Grupo empresarial de produção de concreto e comércio de areia e pedra é acusado de lavagem de dinheiro, fraudes e corrupção - PF/Reprodução

Entre os 37 mandados de busca e apreensão cumpridos hoje, quarta-feira, 7 de novembro, pela Polícia Federal no combate aos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes e corrupção, teve também em São Sebastião do Caí. Os mandados foram cumpridos em pelo menos 13 cidades gaúchas e mais Camboriú (Santa Catarina). As fraudes seriam praticadas por empresários que atuam no segmento de produção de concreto, extração e comércio de areia e pedra. Conforme a Polícia Federal, estão sendo investigadas 14 empresas, que são controladas por um único grupo estabelecido em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul.

Além do Caí, foram cumpridos mandados em Santa Maria, Porto Alegre, Bagé, Carazinho, Caxias do Sul, Frederico Westphalen, Garibaldi, Maquiné, Panambi, Passo Fundo, Rosário do Sul, Três de Maio e Camboriú. Oito pessoas foram presas. Os nomes das empresas e dos presos não foram divulgados. A pessoa identificada por comandar o esquema foi presa preventivamente. O homem é dono da principal empresa investigada. Em sua residência e de pessoas ligadas a ele foram apreendidos 365 mil reais e 20 mil dólares. A pedido da Polícia Federal, a Justiça decretou a indisponibilidade de um patrimônio inicialmente estimado em R$ 81 milhões. Mas o valor do crédito constituído pela Receita Federal é de aproximadamente R$ 180 milhões Outros três presos estariam ocupando cargos de gestão, e entre eles está a mulher do proprietário. Quatro presos faziam a parte operacional das empresas, como contador e funcionários do setor financeiro.

Foram cumpridos 37 mandados em 13 cidades gaúchas e uma catarinense
– PF/Reprodução

Um total de 150 policiais federais e 16 auditores fiscais participam da operação que está sendo chamada de Caementa, numa alusão ao termo latino, que significa “pedras pequenas”. Os crimes investigados na operação são organização criminosa, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, apropriação indébita previdenciária, omissão de vigência de contrato de trabalho, crimes falimentares, fraude a licitações, extorsão e corrupção.Segundo foi apurado, os investigados teriam sonegado tributos e contribuições sociais, desviado patrimônio das empresas endividadas e que se encontram em recuperação judicial, e ocultado o proveito dos crimes por meio da criação de empreendimentos de fachada.

Unidade no Caí

A empresa que estaria sob investigação tem unidade no Caí, no bairro Vila Rica. O grupo empresarial tem sede em Santa Maria, com cerca de 500 funcionários e 15 filiais em diversas cidades, movimentando aproximadamente R$ 1 milhão por dia. Em entrevista coletiva hoje pela manhã, os delegados da Polícia Federal informaram que além de dinheiro, foram apreendidos caminhões, carros, celulares, documentos e computadores.

A investigação iniciou em dezembro de 2014 através da fiscalização da Receita Federal e apurou a ocorrência de diversos crimes relacionados à gestão do grupo empresarial. Conforme a Polícia Federal, foi constatada a abertura de empresas de fachada, em nome de “laranjas”, que recebiam o dinheiro desviado da empresa principal, sem declarar oficialmente. O esquema estaria envolvendo o desvio do patrimônio da empresa, que está em recuperação judicial desde 2016. Segundo a PF, uma “parte expressiva” do patrimônio dos investigados foi desviado para empresas em nomes de laranjas. Os valores arrecadados para recompor a saúde financeira da empresa e pagar os credores estariam sendo retirados e colocados em outras com situação econômica em dia. O esquema teria o envolvimento de 42 pessoas jurídicas e 5 físicas que deviam para a Fazenda Nacional R$ 189 milhões em tributos. A estimativa é de um prejuízo de cerca de R$ 295 milhões aos cofres públicos em receita não declarada e cerca de R$ 35 milhões em tributos sonegados.

A Receita Federal esclareceu que as empresas não serão fechadas. As unidades, como do Caí, serão investigadas e fiscalizadas. Não há nenhuma ordem de interdição da empresa no momento. Além dos empregos, muitos setores da construção civil dependem do material fornecido pela empresa.

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