por dois processos de impeachments, que resultaram na cassação de dois prefeitos. Em 2015 foi cassado o então prefeito Paulo Azeredo (PDT) e dois anos depois foi a vez de Luis Américo Alves Aldana (PSB). O atual prefeito, Kadu Müller, que era vice de Aldana, assumiu em setembro de 2017 e desde então está no cargo.

Como atualmente Montenegro não tem vice-prefeito, em caso de nova cassação do chefe do Executivo quem assume a Prefeitura é o presidente da Câmara de Vereadores.

Triunfo teve eleição ontem

Desde ontem, quarta-feira, Triunfo, município-mãe e vizinho de Montenegro, está com novo prefeito e vice. Os vereadores Murilo Machado e Nelson Aguilheiro, da coligação MDB/PDT, foram eleitos prefeito e vice em eleição indireta, pela Câmara. O mandato vai até o final do próximo ano. Os eleitos em 2016, Valdair Gabriel Kuhn, o Belô, e seu vice Orison Donini Cezar Júnior, da coligação PSB/PSDB, foram cassados pelos vereadores no último dia 26 de abril após denúncia de irregularidades em licitações para a área da saúde.

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