Banda Luar será uma das atrações - Divulgação/FN

A Banda Luar, um dos conjuntos que mais fez sucesso no gênero bandinha, está de volta. E neste domingo, 23 de junho, vai animar a Festa do Padroeiro da Paróquia São João Batista, em Montenegro.

A programação da festa inicia com a missa das 9h na Catedral, celebrada pelo bispo Dom Carlos Romulo. Após a missa terá procissão motorizada pelas ruas da cidade até o CTG Estância do Montenegro, onde ao meio-dia será servido almoço. Já na parte da tarde terão revelação do rei e rainha da festa. E após inicia o baile com animação da Banda Luar.

A Banda Luar Voltou

A banda Luar surgiu na década de 1950 e foi uma das mais famosas da região e do Estado entre as bandinhas típicas, deixando muita saudade. Vinte anos depois de encerrar as atividades, tendo gravado nove LPs e se apresentado em dezenas de cidades, inclusive no exterior, a Banda Luar está retornando. A nova formação mistura músicos experientes com novos instrumentistas, mas mantendo o repertório tradicional, com destaque para os instrumentos de sopro, mais gaita, guitarra, baixo, bateria. E lançou o volume 10, primeiro CD, com o título “Banda Luar – Saudades do Tio Dealmo”, gravado no Estúdio Pluss de Carlos Barbosa. Destaque para a música A Luar Voltou, além de Saudades do Tio Dealmo, Homenagem ao Avelino, O Baile do Pum, Duas Gêmeas, Alerta Rancho Grande, Baile em Brochier, Polka do Zico, Cavalo Zaino, Relembrando o Passado, Homenagem ao Irineu e Am Golf Von Biscaia.

Os atuais integrantes são: Integrantes: Cesar Lopes, Samuel Wogt e Fábio Neis (trompetes); Martin Keller (Trombone), Bruno Kalsing e Daniel Schú (saxofones), Egon Schú (gaita), Adriano (bateria), Marcos Menezes (guitarra) e Branco (baixo).

Além da Festa do Padroeiro deste domingo, outros eventos já constam na agenda da Banda Luar. Entre as festas na região, vai animar na Sociedade Pinheiro Machado em julho em Brochier e em agosto em Pareci Novo, entre outras.

Contatos podem ser mantidos pelo facebook Banda Luar ou com Cesar Lopes pelo fone 99924 2445.

A história da Banda Luar

Reprodução/FN

A bandinha Luar surgiu numa quermesse de igreja no interior do município de Montenegro. A exemplo de um “Jam-Session”, seus músicos, numa quente e ensolarada tarde de domingo, foram aparecendo e se juntando ao redor de um gaiteiro, que dedilhava valsas e polcas, rodeado de homens e mulheres que circundavam a tenda de bebidas. Na quermesse seguinte os músicos já voltaram organizados e criaram vínculo, passando a ser solicitados para os salões de bailes e para os clubes. A Banda Luar foi fundada na primeira metade da década de 1950, na localidade de Chapadão, interior do município de Brochier, estado do Rio Grande do Sul, na época distrito de Montenegro. Seus idealizadores foram os irmãos Francisco: Dealmo (trompa), Edemar (trombone), Romoaldo (saxofone), Lotário (acordeão) e Cilão (trompete).

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Em sua primeira formação a Banda Luar contou, além dos irmãos Francisco, com os músicos: Léo Zich (trompete), Hugo Nabinger (saxofone), Odarci Krahl (trompa), e Oscar Motta (bateria). Segundo Dealmo Francisco, no início da Banda os músicos se deslocavam para os compromissos a pé ou a cavalo, viajando às vezes dias. Na época, se tornou hábito entre eles, na volta dos ensaios e bailes, tirar os instrumentos dos sacos de lona e tocar caminho a fora, “animando a vizinhança”. Ele conta que muitas vezes eram “acompanhados pelos cachorros” que uivavam junto com eles. Como ele diz “era folia de rapaziada”. Dealmo conta também que naquele tempo os bailes eram de “sol a sol” começando às cinco horas da tarde e indo até às oito horas da manhã seguinte. Porém, os músicos tocavam sentados e, entre uma música e outra, conversavam, fumavam, bebiam. “Era diferente dos bailes de hoje, onde se toca cinco horas direto”, afirma Dealmo.

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A Banda Luar iniciou sua ascensão no ano de 1960, com a entrada dos músicos, Benno Müller (saxofone), Anselmo Allebrandt (trompete), Rui Allebrandt (bateria), Edvino Willers (violino), Darci Palagi (bombardino) e Sirineu Esswein (acordeão). Nessa época, Dealmo Francisco já havia passado a tocar saxofone com o passar dos anos, a banda teve que acompanhar a evolução, e sua instrumentação foi se modificando. Aos poucos, o bombardino foi dando espaço ao contrabaixo elétrico, o violino foi trocado pela guitarra e o acordeão teve que dividir espaço com o órgão eletrônico. Ficou estabelecida, então, a “formação clássica” da Banda Luar: dois saxofones, dois trompetes, trombone, acordeão, guitarra, contrabaixo elétrico e bateria. A evolução se deu também quanto aos meios de transporte do grupo. A Banda que antes cumpria seus compromissos se deslocando a pé ou a cavalo, agora viajava com uma perua Volkswagen Kombi.

A Banda Luar foi, dentre as bandas montenegrinas, a que conquistou o maior reconhecimento, tanto em nível nacional quanto internacional. O grupo excursionou pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e por alguns países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo relata Dealmo Francisco, “a Banda Luar recebeu convite para ir se apresentar até em São Paulo”, porém não foram por não terem data vaga em sua agenda. No Uruguai, a Banda Luar tocou pela primeira vez em um programa de televisão, no ano de 1970. A Banda Luar animava eventos tradicionais da época tais como: baile de kerb, baile de chopp3, baile de corais, baile de re-kerb, baile de damas, baile de chita e quermesse.

Os integrantes

Reprodução/FN

Ao longo dos anos, passaram pela Banda Luar muitos instrumentistas, entre eles: João Plínio Juchen (saxofone), Otelo John (trombone), Nelson Garcia (saxofone), Valmir Koetz (guitarra), Valter Krug (trombone), Flávio Schönell (trompete), Gerson Vargas (contrabaixo), Renato Penna (guitarra), Lauro Junges (trompete), Rudolpho Schmidt (saxofone), Sélpio Drebes (trompete), Oregino Francisco (trombone), Dalceu Borcheidt (teclado), Hugo Scherer (trompete), Júlio Krahl (trompete), Vitor Juwer (trompete), Paulo Diesel (acordeão), Pedro Klein(trombone) e Egon Schú (acordeão).

Na segunda metade da década de 1980, a Banda Luar encerrou temporariamente suas atividades que estavam, até então, sob a direção de Sirineu Esswein (diretor comercial) e Dealmo Francisco (diretor musical).

No ano de 1990, a Banda Luar foi reativada em uma fusão com o Musical ABC, sob a direção de Anélio Krahl (músico e administrador que foi responsável pela fundação e direção da Banda e Conjunto Os Signos, de Estrela, bem como, do Musical ABC, de Montenegro. Totalmente reformulada, com transporte (ônibus) e equipamento de som e luz próprios, a Banda volta a fazer parte do cenário musical da região sul. Nesta nova etapa, a Luar teve que enfrentar o desafio de se adaptar a um mercado de trabalho musical diferente do que desempenhava em suas formações anteriores. As emissoras de rádio passaram a ter uma programação mais eclética. Isso refletiu diretamente no repertório executado nos salões de baile, que passou a não ser mais tão típico quanto outrora.

A Banda Luar encerrou definitivamente suas atividades no dia 25 de julho de1993, após a animação de um baile na localidade de Picada Moinhos, município de São Lourenço do Sul, estado do Rio Grande do Sul. Em sua última formação estavam os seguintes músicos: Dealmo Francisco (saxofone), Ernani Porn(saxofone), Erneu Dickel (trombone), Erasmo Dickel (trompete), César Lopes(trompete), Anélio Krahl (guitarra), Adriano Krahl (teclado), João Saldanha (contrabaixo), Rui Allebrandt (bateria) e Bráulio Mello (guitarra).

Tocando a tradição e outros gêneros

A Banda Luar de Montenegro ficou muito conhecida por cultivar as músicas de tradição germânica. No entanto, em seu repertório, não constavam apenas gêneros musicais de origem européia, como as músicas populares e folclóricas alemãs, mas também gêneros musicais latinos, canções populares e folclóricas regionais, bem como composições dos grandes nomes da música nacional e internacional. “Naquela época a gente tocava bolero, rumba, samba, tocava de tudo, não era só música de bandinha. Agora, as gravações, a gente fazia mais na parte de bandinha, pra identificar a banda. Essas coisas, dobrado, polquinha, valsa, maxixe. Mas a gente nos bailes tocava de tudo, até twist. Tinha que acompanhar a evolução. Então, é que nem hoje, aparece uma novidade, tem que tocar”, afirmou Sirineu Esswein.

Entre os gêneros musicais que faziam parte do eclético repertório da Banda Luar estão: marcha, polca, dobrado, schottisch, mazurca, valsa, rancheira, baião, maxixe, choro, samba, tango, bolero, habaneira, fox-trot, corrido mexicano, tcha- tcha-tchá, calipso, frevo, rumba, passo doble, twist, mambo e música sertaneja de raiz. Este repertório não fazia parte somente das apresentações do grupo em bailes e eventos que animavam, mas também de sua discografia. Podemos perceber a presença de praticamente todos os gêneros acima citados nos nove LPs gravados pela Banda Luar. Das partituras do referido repertório, pouco restou com o passar dos anos.

Segundo conta Sirineu, “o único que ainda deve ter algumas partituras da época é o Dealmo”. De fato, Dealmo confirmou, na entrevista da época, ter “uma caixa cheia de partituras”. “Existe muito dessas músicas ainda nas partituras velhas lá no Chapadão, na minha chacrinha, guardadas numa caixa. E tem músicas boas lá encima. Músicas escritas pelo Amândio Allebrandt, pelo Benno Müller, pelo Sélpio Drebes. Esses daí que registraram no papel nossas músicas, cada um no seu tempo. Algumas tão borradas que não se consegue mais ver. Sabe, era escrito com tinta, de primeiro. Mas tem muita música boa. Eu tenho escrito músicas que eu tocava, não só minhas, polquinhas de pistão, bonitas, do falecido Anselmo Allebrandt, aquele que tocava junto comigo, era bom pistão o falecido Anselmo. Então nós tocávamos, era um sucesso nos bailes. Aquilo eu sempre quis gravar elas, mas sempre tinha outras músicas que davam mais certo. Ficou pra trás. E tenho valsas que foram sucesso nos bailes, como a Valsa da Linguiça, mas que não chegamos a gravar”, disse Dealmo Francisco. “Como não eram muitos os músicos que escreviam partitura na época, algumas músicas não gravadas ficaram apenas registradas na memória dos músicos que fizeram parte desta trajetória. No capítulo seguinte, passo a falar com maior riqueza de detalhes sobre a discografia da Banda Luar, na qual o grupo encontrou sua principal forma de registro musical. Naquela época (meados da década de 1970) era muito difícil os artistas gaúchos conseguirem espaço nas gravadoras fonográficas do centro do país. Naquele tempo, pra gravar não adiantava ir a São Paulo. Eles lá não aceitavam nós do Sul gravar. Não adiantava, só São Paulo que gravava LP naquele tempo. Ou então quem já era famoso lá em cima, como Os Futuristas ou Os Montanari. Eles tinham vez até na Chantecler. Mas falar na Luar naquele tempo, que nem era conhecida ainda, eles nem bola não davam”, contaDealmo Francisco). Porém, com persistência, Dealmo, Sirineu e os demais integrantes da Banda Luar alcançaram o objetivo de gravar o tão sonhado primeiro LP, no ano de 1971. Este primeiro trabalho do grupo foi gravado simultaneamente no Centro da Juventude da Comunidade Evangélica Luterana de Linha Pinheiro Machado, Brochier. Sendo que para tanto foi utilizando apenas um microfone multi-direcional “amarrado em um cabo de vassoura”, conforme relata Dealmo.

O álbum Noites de Alegria, com apenas uma tiragem de mil cópias, foi lançado pelo selo Panorama Discos de Gramado, RS, e teve Joel Ferreira, da cidade de Taquara, RS, como produtor musical. Porém, por ser a Panorama Discos uma gravadora de pequeno porte, o álbum não chegou a ser comercializado nas lojas especializadas. A divulgação ocorreu de “boca em boca” e o LP foi vendido pelos próprios integrantes da Banda nos bailes, aos amigos e parentes.

A partir do segundo trabalho fonográfico, no ano de 1973, a Banda Luar contou com o montenegrino Odilon Nascimento como produtor musical, representante no Rio Grande do Sul da gravadora Califórnia Discos de São Paulo. A Califórnia Discos era a gravadora de Mário Vieira, diretor da Rádio Tupi. Esta parceria rendeu “bons frutos” à Luar. Os próximos seis LPs foram lançados através da Gravadora que “abasteceu” as lojas especializadas e inseriu na programação das emissoras de rádio do gênero o repertório fonográfico da Banda. Diante da divulgação realizada, a Luar rapidamente atingiu seu auge, começando a excursionar pelos estados da região sul do País e por países do Mercosul. “Quando a Banda subiu mesmo, daí até a Rádio Farroupilha tinha na programação propaganda do Bálsamo Alemão com música da Luar no fundo”, relata Dealmo.

Os últimos dois LPs da Banda Luar (1980 e 1982) foram lançados pela Gravadora Discos Musicais Montsul, de Montenegro, RS, de propriedade de Odilon Nascimento, produtor musical que já acompanhava o trabalho da Banda desde o ano 1973. Os discos da Banda Luar foram todos, com exceção do primeiro álbum, gravados em estúdios de Porto Alegre, RS. Do ano de 1973 a 1976, a Banda registrou sua obra no Estúdio ISAEC. A partir do LP Noites de Luar (1977), a Luar passou a gravar no Estúdio Cotempo. “Daí começou a melhorar o som dos discos. Não era que nem São Paulo, mas melhorou […]”, relata Dealmo.

Em toda sua trajetória a Banda Luar lançou nove LPs, sendo que, com exceção do primeiro álbum, não há registros quanto à tiragem dos mesmos. Infelizmente, por incompatibilidade entre as gravadoras e as gráficas envolvidas nos projetos, a numeração e as datas dos discos não seguiram uma ordem crescente. Ambas as obras, Noites de Alegria (1971-Panorama Discos) e Centenário de Montenegro (1973-Califórnia Discos), foram consideradas, cada uma por sua gravadora, como sendo o primeiro trabalho fonográfico da Banda Luar. A partir daí a numeração seguiu em ordem crescente, porém, sempre com o equívoco e atraso de um volume. Por exemplo: Baile do Chopp (1974) foi lançado como sendo o volume dois, mas na verdade já era o terceiro volume da Banda. Atualmente, a discografia da Banda Luar ainda se faz presente na programação de emissoras de rádio do gênero, como por exemplo, a Rádio Imperial FM, 104.5 Mhz, de Nova Petrópolis, e a Rádio América AM, 1.270 Khz, de Montenegro.

O nono e último LP da Banda Luar também leva como título o nome da banda. Foi gravado pela Discos Musicais Montsul e lançado em 1982. As músicas que compuseram o LP foram as seguintes: Alerta rancho grande, dobrado de autoria de Nelcido Pettratz; Cavalo Zaino, valsa de Raul Torres; Vinte anos, corrido de F. Valdez Leal e Juracy Rago; Rancheira do Tio Hugo, rancheira composta por Dealmo Francisco; Polka do Zico, polca de autoria de Rudolfo Schmidt; Dois trombones na vaneira, havaneira de Dealmo Francisco; Homenagem ao Irineu, dobrado de Dealmo Francisco; Copacabana, polca com direitos reservados; Seu Rubinho, maxixe de autoria de Dealmo Francisco; Vem Carolina, polca com direitos reservados; Baile no Arroio Bonito, polca com arranjo de Oregino Francisco; e Te wienes med blau farber, polca com direitos reservados. Os músicos que fizeram parte da gravação do último LP da Banda Luar foram Dealmo Francisco e Rudolfo Schmidt, no saxofone; Sélpio Drebes e Flávio Schönell, no trompete; Oregino Francisco, no trombone; Dalceu Bourscheidt, noteclado; Rui Allebrandt, na bateria; Gerson Vargas, no contrabaixo; e Renato Penna, na guitarra.

Fonte do Histórico: Adriano Roberto Krahl – TCC com o título “Bandinha Típica Alemã e o Gênero Musical Maxixe: Um Estudo de Caso Sobre a Banda Luar de Montenegro” (UERGS/Fundarte – 2005)

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