Investigação contra roubo de gado iniciou no ano passado com acusado de Harmonia e hoje teve operação em várias cidades - Crédito: Polícia Civil

A Polícia Civil, através da Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) de Bagé, deflagrou, na manhã desta quinta-feira, dia 27, a terceira fase da Operação Grande Negócio no combate à lavagem de dinheiro referente a crimes rurais. Na ação, foram cumpridas doze ordens judiciais, sendo sete de bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos e cinco de mandados de busca e apreensão, contabilizando o bloqueio de mais de 10 milhões em patrimônio de investigados por suposto esquema de lavagem de dinheiro.

A investigação iniciou ainda no ano passado quando a polícia passou a apurar um suposto abigeato envolvendo um acusado do município de Harmonia, no Vale do Caí. Além de Harmonia, hoje ocorreram diligências através de ordens judiciais de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça de São Sebastião do Caí em , Santa Clara do Sul e Santa Cruz do Sul. Ao todo foram quinze meses de investigações, onde os policiais identificaram um esquema de transações fictícias de compra e venda de bovinos, que mediante a utilização de um frigorífico do município de Santa Clara do Sul, acabou ficando conhecida como “comércio de gado fantasma”. O frigorífico teve suas atividades suspensas.

Conforme o delegado André de Matos Mendes, em março de 2018 a Polícia começou a investigar o morador de Harmonia que estava vendendo animais para serem abatidos no frigorífico em Santa Clara do Sul. Ele não possuía lotação junto a Inspetoria Veterinária e também sem tirar Guias de Trânsito Animal (GTA). Segundo o delegado, no decorrer das investigações, os policiais descobriram que, na verdade, estavam diante de um esquema de lavagem de dinheiro. Outras seis pessoas, também foram identificadas como integrantes do esquema. Os falsos produtores tiravam notas de venda de “gado fantasma” para o frigorífico, que por sua vez emitia contranotas, dando uma “aparência” de legalidade para as transações.

De acordo com a Polícia, as movimentações eram declaradas no imposto de renda dos investigados e do frigorífico, com isso a empresa também era beneficiada financeiramente com as transações falsas, com ganhos tributários ilegais e distribuição de pro labore sem anotação contábil. Foram apreendidos cerca de um milhão de reais em transações falsas de compra e venda de gado, além das contranotas. Durante as três fases da operação Grande Negócio, foram cumpridas cerca de setenta ordens judiciais como mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo fiscal e financeiro, afastamento de advogados do caso e bloqueio de posses. Todos os bens dos suspeitos foram apreendidos, totalizando valor superior a dez milhões de reais. Sete pessoas foram indiciadas pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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