Reprodução/FN

Diante de um quadro preocupante, em que não se sabe qual a dimensão que o coronavírus vai atingir moradores do Vale do Caí, o Fato Novo buscou contato com pessoas da região que estão ou estiveram recentemente em outros países atingidos pelo vírus. Eles relatam quais as medidas adotadas, o que mudou em suas vidas e a preocupação com o que pode acontecer no Brasil.

Diego se sentia mais seguro na China

Diego Vargas, de Montenegro, e sua esposa, moraram por um ano e meio na China, onde ele dava aulas de jiu-jitsu. “Quando começou o coronavírus mudou a vida de todos”, recorda. “De uma hora para outra chegou à informação e logo fecharam tudo”, completa, recordando que isso ocorreu pouco antes do ano-novo chinês, em fevereiro. “Demoraram para tomar algumas atitudes”, entende, sobre as medidas no país em que iniciou a pandemia e que registrou aproximadamente 3,3 mil mortes, mas agora a situação já está se normalizando. Já no retorno para o Brasil, Diego diz que estranhou que, mesmo estando vindo da China, sequer foi questionado no aeroporto e orientado quanto à necessidade de quarentena. Por conta própria, ele e a esposa decidiram ficar por 14 dias em isolamento em Montenegro, inclusive usando máscaras quanto tinham contato com outras pessoas. “As pessoas devem sair o mínimo possível, procurando ficar em casa. O vírus passa muito rápido. Tem que esperar que melhore para voltar ao normal”, sugere, sobre a rotina das pessoas. “Na China levam muito a sério o isolamento. Parecia cidade fantasma. Só saiam com máscara. Aqui alguns não levam a sério. Eu estava me sentindo mais seguro em Pequim do que aqui”, conclui.

Maicon não conseguiu voltar para Portugal

 

Outro montenegrino, Maicon Garcia, está morando faz quatro anos em Portugal. Ele começou trabalhando como sushiman e atualmente é motorista de caminhão, tendo circulado por vários países da Europa. “Fiquei bem surpreso positivamente com as medidas que o governo português vem tomando”, diz, comparando com outros países. Lembrou que Portugal fica bem próximo da Itália e colado na Espanha, países que registram maior número de mortes pelo coronavírus, com milhares de óbitos. Lembra que a preocupação aumentou com o crescimento dos casos na Espanha, quando então foi declarado estado de emergência. Cita que o Exército foi para as ruas, mandando as pessoas ficarem em casa em quarentena. “O comércio está todo fechado”, diz, exceto mercados e farmácias. “Nas rodovias só se vê caminhões”, recorda. Lembra que quando saiu de Lisboa, uma semana atrás, tinha apenas 3 mortos pelo coronavírus. Agora já supera os cem óbitos. E começam a faltar materiais e leitos. Comparando com o Brasil, para onde retornou no último dia 21, estranha ver muita gente na rua, sem proteção. “Deveriam levar a sério, ficando em casa”, alerta, preocupado, defendendo a não abertura do comércio e o isolamento. Maicon tinha passagem para voltar para Portugal na segunda-feira, mas o vôo foi cancelado. “Preciso voltar ao trabalho”, afirma, esperando conseguir viajar ainda nesta semana.

Bethina está em quarentena na Itália

Bethina Baumgratz, de São Vendelino, trabalha como fotógrafa em Pádua, no norte da Itália, faz dois anos. “Estamos em quarentena há 22 dias, deve se estender até 18 de abril ou final de abril. O decreto previa até o dia 3, sexta-feira agora, mas isso não deve acontecer porque o número de mortes está muito alto. É muito preocupante, mas temos que fazer o que o governo manda, pois são muito rígidos. Só saímos quando realmente precisa. E tem que ter uma declaração mostrando para a Polícia aonde vai, no mercado ou farmácia. Se tem cachorro pode dar uma saída de até 200 metros de casa. E temos que respeitar”, conta. “Não está sendo fácil. Tem momentos que ficamos muito angustiados, entediados. Agora tá começando a primavera e dá muita vontade de sair e trabalhar”, completa, lembrando que como fotógrafa depende muito do turismo. “As coisas estão muito paradas. E vão demorar para voltar ao normal. Mas temos que ter paciência”, diz, esperando que o mesmo não ocorra no Brasil.

Michele trabalha em casa na Nova Zelândia

A caiense Michele Hartmann mora fora do país faz mais de 13 anos. Nos últimos três anos reside em Auckland, que é a maior cidade da Nova Zelândia, para onde se mudou após aceitar uma proposta de trabalho como designer de calçados. Diz que faz uma semana que foram fechados aeroportos, impedindo a entrada de estrangeiros. “Estamos trabalhando em casa desde que uma das minhas chefas teve contato com uma pessoa que poderia estar com coronavírus. Tivemos que nos adaptar, com reuniões online”, relata. Até o seu aniversário, na segunda-feira, comemorou online. Conta que todos os dias a primeira-ministra faz um pronunciamento sobre o número de casos e a necessidade de prevenção. Acredita que em cerca de dez dias o número de casos deve regredir e já tem um número razoável de pessoas que se recuperaram. No supermercado foi de máscara e luvas. Notou que as pessoas respeitavam o distanciamento nas filas e compram apenas o necessário. Em casa desinfeta todos os produtos e calçados, além de ao chegar logo colocar roupas para lavar. E divide apartamento com uma chinesa, que também se adaptou as medidas. Destaca que as pessoas são orientadas a ficar em casa. Pretendia tirar férias no Brasil e voltar a trabalhar na Inglaterra e China, mas devido ao coronavírus optou por continuar na Nova Zelândia.

Ex-Rainha de Salvador, Lisiane faz relato da Holanda

Ex-rainha de Salvador do Sul e da Festur, Lisiane Esmeriz vive há quatro anos em Amsterdam, na Holanda, região que adotou o confinamento parcial na prevenção ao novo coronavírus. Ela chama atenção para a alta incidência de internações hospitalares de pessoas na faixa dos 30 aos 50 anos no país europeu. A própria chegou a apresentar sintomas da Covid-19, mas acabou não sendo testada para verificar um possível contágio. “Bares, restaurantes, escolas, universidades, museus e parques estão fechados. Está proibido qualquer evento até o dia 1º de junho. Todo mundo deve permanecer trabalhando em casa até o dia 6 de abril. Não é verdade que só pessoas com pré-condições são internadas. Gente saudável também é”, relata Lisiane, que trabalha como gestora de talentos de uma multinacional farmacêutica. A salvadorense reforça que cuidados como lavar as mãos corretamente e com frequência, evitar contato social e não visitar os pais e pessoas mais velhas por algum tempo não podem ser desprezados.

Carlos Guilherme descreve sobre os Estados Unidos

Professor e pesquisador na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, o salvadorense Carlos Guilherme Becker relata que o país finalmente começou a levar a sério a pandemia. Na região onde vive, os casos vêm crescendo significativamente, mas a situação é menos problemática que em outros estados, como Nova Iorque e Califórnia. Ainda assim, foi decretada quarentena absoluta na sua área e os produtos como carne, leite e farinha já faltam nos supermercados. “Vai haver um grande impacto na economia, mas essa medida (isolamento social) é importante para evitar muitas mortes. Centenas de milhares de pessoas vão acabar morrendo se nada for feito”, alerta Becker. Ele também se diz preocupado com o crescimento exponencial de casos no Estado da Luisiana, no sul do país, cujo clima, quente e úmido, considera similar ao de Porto Alegre e região.

Neide faz alerta da gravidade

Há cerca de dois anos, Neide Cornelius deixou São Pedro da Serra para viver na Itália, um dos países que mais sente as consequências da pandemia.  Em vídeo que postou em suas redes sociais, ela contou do drama vivido pelos italianos e apelou para que seus amigos e conhecidos encarassem o novo coronavírus com seriedade.  “Não sejam tão ignorantes como nós fomos aqui. Acreditem nesse vírus, fiquem em casa. Os hospitais estão lotados e as pessoas acima de 70 anos já não estão sendo levadas para lá, pois faltam aparelhos respiratórios. Essas estão morrendo em casa”, conta. Neide reforça que o melhor cuidado que todos podem ter é ficar em casa. Além disso, evitar o recebimento de visitas e o contato das crianças com pessoas idosas. “Não quero que o Brasil vire um caos. Se aumentar o número de infectados aí a catástrofe será muito maior do que aqui, na Itália”, conclui.

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Há cerca de dois anos, Neide Cornelius deixou São Pedro da Serra para viver na Itália, um dos países que mais sente as consequências da pandemia. ⠀ Em vídeo que postou em suas redes sociais, ela contou do drama vivido pelos italianos e apelou para que seus amigos e conhecidos encarassem o novo coronavírus com seriedade. “Não sejam tão ignorantes como nós fomos aqui. Acreditem nesse vírus, fiquem em casa. Os hospitais estão lotados e as pessoas acima de 70 anos já não estão sendo levadas para lá, pois faltam aparelhos respiratórios. Essas estão morrendo em casa”, conta. Neide reforça que o melhor cuidado que todos podem ter é ficar em casa. Além disso, evitar o recebimento de visitas e o contato das crianças com pessoas idosas. “Não quero que o Brasil vire um caos. Se aumentar o número de infectados aí a catástrofe será muito maior do que aqui, na Itália”, conclui. ⠀ Para saber mais, link na bio. ⠀ #jornalfn #coronavírus #alerta #saúde #covid19 #cuidados #quarentena #fiqueemcasa #combateaocoronavírus #novocoronavírus

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Adilson vive o drama da Espanha

Adilson Zimmer é natural da Feliz e mora em Málaga, no sul da Espanha, com a esposa e a filha de 2 anos. Ele trabalha como personal trainer e no Brasil tem uma construtora. Já a esposa é designer de calçados. Foram para a Espanha em fevereiro deste ano, com o objetivo de estudar, trabalhar e aprender culturas diferentes. Cita que em Málaga moram pessoas do mundo inteiro, principalmente em função do turismo. “Praticamente chegamos junto com o coronavírus na Espanha. Mas no início a situação era tranqüila, sem maiores restrições e isolamento”, conta. Como a esposa tem cidadania italiana, a idéia era morar e trabalhar legalmente na Espanha, alugando um imóvel. Mas na metade de março perceberam que a situação se agravou, com o governo obrigando as pessoas a ficarem isoladas em suas casas, só podendo sair para ir a mercado, farmácia e hospital. Agora o país vive o pico de contágios e mortes, num dos países mais afetados pela pandemia. Diz que as limitações tem aumentando, visando reduzir os casos. “Aconteceu uma situação quando fomos levar o lixo para fora de casa. A filha foi junto e fomos abordados pela polícia, de forma rígida, pedindo documentação e o motivo por ter saído de casa”, conta, lembrando que só atravessaram a rua. Isso mostra a forte fiscalização. Cita que na capital Madrid, onde é o epicentro da doença, quem não tiver uma justificativa para estar na rua pode levar multa entre 2 mil e 600 mil euros. Lamenta que o país não se preparou e até subestimou a doença, demorando para adotar o isolamento social, o que está causando muitos contágios e mortes. “Esperamos que a situação melhore agora em abril”, torce.

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