Debora Reichert conquistou três medalhas no triathlon dos jogos realizados na Argentina - Reprodução/FN

Uma atleta que reside faz 6 anos em São Sebastião do Caí e é natural de Pareci Novo foi destaque nos IX Jogos latino-americanos para Transplantados, que ocorreram entre 30 de outubro e 4 de novembro na cidade de Salta, na Argentina.

Entre os mais de 350 atletas transplantados, de diversos países, que participaram dos jogos, estava Debora Reichert, de 32 anos. No próximo domingo, dia 11, vai completar quatro anos que Debora foi submetida a um transplante de rim, que recebeu de uma prima, Angela. Na época, foi entrevistada pelo Fato Novo na casa dos pais, na localidade de Despique, junto com a prima que foi doadora. A cirurgia não só lhe salvou a vida, como foi um marco para Debora se tornar uma atleta. E de primeira linha. “Antes do transplante eu só fazia academia e dava algumas pedaladas. Depois que vi uma reportagem sobre uma transplantada do Hospital Santa Casa de Porto Alegre, que participou do Mundial de Transplantados do ano passado na Espanha, me interessei pelo triathlon”, conta, lembrando também do auxílio do treinador Juliano, de Novo Hamburgo, que presta assessoria esportiva. “Faz um ano que comecei no triathlon”, recorda. E na última segunda-feira Debora Reichert voltou da Argentina com três medalhas na bagagem, entre elas uma de ouro.

Debora pretende disputar o Mundial para transplantados que será na Inglaterra
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O triathlon nos Jogos para transplantados não tem as três modalidades no mesmo dia. Em datas alternadas, ocorreram a corrida de 5 quilômetros, mais 30 quilômetros pedalando e 400 metros nadando na piscina. “A corrida não é o meu forte. Fiz um bom tempo, mas não ganhei medalha”, sorri. “No ciclismo fiz um ótimo tempo, além da expectativa, superando subidas e fiquei em segundo, ganhando medalha de prata. Na natação também ganhei prata. Na soma das três modalidades, pelo melhor tempo do triathlon virtual, fiquei com a medalha de ouro”, comemora.

Foi uma conquista fantástica, ainda mais que é a primeira vez que Debora participa de jogos para transplantados. E já tem outro campeonato em vista, que será em agosto de 2019, quando acontecem os Jogos Mundiais na Inglaterra. Em dezembro deste ano ela também pretende participar de um triathlon em Florianópolis, onde participam atletas de todo o país e não é específico para transplantados. Além disso, cita que vai participar de outras corridas pela região e o Estado.

Faz 4 anos que Debora Reichert fez transplante de rim e agora virou uma grande atleta
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Debora ressalta a importância do esporte na sua recuperação e na qualidade de vida com saúde. “Foi um grande desafio. Antes do transplante fiquei muito tempo sem comer proteína para preservar os rins que estavam funcionando pouco. Perdi muita massa muscular. Não consegui correr 500 metros. Jamais imaginava chegar que iria chegar onde estou hoje. Foram muitos treinos, de duas horas por dia. E com muito apoio”, ressalta. Debora destaca ainda a importância das doações de órgãos. “O índice de doações no Brasil, e principalmente no Rio Grande do Sul, ainda é muito baixo. Os Jogos para transplantados servem justamente para divulgar e conscientizar sobre a importância das doações de órgãos”, frisa. “As pessoas têm que entender que, mesmo em momentos difíceis, da morte de um familiar, é importante doar para salvar tantas outras vidas. Isso vai minimizar a dor da perda e ajudar quem necessita. Então por que não doar”, conclui.

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