Caminhada por justiça ocorreu debaixo de chuva Guilherme Baptista

“É muito sofrimento. Demoliu a nossa família. Não temos mais vontade de nada. Minha esposa está com depressão. Só queremos justiça para que não aconteça o mesmo com outras pessoas”.

A manifestação foi de Renato da Silva, 65 anos, pai da professora Aline Fabiana da Rosa Silva de Sá. A declaração foi dada enquanto ele estava caminhando sob chuva e frio, junto com outras cerca de 80 pessoas, no final da tarde de ontem, quarta-feira, dia 22, durante o protesto que pediu por justiça e mais segurança no caso da morte de sua filha, atropelada em cima da calçada, no último dia 4 de agosto.

Segundo Renato, o objetivo da caminhada foi chamar a atenção para evitar que outras pessoas se divirtam fazendo barbaridades no trânsito. “Não veio mais gente por causa de chuva e do frio. Teria o triplo se tivesse tempo bom. Mas agradeço a todos pela solidariedade. Isso é o que nos motiva a continuar lutando”, declarou, vestindo uma camiseta com a foto da filha e segurando uma faixa onde pede justiça. A mãe da professora, Sirlei Elizabete da Rosa, 63 anos, mais a avó, de 90 anos, e três netos, também estavam entre os parentes, colegas e amigos da professora Aline. Muitos vieram de Barro Vermelho e Coxilha Velha, localidades de Triunfo onde a professora morou e era diretora da escola estadual, além da família ser proprietária de um restaurante. Fazia um ano e meio que Aline morava em Montenegro para acompanhar os estudos da filha Eduarda, de 16 anos. As duas foram atingidas por um automóvel Prisma desgovernado. Aline sofreu lesões muito graves e morreu na madrugada do dia seguinte. Eduarda ainda está se recuperando através de medicamentos e fisioterapia. Além de fratura no fêmur, está muito abalada. Mesmo de muletas, acompanhou também a passeata.

Cerca de 80 pessoas, no final da tarde de ontem, participaram do protesto    Guilherme Baptista/FN

A concentração inicial ocorreu na frente da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), no bairro Timbaúva. Sob chuva, o grupo partiu em caminhada pela avenida Júlio Renner (Via Dois) até a rua Campos Neto, próximo ao Sesi, onde ocorreu o acidente. No local, em frente ao condomínio Érico Veríssimo, foram depositadas flores, cartazes e formada uma roda durante manifestações e canções.

O acidente
O acidente ocorreu no último dia 4 de agosto, um sábado, por volta de 17h45. Aline Fabiana da Rosa Silva de Sá, de 39 anos, estava na calçada junto com a filha Eduarda, de 16 anos. A professora foi atingida em cheio, sendo arremessada por vários metros. Sofreu traumatismo craniano e outras lesões graves, vindo a falecer no início da madrugada de domingo.

Através da análise de imagens de câmeras de vídeo, a Polícia Civil concluiu que o automóvel Prisma que atropelou mãe e filha estaria participando de um racha com um Golf. Os dois motoristas negam que fosse um racha. O acusado do atropelamento vai responder processo por homicídio de trânsito, com o agravante da alta velocidade e de as vítimas terem sido atingidas em cima da calçada.

Sobre a solicitação de mais segurança, a Prefeitura estuda a colocação de uma faixa elevada de pedestres perto do Sesi, semelhante a que foi implantada na Rua Bruno de Andrade. Isso obrigará os motoristas a reduzirem a velocidade naquele local.

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