Oregino Francisco coloca a culpa na oposição para a perturbação da esposa Facebook/Reprodução

Ao longo de mais de uma hora e meia, o prefeito de Pareci Novo, Oregino Francisco (PDT), falou com a reportagem do Fato Novo, na tarde de ontem, quarta-feira, dia 29, no gabinete da Prefeitura, sobre os episódios envolvendo a primeira-dama do município e também vereadora, Maria Lourdes Francisco.

Oregino lembrou que convive com a esposa faz mais de 30 anos e que ela se elegeu vereadora, sendo inclusive uma das mais votadas no município. Ressaltou que coordena um grupo de terceira idade, bailes e excursões. “Ela tem um histórico de comportamento ímpar, sem nenhum problema com nenhuma pessoa”, salientou. Lembrou que Lourdes vem de uma família de oito irmãos, alguns com problemas de depressão hereditária e tireóide. “Os problemas de saúde podem ser demonstrados através dos anos, recebendo acompanhamento médico, de psicólogo e psiquiátrico, e tomando medicamentos”, declarou. Mesmo com os problemas, que inclusive a levaram a ser internada, o prefeito enfatiza que Lourdes sempre teve um comportamento normal, sendo prestativa e dedicada.

Bullying, processo e pressão política

Com a eleição de 2016, em que Oregino voltou a ser eleito prefeito e Lourdes conquistou uma cadeira na Câmara de Vereadores, a primeira-dama viveu uma nova situação. “Houve uma nova composição na Câmara. Ela teve o convívio político, na esfera da própria Câmara, e uma atmosfera completamente diferente das gestões anteriores”, cita o chefe do Executivo. Oregino diz que, com a oposição tendo maioria no legislativo, com 5 vereadores contra 4 da situação, tentou um acordo ainda antes da posse. “A tentativa de diálogo não teve conseqüências positivas no relacionamento”, lamentou. “O atual grupo está no poder desde 1996 até 2012. Embora tenhamos feito o sucessor, a oposição sentiu o gosto do poder. Voltei a administrar o município em 2017, quando passei a observar um trabalho de pressão sistemática muito bem organizada”, declarou. “Tenho duas provas disso. Ao propor aos 9 vereadores para participarem de reuniões sobre projetos para o bem da comunidade, em todas o resultado foi o mesmo: ouviam, não se posicionavam e nas votações na Câmara, nas propostas que eram discutidas, votavam contra e ainda ridicularizavam as manifestações dos de situação por serem pessoas simples. A outra prova incontestável é que na posse, após minha manifestação como novo prefeito, pedindo um pacto de união pelo município, a vereadora Adriane Kinzel, quebrando o protocolo, usou da palavra e me desafiou diante de várias testemunhas”, completa.

O prefeito reclama ainda da atuação dos vereadores de oposição na Câmara. “Durante as primeiras sessões, num projeto pedindo um cargo de confiança para uma enfermeira que tinha encerrado o seu contrato temporário e que tinha ajudado muitas pessoas, inclusive com um apelo popular para que continuasse, a solicitação foi rejeitada, causando revolta. Após o término da sessão muitas pessoas questionaram os vereadores de oposição. Houve discussão, empurrões e ameaças”, conta. “Como prefeito liguei para o vereador Francisco. Ele gravou a ligação, o que me deixou ofendido. Ele entrou com processo contra mim na 4ª Câmara do Tribunal de Justiça em Porto Alegre, alegando ameaças. É um trabalho orquestrado, visando atingir a minha postura. E com processos querem me tirar do cargo e me tornar inelegível. Algumas pessoas também me agridem como prefeito, através das redes sociais, no facebook. Através da Delegacia e da Justiça levo eles a se explicarem. Já tem processos de calúnia e difamação em andamento”, afirma.

Para Oregino, alguns desentendimentos são normais. Ele lembra que no ano passado jantou na casa do vereador Francisco, junto com outras pessoas. “Atendi várias solicitações ele”, diz. “Empenhei-me para que ele fosse eleito o presidente da Câmara. Depois voltamos a se reunir, em audiência pública. E mesmo com o diálogo, alguns projetos foram rejeitados”, lamenta. O prefeito reclama também que tentou acordo sobre a denúncia de Francisco na 4ª Câmara do Tribunal de Justiça, mas ele e os demais vereadores decidiram dar andamento ao processo. “O vereador Elton (Elton Rodrigues Leal) se colocou a disposição para votar a favor de um projeto encaminhado pelo Executivo, mas na hora da votação foi contra. Foi visível o ar de deboche dos vereadores de oposição. Em outro projeto procurei três vezes o Francisco e ele concordou em votar favoravelmente. Pedimos sessão extraordinária, mas aí votou contra”, critica. “Nós respeitamos a decisão, mas não as colocações humilhantes e críticas não construtivas dos vereadores”, cita. “Todas essas insinuações do movimento de oposição tinham como propósito desestabilizar o comportamento do prefeito”, acredita.

Para o prefeito, a vereadora Lourdes, na sua simplicidade e falta de experiência no convívio da rispidez do legislativo, acabaram fazendo ela se sentir humilhada. “Ela chegava em casa chorando. Numa das sessões chegou a desmaiar, sendo levada ao Posto de saúde. Foram feitos exames e reforçado o tratamento. Vinha se sentindo ridicularizada por ter sotaque alemão. Outro vereador da base de governo também tem receio de se manifestar com medo de ser ridicularizado”, alega.

Oregino conta que no dia 20 de agosto, segunda-feira da semana passada, embarcou para Brasília, retornando só na quinta-feira. “Quando cheguei fiquei perplexo ao ver algo que não é falado nas redes sociais: os grandes prejuízos na propriedade de minha mãe. Também fiquei surpreso ao saber das depredações na casa do vereador Francisco. Registrei ocorrência na Delegacia em razão dos estragos, incluindo incêndio na garagem, churrasqueira e paredes quebradas, telhado e queima da máquina de cortar grama. Fui surpreendido com a confissão da Lourdes, totalmente perturbada. Ela não pode ficar sozinha. Pensou até em suicídio”, relata. “Perguntei a ela os motivos. Mesmo com dificuldades de se expressar, disse não estar agüentando a pressão e humilhações na sessão da Câmara. E que as depredações, alegadas por Francisco, para atingir o prefeito, inclusive com gravações circulando”, continua. “Ela foi a mais atingida por não ter um suporte emocional, pois estava muito fragilizada”, prossegue. “Só falam nos prejuízos ao vereador Francisco. Os maiores prejudicados somos nós, tanto em danos materiais como morais e psicológicos. Não é só por maldade que se comete equívocos, mas também por problemas emocionais”, completa, lembrando que Lourdes Francisco está sob efeito de medicamentos e inclusive já esteve internada.

O prefeito tem certeza que não foi à vereadora Lourdes quem cometeu os danos em quatro casos anteriores de depredações, na mesma propriedade de Francisco Mendel, também em Despique, perto de sua casa. “Espero que estes fatos anteriores sejam esclarecidos pela Polícia. Coloquei meu celular a disposição para a quebra do sigilo telefônico”, informa, garantindo que não tem qualquer envolvimento e não tinha conhecimento das atitudes da primeira-dama. “Vamos entrar com ação contra as pessoas que cometeram bullying e danos morais contra a Lourdes. Isso que motivou essa situação”, frisa. Lembra que a própria vereadora procurou o vereador Francisco, que viu como ela estava perturbada. Mesmo assim diz que parentes do vereador e outras pessoas fizeram manifestações no facebook, prejudicando ainda mais a saúde de Lourdes Francisco. Informou que a vereadora está em licença médica, não devendo participar da sessão desta quinta-feira e ficando afastada para tratamento.

Vereador Francisco ficou surpreso

O vereador Francisco confirma que a primeira-dama, vereadora Lourdes, o procurou na segunda-feira passada. “Estava chorando e desesperada. Disse que estava doente”, recorda. Isso após as gravações com imagens mostrarem ela causando danos na propriedade de Francisco já estarem com a Polícia. Foi o próprio Francisco quem então levou Lourdes até a Delegacia, onde ela prestou depoimento e confessou os estragos na propriedade dele e da sogra. “Fiquei surpreso com a atitude. Sempre tivemos uma boa relação”, estranha.

No dia seguinte da depredação, vereadora participou da premiação do Campeonato de futsal Reprodução/FN

No dia seguinte as depredações, como vereadores, sexta-feira de noite Lourdes e Francisco participaram normalmente da entrega de prêmios e festa das finais do Campeonato de futsal, no Ginásio Municipal. Lourdes inclusive aparece sorridente em fotos no jornal entregando a premiação para as jogadoras campeãs do feminino. Um vídeo também mostra a vereadora, no domingo, se divertindo num salão de baile de sua família, em Harmonia. Para a Polícia, segundo o delegado Paulo Ricardo Costa, a vereadora alegou que estaria sofrendo de acessos de raiva porque o marido vinha se incomodando com a oposição. De acordo com o delegado, alegou ainda problemas de bipolaridade e uso de medicamentos. “Observamos um total descontrole dela. Descontrole de conduta e sentimentos, numa ação grave. Nada justifica. Mesmo com motivação política, jamais poderia ter tomado esta atitude”, entende o delegado. Ele acredita que, pelas características, tenha sido a mesma autora nos casos anteriores. “Ela garantiu que agiu sozinha e negou outros envolvidos. Nas imagens deste último caso só aparece ela”, conclui.

O vereador Francisco preferiu não falar sobre o processo contra o prefeito, que está em andamento em Porto Alegre, na 4ª Câmara, com denúncias de ameaças contra ele e colegas, gravadas em conversas por celular.

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