Tradicionalistas protestaram desfilando sem seus cavalos - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Os protestos e a ausência de grande parte dos cavalos no Desfile Farroupilha realizado no feriado de 20 de setembro, sexta-feira, ainda está repercutindo em Montenegro.

Devido à exigência de exames de saúde dos animais, por parte da Inspetoria Veterinária Estadual, participaram apenas cerca de cem cavalos. O número em desfiles anteriores, conforme os tradicionalistas, foi de mais de 600 cavalos. Isso gerou protestos. Além disso, os tradicionalistas também pediram a volta dos festejos ao Parque Centenário, onde até 2016 ocorria o Acampamento Tradicionalista, com vários shows e tertúlias.

“Pedimos o apoio da Prefeitura. Em outros municípios é cobrado 80 a 90 reais. Em Montenegro é mais de 200 por cavalo”, protestou André, ao lado de vários tradicionalistas que desfilaram a pé, com seus laços, sem seus cavalos, enquanto as selas eram transportadas num caminhão. Algumas crianças estavam com cavalinhos, mas feitos de taquara ou madeira. Muitos tradicionalistas não conseguiram os exames dentro do prazo, alegando que foram exigidos três dias antes do desfile.

Poucos cavalos participaram em relação aos anos anteriores
– Crédito: Cleo Meurer/FN

Impedidos de desfilar com cavalos sem exames e de não ter lida uma carta de manifestação no palanque oficial, os tradicionalistas pediram a presença do prefeito. Kadu Müller desceu do palanque durante o desfile e foi até a esquina das ruas São João com Capitão Cruz, onde um grupo grande protestava. “Pediram os exames três dias antes do desfile”, reclamou um tradicionalista. “Por que os valores diferentes. Aqui é bem mais caro”, falou outro, em meio aos muitos protestos dos cavalarianos. “Fiz o que estava ao meu alcance”, explicou o prefeito, cercado por tradicionalistas e cavalos, enquanto policiais militares garantiam a segurança. “Queria ver vocês todos desfilando”, completou, lembrando que a exigência é da Inspetoria Veterinária Estadual.

Inspetoria Veterinária não foi convidada

O fiscal estadual agropecuário Rafael Silva Alves, da Inspetoria Veterinária do Estado, em entrevista hoje para a Rádio América, esclareceu que a exigência dos exames é da legislação estadual e federal. “É exigido em qualquer evento com aglomeração de cavalos”, diz, citando desfiles, rodeios e feiras. Quanto ao custo, diz que varia conforme os veterinários, mas informa que os exames têm validade de 180 dias. “Os exames são para o próprio bem dos proprietários de animais”, entende, alertando que voltaram a ser registrados no Estado casos de mormo. E lembra que já ocorreram também vários casos de anemia infecciosa eqüina. “Três cavalos tiveram que ser sacrificados neste ano em Montenegro”, declarou, em razão da doença.

Por isso, entre os documentos exigidos estão Guia de Transporte Animal (GTA), Exame Negativo para AIE (Anemia Infecciosa Equina), Exame Negativo para mormo e Vacinação para Influenza Equina.

Para o fiscal agropecuário faltou organização. “Gostaríamos de ser convidados para participar das reuniões da organização. Como não fomos procurados solicitei uma reunião que ocorreu num domingo, em 25 de agosto. Entreguei o ofício com as informações das exigências. Daria tempo, pois os resultados dos exames costumam sair em até uma semana. Não sei o que ocorreu”, diz. Uma nova reunião foi marcada na própria Inspetoria Veterinária Estadual em 17 de setembro, quando faltavam apenas três dias para o desfile. Aí participaram representantes de várias entidades, Prefeitura e comissão organizadora. “Expliquei que estávamos cumprindo a legislação”, salienta, garantindo que a mesma exigência ocorre em todos os municípios. “Muitas vezes não se consegue fazer uma fiscalização maior porque o efetivo é reduzido”, afirma, sobre a não exigência em algumas cidades.

No desfile de Montenegro teve fiscalização e chegaram a ser emitidos quatro autos de infração em casos de cavalos em situação irregular. “É importante buscar as informações”, conclui Rafael, informando que a Inspetoria Veterinária está localizada em Montenegro na Rua João Pessoa, 1493 – próximo ao Correio. E mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3632 1211.

1 COMENTÁRIO

  1. Cavaleiros também precisam respeitar a lei e as normas de bem estar animal. Se elas existem, que providenciem. Todos dizem “amar” seus cavalos, mas o que se vê são vários casos de maus tratos, falta de alimento e até de água. Fazem cavalgadas, mas não se lembram de levar nem água pros pobres animais. As coisas não podem ser feitas assim, de qualquer jeito. Todos sabiam das normas e mesmo assim não providenciaram com antecedência. É, aquilo de fazer tudo de última hora, ou não fazer, esperando o tal “jeitinho brasileiro”. Não tem, não.

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